sexta-feira, 24 de setembro de 2010

O lado bom da saudade

Ontem eu tomei a decisão de fazer o que eu podia ter feito anteontem. Ou semana passada, ou mês passado; ou em julho: fui encontrar o BB. Foi breve, novamente, mas foi válido.
Ele tá bem, tá feliz; tá todo fodido nessa vida, mas feliz. Tá gordinho, tá um fofo. Tá lindo de morrer.

Aos poucos eu vou compreender que as coisas não são mais como no nosso tempo de garotos. Agora ele é casado, trabalha pra sustentar uma casa. Fico feliz por reatar nossa amizade, mas tenho que me lembrar que não é mais tão fácil quanto ligar pra dizer "bora fazer qualquer coisa", ou tê-lo me ligando e dizendo "então... vem pra cá".

Perdi meu amigo pra uma mulher lindíssima. É como naquele filme pra vida, O casamento do meu melhor amigo, só que em vez da Jules, o George é que faz o papel do protagonista dispensado. O George sendo eu, claro, e o BB sendo meu Michael.
Cheguei em casa e achei melhor ir cochilar, pra evitar pensar nisso. Acordei sentindo uma leve tendência a ficar na fossa, mas me proibi de alimentar essa demência.


A vantagem de passar três anos sem vê-lo é que, agora, nos damos 'oi' e 'tchau' com um bom (e longo o suficiente) abraço. E é bem isso mesmo que eu preciso saber aproveitar, cada segundo. Porque com o passar dos encontros, esse pedacinho de preciosidade pode se tornar trivial e dispensável - e, então, dispensado.

E talvez, apenas talvez, pra ele não vá fazer tanta diferença. Mas pra mim, vai. Afinal, ele é Michael e eu sou George.





O lado bom da saudade é aquele abraço.

8 comentários:

  1. pois então ... é bom q isto aconteça querido ... conviver com passado não é legal ... exorcizar e encarar de frente a realidade é mais saudável ...

    bjux

    ;-)

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  2. Acho que tá no controle...

    Segue em paz e em frente :)

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  3. é verdade.
    um abraço, miseros segundos mas que desejamos que seja eterno.

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  4. Texto impecável, impagável e inenarrável.

    Não há valor mais precioso do que a amizade. Aproveite. Inclusive a saudade, que vem junto.

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  5. Nossa, me identifiquei com isso. A distância, as vezes, é um ótimo remédio. MAs tem o efeito colateral: saudade. Dói né? Mas com o tempo passa, e se nao passa, ameniza.

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  6. o casamento do meu melhor amigo sempre vai ser lembrado, né?

    mas esse BB...

    eu li uns posts antigos e fiquei confuso.

    era mais q amizade? da sua parte?

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  7. @Antonio de Castro: BB e eu fomos grandes amigos tempos atrás, quase irmãos. Mas ele hétero, e eu apaixonado por ele.

    [j]

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  8. Joe,

    Já passei por essa fase de ficar apaixonado pelo meus amigos/colegas de trabalho e de faculdade.
    Todos héteros, é claro.
    Dói muito e é um caminho sem futuro.
    Espero que consiga digerir o seu encontro com BB, ver as coisas de ume perspectiva clara e não subjetiva e tirar algo positivo para sua vida.

    Daniel de Brasília

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