quinta-feira, 20 de novembro de 2014

now, walk away



It has been the hardest thing, to let go,
to loosen grasp of the promises of you,
but now it's fine, it's over and through.


I've spent all this time holding on to it,
to realize now there is nothing there;
I've been needlessly holding on to air.


Looking forward to a time when you become nothing
more than hidden memories in the back of my head,
a set of faded souvenirs that I but cringe to recollect.


terça-feira, 18 de novembro de 2014

Bridges to Cooper


...e então há as pontes que precisam ser queimadas - aquela que leva até ele, talvez, a maior delas. Como tentar tocar fogo em concreto com uma caixa de fósforos molhados, demorou demais. Parecia inútil e eu não entendia porquê. Mas agora eu vejo. Foi como um câncer.

Não há muito que se possa fazer para se livrar de um câncer. Você se submete a um tratamento gradual, se sujeita a dores e complicações, revive memórias com saudade, ri com amigos, chora sozinho; você tem esperança, depois você não tem. E, ao findar de um número de etapas, resta não muito mais que esperar. Esperar que o tumor eventualmente morra e se desfaça a nada.

Depressão   •   Arrependimento   •   Pesadelo   •   Vazio   •   Morte

Todo esse sofrimento arrastado foi o meu tumor se desfazendo. Embora não entendesse o motivo da demora, durante esses dezoito meses eu fiz tudo que pude a meu favor. Aprendi e retive cada lição que me foi possível extrair. Tentei odiar, e então tentei não odiar. Fiz questão de ser o homem adulto que ele não foi e convoquei uma conversa antes da minha partida, porque aquele ponto final era meu e eu precisava dele. Fiz as pazes, dei a segunda chance que todo mundo merece, e a terceira e aí perdi a conta. Sofri os pesares e aprendi, até chegar aonde só me restava esperar. Mesmo sem entender.

E finalmente aconteceu. Estou limpo. O câncer de Cooper já não me corrói mais as vísceras, nem a alma. Confesso que ainda temo a reincidência, de que, num dia aleatório, ele resolva tentar um novo contato; porque eu quero falar com ele, pra caralho. Mas eu não quero.

Cada obstáculo no seu tempo - por ora, celebro esta ponte que, enfim, arde em chamas. Eu só quero deitar à beira e assistir ela queimar.


BROODS - Bridges

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Bridges to Bretas

Nem é tão certo eu dizer que jamais vou entender, porque meu telhado aqui é de vidro. Eu já fiz pior, e esta é uma confissão em público.

Após a partida da minha prima para Roraima, ainda nos anos de faculdade, conheci e me aproximei da Letícia e, rapidamente, viramos grandes amigos. A gente tinha muitos gostos em comum e se falava todos os dias, o tempo todo. A Letícia é uma das melhores pessoas que eu já conheci, de bom coração e sempre pronta a ajudar sem pedir nada em troca. Ela também tinha suas dificuldades de socialização, e a gente encontrava boa companhia um no outro. Por vezes, ela se abriu em dizer que tinha sorte de ter em mim um amigo, e eu sorria, pensando o mesmo em retorno. Era fácil perceber que dos poucos amigos que ela tinha em Brasília, todos lhe guardavam um carinho muito especial.

Em 2010, comecei planos de ir para a Austrália e, empolgado, convidei que fosse comigo. Ela também não tinha muito que a prendesse àqui, e compartilhava do mesmo desejo veemente de desbravar o mundo. Dali adiante, a Austrália, que jamais fora sonho meu nem dela, passou a ser o nosso sonho. Sem mim, ela não teria conseguido ir; e, sem ela, eu também não. Eu ajudei com grana, ela, com o visto, e no geral um foi empurrando o outro. E, em 2011, desembarcamos na costa dourada.

