segunda-feira, 13 de março de 2017

o maior inferno astral que você despreza

A crise dos 30 é real, anota aí. Há muitos anos eu não comemoro meu aniversário, mas devo dizer que nunca estive tão desconfortável com a data como neste ano. Completar os trinta tem me deixado estressado muito acima dos níveis normais para o mês de março. Sei que não passa de um número, mas na prática tá difícil engolir esse novo marco.

Este tem sido um tempo especialmente frustrante, pelo fato de me sentir preso em uma realidade muito aquém da que eu esperava para esta altura da vida. A sensação é de desperdício de toda uma vida – da que já foi, e da que ainda virá. Pareço dar voltas no mesmo lugar, em círculos cada vez mais largos e em vão; uma completa falta de rumo. Não trabalho fazendo o que eu gosto – isso porque, depois de um ano sem trabalho, sucumbi ao sistema e ofertei meus serviços àquilo que dava pra fazer de momento. Aliás, até não muito tempo atrás, eu sequer sabia o que queria fazer – e, de toda honestidade, não sei se posso afirmar que já sei de fato. Pois bem, agora trabalhando em área que me surgiu sem planejamento (coisa com que já sigo me acostumando, a vida é assim e pronto – acorda, Danny boy) e aceitei por conveniência. Não tenho dinheiro senão para pagar a fatura do mês do cartão de crédito. Aqueles sonhos de uma boa vida, de conquistas, estão todos encaixotados e empoeirados.

Os meus círculos se estreitam cada vez mais. Os amigos vão, aos poucos, se perdendo, restando apenas aqueles de raízes mais fiéis, e qualquer tentativa de novas amizades já brota com validade a expirar. A minha família é o mais fraco dos pilares, sempre foi. Mas esta condição de ter que conviver com eles, à altura dos 30, tem sido uma das razões primas da minha queda de cabelo e baixa de imunidade. É muito estresse e desgaste pra pouca habilidade em lidar. Muito amargo o gosto de voltar a esta configuração, já tendo experimentado a independência de morar só e sustentar a si mesmo.

Sigo na academia e com minhas aulas de yoga, mas o danado do amor próprio não vem. O que evidencia que não dá mesmo pra arrumar só a carcaça sem investir no interior. Eu já dei o primeiro passo, o de reconhecer o erro, e então re-reconheci o erro umas dúzias de vezes; falta mesmo ir procurar conserto.

Logo assim que voltei a trabalhar, em janeiro, ainda com o prospecto de voltar a receber salário, tratei de comprar várias coisas que queria/precisava. Comprar gera um calorzinho, uma empolgação que faz bem. O real problema é quando os itens chegam às mãos, e a empolgação logo se desfaz, e você percebe que o vazio é mais real.

Em conclusão, só me resta esperar que os tempos se amenizem e a crise dos trinta perca força. Só me resta torcer por menos frustrações, ou, na pior hipótese, por mais conformidade. Melhor mesmo calar e esperar. Mas não sem antes dizer tudo isso.

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