terça-feira, 7 de outubro de 2014

Na realidade,

Reality TV é o tipo de produção roteirizada que menos me chama a atenção, mas ainda assim há alguns programas que eu assisto com uma leve obsessão: Project Runway, Face Off e RuPaul's Drag Race - todos eles, shows de disputa de talentos. Só assim pra acompanhar reality tv.

Durante as entrevistas com os competidores, que entremeiam as etapas da competição e tornam o episódio mais intrigante, tem um tipo de comentário padrão que eu sigo tentando assimilar, mas sem sucesso: é naqueles momentos de desespero, diante de uma possível eliminação, que eles expressam o desejo de trazer orgulho às suas famílias e dizem coisas como "estou aqui pela minha mulher e meu filho que vem aí" ou "eu só quero deixar minha mãe orgulhosa de mim"... Sei lá, na boa.

Vários anos atrás, muito antes que eu tivesse a mais vaga ideia do que eu queria da minha vida, eu sabia de uma coisa, que já havia confessado a mim mesmo: eu queria sentir orgulho de mim. Era o meu sonho, antes de saber o que uma carreira significaria no contexto real. Daí eu vejo essa galera querendo trazer orgulho pra família, até me identifico com a intenção, mas quando me imagino no lugar de um deles, o meu medo da eliminação teria fundamento em temer decepcionar a mim mesmo? E não sei se é egoísmo ou um traço daquele meu distanciamento que venho citando? Não sei se é o caso da pessoa já ter conquistado o orgulho próprio pela pura validez do "venci só de participar", e o instinto para permanecer na corrida passa a ser a vontade de contagiar os entes com a vitória. Sei lá, de verdade. Fosse eu, ia querer primeiro esse orgulho próprio aí. E, então, compartilhar a alegria, sim. É gostoso ter quem se orgulhe da gente. E não é que eu seja uma decepção - é que eu busco esse estado, esse sentimento de saber que sou muito bom em algo sem precisar da aprovação alheia, e ter orgulho daquilo que faço. Ta aí um sonho que não custa perseguir.

2 comentários:

  1. tb sou viciado em Project Runway.

    eu sempre penso que eles passam anos tentando dar certo no sonho e nesse tempo é sempre a mãe, a esposa e tal que segura a onda financeira da casa. vou pro caminho prático da coisa e acho que eles querem é provar para a família q eles podem ser bem sucedidos fazendo o que eles amam.

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  2. Engraçado. Comigo é um pouco diferente.

    Eu não sinto necessidade de sentir orgulho de mim. Pelo contrário. Sempre corri dessa coisa de orgulho, reconhecimento e talz, pra mim isso tudo não faz sentido, se a gente vai morrer mesmo e acabou. Eu sou só mais um que não faz a menor diferença na vida de bilhões de pessoas. Eu vou seguindo, sem saber muito pra onde, mas onde os meus instintos me levam, eu vou. Não importa se vai me fazer burro, ou ridículo, ou perder oportunidades, ou ser enxovado, fazer as pessoas terem vergonha de mim ou whatever: que importa, se no fim todos vão estar mortos mesmo?

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