Mas, àquela época, eu já passava por problemas de intimidade e espaço pessoal, somados à difícil sociabilidade, e as condições da viagem acabaram por trazer à tona um monstro em mim. Dividindo meus dias com a Letícia, eu enlouqueci e me vi preso numa amizade que, por algum motivo, eu não queria mais. Não sabia entender, tampouco lidar. Então, eu me afastei; dividindo rotina e quarto com ela, eu me afastei. Virei irreconhecível, um estranho. Ela sofria, tentando compreender o que houvera feito de errado, e eu me esquivava mais, fugindo do problema. Como poderia dizer pra minha melhora amiga que já não funcionávamos mais? O que era para ser uma experiência de sonhos virou um pesadelo para ambos. Só queríamos acordar daquilo tudo.

Desmoronamos a cada dia, e enfim ela me confrontou. Eu havia sido covarde, até este ponto. Aqui eu tive que assumir a responsabilidade, ser honesto, afinal. E doeu ver quanta mágoa eu havia causado. Mas o alívio estava em, por fim, podermos seguir em frente. O ponto final havia sido estabelecido, e com sorte, estancaria a ferida com o tempo. Logo me mudei para Sydney, e tomamos nossos rumos.

Precisou que ele, um ano depois, me infligisse dor semelhante para que eu enxergasse a lição que há aqui. Que uma relação, de qualquer natureza, involve o um e o outro, e o um não pode desconsiderar o outro em favor do conforto próprio, do medo de expressar a negativa iminente. Que uma verdade pungente dói menos que o desgosto de uma mentira ou omissão. Tive que sofrer a dor dos dois lados para aprender.

Eu tenho experiência em queimar pontes; em por fim a relações, tacar fogo em qualquer vínculo. Foi o que eu fiz com o editor do meu filme depois daquele vacilo, e, de certo, foi o que fiz com a Letícia - foi eu quem ateou o fogo que ruiu a nossa ponte. A diferença entre o editor e eu é que o Martin, quando confrontado, fez-se de inocente com desculpas, fingiu não haver problema. O que eu fiz à Letícia foi terrível, mas eu soube me redimir e trazer conclusão. É como disse Andie no episódio final de Dawson's Creek, "não se trata de acertar sempre, mas de reconhecer o erro e fazer algo a respeito". Bem, este erro deixou marcas, mas me ensinou que, às vezes, as coisas na vida simplesmente acabam ou mudam, por menos que a gente entenda.

E hoje, olhando para trás, eu sei que não tenho direito de querer nada da parte da Letícia. Sei que, com pesar, ela atravessou tudo isso e hoje está bem melhor. Sei que quando fomos para Oz, ela se comprometeu a aprimorar a pessoa que era, e meu coração enche de alegria em saber que ela conseguiu. Porém, da minha parte, queria muito que esta ponte não houvesse sido queimada por inteiro; que ainda houvesse conserto.

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

gente, é foda. gente é foda.

Aí que eu fui abandonado! Sim, amigo, mais uma vez, certamente, ora e por que não? Já te disse, é a minha sina. Desta vez, foi o editor do meu filme. Depois de mais de seis meses trabalhando na montagem do curta, o garoto resolveu, assim, tomou uma decisão executiva, que não estava mais a fim de investir o tempo e o saco dele no projeto e me deixou falando sozinho. Pelo menos eu acho que foi assim, porque o fato é que ele não me responde mais os e-mails, então tomei a liberdade de supor o óbvio à minha maneira, porque que tédio seria a vida sem uma boa dramatização dos fatos. Um mês mandando mensagens no Facebook, que, aliás, acusa quando elas são lidas e aponta o dedo na cara de pau do moleque, mas ele não me responde mais por nada. Ele atualiza status, daí troca a foto do perfil e segue ignorando meu contato desesperado na sua inbox. Apelei pro meu produtor, que então também tentou obter algum retorno dele, sem sucesso. Eu digo:

- Tony, jamais vou entender como alguém pode fazer isso.
Ao que ele concorda:
- Em minhas experiências de trabalho, jamais se deixava de responder mensagem.

E é isso, assim eu encerro. Jamais vou entender.

sábado, 11 de outubro de 2014

Mr. Flamhaff

Como já dei a dica, o meu curta é uma extensão do [ from joe ], e o personagem principal é o Benin, bem como aqui no blog. Você que lê este post e me acompanha pode se gabar pros amigos de que 'leu o livro blog antes de ver o filme', se você é desses. E eles vão responder "Quê?".

