quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

meu por um sono

Eu assumi que guardo ele com um zelo especial. Só procuro não abrir a gaveta da memória; meu conforto é saber que tenho tudo ali, guardado.
Embora esteja ficando bom em lidar, às vezes a lembrança do BB é quem vem até mim. Nas últimas semanas, estive pensando nele, quietamente desejando que o acaso nos fizesse esbarrar um no outro outra vez. É uma cidade pequena, afinal; nem é pedir muito, Universo.
Na sexta-feira, acordei, sem querer, de um sonho com ele. Depois daquele sonho que eu jamais esqueci, houve outros esporádicos, que documentei em rascunho para não esquecer - sabe como são os sonhos, eles se esvaem da gente, impiedosos. Mas esse foi mais certeiro, e me deixou revirando o passado a fim de prolongar o prazer, como droga.

Caminhava na rua e cruzei com o BB, o mesmo garoto de rosto adolescente como de quando o conheci. Nossos abraços se atraíram de imediato, como reflexo. Um sorriso largo nas caras, que apertávamos uma contra a outra com força, e que afrouxei apenas quando quis carimbar um beijo na sua bochecha, voltando a apertá-lo em mim em seguida. O nosso abraço era meu. Ele, sem soltar os braços à minha volta, me selou um beijo nos lábios. E então outro. Pronto, era o seu protocolo que garantia que, com aqueles dois beijos, eu lhe pertencia. E eu cedi a ser seu, com prazer. Demos as mãos e caminhamos rumo a não sei onde. Eu sentia que tudo estava certo, no lugar.

Não lembro o resto. Acordei feliz, porque, embora curto, esse sonho pareceu mais real do que tantos outros que sonhei acordado com o BB na cabeça, anos atrás. E não acho que este esteja perto de ser o último. Aquele Joe de 15 anos de idade nunca parou de sonhar.

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