Tanta coisa nova me cerca, por tanta coisa tenho passado, tanto assunto. Viver longe de tudo que conheço, o novo contexto, um alguém especial do meu lado... Esta fase tem potencial pra ser a de mais relatos e inspirações. Mas, tem sempre um mas. Eu não escrevo nem blogo mais, porque não tenho o que
contar. Eu me esforço, me espremo, me perco em mil rascunhos avulsos e paralelos,
porque quero contar, mas não sei o quê. Eu quero perpendicularizar as ideias e soltar as palavras, mas nada me ocorre.
Ano que vem eu terei outra vez recursos e motivo. Uma nova chance, maior.
Eu me pergunto se seria capaz de conceber estórias que não imprimam essencialmente características minhas, mas aspectos inventados, parcialmente alheios ao eu criador.
Sandra Lee Paterson me disse que um roteirista escreve sobre aquilo que conhece, e expressa em seus personagens muitas de suas próprias qualidades. Instintivamente, eu emprestei aos três personagens que criei nas minhas duas histórias inúmeros atributos da minha própria personalidade, pensamentos, gestos e diálogos. Mas imagino que o próposito seria fazer uso desses para gerar um ser diferente. Nova criatura? Eu sei que consigo empregar qualidades distintas além das minhas, mas temo que no fim todos eles soem como diferentes faces de mim. Ou haveria vantagem em contar a mesma história do cara esquisito, insocial e inseguro que segue em busca de uma realização significante, de um sentido pra vida e de se sentir parte de algo?
O desafio não era apenas criar do zero uma animação em 3D: modelar, colorir/texturizar, iluminar, preparar câmera, animar, renderizar e editar - sem experiência alguma com os recursos do programa.
O desafio era também a ideia. Pensar na estória levou um esforço mental equivalente ao das longas horas investidas na execução; uma estória que fosse curta, porém de efeito - com início, meio e fim, com sentido e apelo.
Por fim, criei. Meu triunfo, acredito, foi conseguir contar uma estória leve e ingênua, em concordância com seu formato, mas que carrega uma moral em sua mensagem.
You appeared unexpectedly,
brought an instant smile to my face;
before I could think of any action
I ran to you and opened my arms,
ready to fit in your embrace.
Your sudden presence and your kiss,
it was all I could long for.
Nesta bonita campanha holandesa do site Iedereen is anders, grupo de apoio a jovens LGBT, a mensagem é que todos somos diferentes, e é bom que seja assim. E que, em nossas diferenças, temos o poder de nos agrupar àqueles que nos aceitem. A graça está em persistir procurando.