Se você alguma vez se queixou de nunca ver esste tal de Benin por aqui, sinto muito. O que eu posso fazer por você, em nome desses anos de companhia, é adiantar o rosto do cara que encarnou o Benin na tela. O escolhido para representar o personagem que há anos existe nesta blogosfera. Direto dos bastidores, apresento-lhe o Benin Flamhaff:


Natural de Perth, Western Australia, ele se chama Griffin Avis-Foster. Para começar sua carreira, o Griffin se mudou para Sydney em busca de oportunidades: trabalha como modelo e faz curso de Atuação. Na época de escalar o ator para o papel principal, tinha mente alguém que fosse bonito, mas com cara de gente normal. Alguém que pudesse parecer uma pessoa com a cabeça bagunçada e agradar aos olhos ao mesmo tempo. No set de OVERRATED, ele se esforçou para entender a profundidade do personagem, a fim de retratar um Benin crível, sempre arrumando tempo para ser simpático, falar bobagens e trocar de roupa na frente da equipe. Tomei a liberdade de roubar algumas fotos do instagram do bonito, a título de ilustração. Depois me diz se gosta. XX





sexta-feira, 10 de outubro de 2014

"let's do it"


Let's fall in love, um curta que eu vi hoje e adorei pelo tema, e ainda pela linguagem, universal. Não há diálogo, só música. O resto é o arco.

Engraçado me imaginar numa situação parecida quando eu tinha essa idade. Claro, naquela época eu estava limitado a sonhar com qualquer coisa assim, mas eram sonhos que abarrotavam minha cabeça. No entanto, ainda me colocando na pele do garoto, é fácil entender o receio dele de deixar à mostra o afeto pelo outro... nessa idade, a gente sofre por não entender quando passa a enfrentar um mundo do desconhecido, justamente quando acreditava já saber da vida.

O mais legal é a intuição que leva a gente a correr riscos e desbravar esse desconhecido. Assim, a gente vê que algumas coisas não assustam tanto quanto à primeira vista. É bom saber preservar um pouco dessa coragem quase prepotente da adolescência para os anos que seguem. Porque quando a gente cresce, vai percebendo que a vida é só essa merdinha aqui, e certas coisas a gente tem que apenas ir lá e fazer como quiser, doa a quem doer - se é mesmo que dói.

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

tchau, clic

Eu devia grafitar este conselho na parede do meu quarto, ou tatuar num lugar visível. Pra ver se eu lembro. Pra ver se eu não esqueço.

Você precisa parar de forçar relacionamentos. Se uma pessoa não quer te quer, apenas mande um "De boa, até nunca, tchau".

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

L.O.S.T. - Broods


Bom é arte que faz a gente se conectar consigo e investir inúmerasinapses em reflexão, porque rola uma identificação com o que se consome. Por acaso, um dia desses, descobri o BROODS, uma dupla da Nova Zelândia cuja obra tem reforçado a razão do meu amor por música. O apreço ao som deles foi imediato; é que o duo compõe melodias que me fazem querer deitar no chão como se não houvesse mundo que valesse qualquer desassossego, e letras que entrepassam cada canção com a maestria de uma obra prima. Não paro de escutar.

Never gonna change me pegou como boa surpresa. A faixa trata do término de uma relação que insiste em manter laços, daqueles com pontas soltas desfiadas - embora o tema não seja novo, foi a poesia da letra que me arrematou. E a narrativa do video é encantadora: um casal tenta se recompor do rompimento e seguir adiante, mas ambos ruem, literalmente se afogando numa relação que acaba por trazer um de volta para o outro e revela a conclusão conformista do título, de que nada nunca vai mudar. Com 1 minuto de clip, eu já tava chorando feio.



Para ouvir na íntegra o disco recém-lançado do BROODS, Evergreen:



terça-feira, 7 de outubro de 2014

Na realidade,

Reality TV é o tipo de produção roteirizada que menos me chama a atenção, mas ainda assim há alguns programas que eu assisto com uma leve obsessão: Project Runway, Face Off e RuPaul's Drag Race - todos eles, shows de disputa de talentos. Só assim pra acompanhar reality tv.

Durante as entrevistas com os competidores, que entremeiam as etapas da competição e tornam o episódio mais intrigante, tem um tipo de comentário padrão que eu sigo tentando assimilar, mas sem sucesso: é naqueles momentos de desespero, diante de uma possível eliminação, que eles expressam o desejo de trazer orgulho às suas famílias e dizem coisas como "estou aqui pela minha mulher e meu filho que vem aí" ou "eu só quero deixar minha mãe orgulhosa de mim"... Sei lá, na boa.

Vários anos atrás, muito antes que eu tivesse a mais vaga ideia do que eu queria da minha vida, eu sabia de uma coisa, que já havia confessado a mim mesmo: eu queria sentir orgulho de mim. Era o meu sonho, antes de saber o que uma carreira significaria no contexto real. Daí eu vejo essa galera querendo trazer orgulho pra família, até me identifico com a intenção, mas quando me imagino no lugar de um deles, o meu medo da eliminação teria fundamento em temer decepcionar a mim mesmo? E não sei se é egoísmo ou um traço daquele meu distanciamento que venho citando? Não sei se é o caso da pessoa já ter conquistado o orgulho próprio pela pura validez do "venci só de participar", e o instinto para permanecer na corrida passa a ser a vontade de contagiar os entes com a vitória. Sei lá, de verdade. Fosse eu, ia querer primeiro esse orgulho próprio aí. E, então, compartilhar a alegria, sim. É gostoso ter quem se orgulhe da gente. E não é que eu seja uma decepção - é que eu busco esse estado, esse sentimento de saber que sou muito bom em algo sem precisar da aprovação alheia, e ter orgulho daquilo que faço. Ta aí um sonho que não custa perseguir.

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

é o meu jeitinho (escroto)

Tenho tentado acompanhar toda a filmografia do David Fincher, um dos cineastas atuais mais inteligentes, no meu ver. Hoje assisti ao seu penúltimo filme, The girl with the dragon tattoo, e, como cinema é identificação, foi inevitável levantar o palpite de que é possível que muita gente me veja como uma versão mais branda da personagem central, Lisbeth, ríspida em seu toque interpessoal. Como descrevi em algumas cartas atrás, essa minha falta de tato escalou nos últimos três anos; mas, se me é possível advogar em meu favor, aproveito para citar o esperto Arthur Tadeu Curado e uma fala de um espetáculo seu que define a essência do meu eu-social: eu sou escroto, mas não sou ridículo. Não sei se ela me absolve, mas encerra meu caso.

Dia desses, levei uma bronca do André. Estávamos conversando, ali na praça do Museu da República, e já eram quase onze da noite; eu com o laptop aberto, pedindo a opinião dele sobre uma cena do meu filme. Chega por trás da gente um sujeito estranho com uma sacola na mão, para na minha frente, puxando assunto, e estende a mão pra eu apertar, mas eu nem. O cara fica ofendido e tenta a vez com o André, que retribui com um aperto de mão. Aí ele fica magoadíssimo comigo, improvisa um rap pro meu amigo, sem perder qualquer chance de exclamar que ninguém jamais o ofendeu como eu. Enfia a mão na sacola e puxa um CD com suas composições, gritando "eu não sou bandido, não vim roubar seu computador". Enfim, o sermão que ouvi do André ao final de tudo foi que eu arrisquei perder a vida ao discutir com um estranho doido na rua. Porque disse, em bom tom de voz, "não vou pegar na sua mão, não te conheço". Porque completei com "não te humilhei, só quero conversar com meu amigo e você está atrapalhando". Enfim, eu vejo razão no discurso de um amigo preocupado: "sua inadequação está ficando sem controle". É verdade. Mas não nego que acho razoável da minha parte o cara, com a mão a centímetros do meu rosto, me pedir que o cumprimente, e eu apenas:

-You need to stop talking.

© 2008-2014 wando joe [ from joe ]