quinta-feira, 13 de julho de 2017

Ah, férias!

Não pensei que fosse sentir falta de um break tão rápido, mas cá estamos. Curtindo muito estar de férias por três semanas – recesso escolar, todo mundo ganha. Menos quem é horista, no caso, mas a gente ganha em paz mental, o que já é de todo um certo lucro.


Amanhã chego a Florianópolis! Por anos tive um enorme interesse em conhecer o Sul, e depois de quatro dias maravilhosos que passei em Porto Alegre em maio na companhia do meu querido amigo Sílvio, que veio de Sydney passar férias no Brasil, e com a participação muito especial do maravilhoso e saudoso Tiozinho da Foto, Rodrigo, agora retorno à região para um novo passeio, desta vez acompanhado apenas por minhas loucuras. Aliás, viajar sozinho tem enormes vantagens, porém confesso estar apreensivo de sair sozinho – na noite, eu quero dizer. De dia é fácil explorar a cidade sozinho, é gostoso. De dia você é ninguém mais que um passante. É à noite que tudo se transforma, na noite sempre há destaque, os olhos estão atentos.

Depois de uma semana em Floripa, chego a SP para dar um beijo nos meus amigos amados. E curtir Sampa no frio, que eu sou fã. Quem sabe neste ínterim eu reavalio umas coisas e me encontro. Estou precisando.

domingo, 21 de maio de 2017

#loveislove: OVERRATED

Finalizando esta semana de combate à homofobia e transfobia, minha última dica é meu próprio curta-metragem, escrito em 2013, produzido em 2014 e lançado em 2015 – um longo trajeto que levou muito trabalho voluntário de gente promissora, zero verba, mas muito zelo e paciência.

Em OVERRATED eu conto a estória do Benin, um rapaz introspectivo e inseguro, mas com muito a oferecer ao mundo e àqueles à sua volta; no pedaço de vida retratado em 23 minutos, ele se depara com uma cadeia de infortúnios que parecem conspirar para derrubá-lo e afundá-lo de vez no buraco negro em que sua mente frágil se encontra. Mas a maior mensagem do filme reside em relutar está em se prender ao que ainda lhe traga luz quando tudo for trevas e se reerguer, e em reconhecer o valor das adversidades – e das amizades. Você não está só!

Eu roteirizei, produzi e dirigi o curta na Austrália. Foi minha primeira obra recém-saído da escola de Filme & TV e, acima de tudo, um projeto com enorme significância pra mim, por retratar um estágio importante da minha experiência morando fora e sozinho, e servir como um escape fundamental num período em que, preso num espaço mental obscuro, não podia me expressar de outra forma. Terei sempre grande carinho por esta obra, mesmo ciente de sua simplicidade técnica e narrativa.

O curta esteve trancado enquanto eu tentava festivais, mas agora está oficialmente liberado no meu canal no Vimeo com legendas, além de clips de making of e cenas cortadas, entre outros trabalhos. Fique à vontade para compartilhar o link e dê a sua nota ao filme no IMDb.

Abaixo o trailer, e para assistir ao filme completo, CLIQUE AQUI.


sábado, 20 de maio de 2017

#loveislove: BARRACUDA

Descrita como "uma comovente estória sobre identidade, obsessão, desejo, as alturas vertiginosas do sucesso e o aterrorizante risco de fracasso", Barracuda conta, em um arco conciso, a trajetória do jovem Danny Kelly em busca do sonho de ser o maior nadador do mundo.

Vindo de uma família de imigrantes de classe média, Danny ingressa em uma escola de elite em Melbourne como bolsista, para integrar o treinamento de natação da instituição. Seu primeiro desafio é superar o preconceito quanto às suas origens e conquistar o respeito do seu time. Ao longo dos anos 1996-2000, torcemos por um garoto obstinado que tropeça em sua própria obsessão com o sucesso. Vencer é tudo, mas antes Danny terá de aprender a vencer a si mesmo. À medida que se aproxima do seu objetivo de representar a Austrália nas Olimpíadas de Sydney em 2000, ele enfrenta uma barreira de obstáculos fora d'água ao explorar sua sexualidade – no desenvolver de uma paixão asfixinte por um colega de time, que lhe causa um descompasso–, e manejar suas relações e impulsos adolescentes com um objetivo claro em mente: a vitória. Há muito que aprender nesta jornada tão impulsiva e veemente.

A minisséria, contada em quatro episódios de 1 hora, é baseada no livro do romancista Christos Tsiolkas e foi produzida pela NBCUniversal com o canal australiano ABC, e então adquirida pela BBC Three, que acreditou que o programa se enquadra nos moldes de produção do canal, por ser um drama complexo e emocional, lindamente executado, e com uma trama rica que aborda temas pertinentes ao público jovem. De fato, é uma produção delicada e distinta, um lindo exemplo do potencial produtivo da tevê australiana e uma bela dica de conteúdo.

Por enquanto, Barracuda infelizmente não está disponível em plataformas de streaming. Interessados terão de recorrer a fontes alternativas.



sexta-feira, 19 de maio de 2017

#loveislove: COMING IN

Sair do armário é tema comum em produções de temática LGBTI, mas poucas exploram a hipótese de entrar no armário – e com tanta destreza. Com essa premissa, Coming in te faz refletir sem ter que pensar demais. A websérie é uma opção descontraída e simpática na programação online do canal canadense CBC Comedy.

O projeto é de autoria do casal Graydon Sheppard e Kyle Humphrey, criadores da deliciosa porém curta série Shit girls say, sucesso no YouTube em 2011-2012 – saudades! Em Coming in, a dupla viu a chance de trazer uma abordagem curiosa ao típico personagem gay, com boas doses do humor sagaz característico de seus textos. Na trama, Mitchell (Dylan Archambault), recém-casado com seu parceiro, um dia acorda heterossexual e precisa lidar com a mudança involuntária. Cada episódio retrata um estágio da sua revelação inversa, e a série brinca com estereótipos ao apresentar um protagonista que mantém os traços de personalidade que o definem gay, mesmo que agora ele goste de mulheres. A temporada tem apenas 11 episódios, que levam em média 3 a 5 minutos, e está disponível no YouTube. Abaixo a playlist completa:



quinta-feira, 18 de maio de 2017

#loveislove: PLEASE LIKE ME

Please like me é a criação acertada do humorista Josh Thomas, um guri de Melbourne que ganhou o mundo com seu humor refinado e sem quaisquer ressalvas, ainda que tratando de assuntos sérios como depressão e outros transtornos mentais, além de tantos problemas rotineiros que definem a experiência de ser um jovem adulto.

Admiro muito em Please like me os diálogos descolados e naturais, a ponto de parecerem não-roteirizados, e a mescla de humores que entrepassa dramas tão pesados. O talento do Josh para a comédia começou a ganhar atenção com espetáculos de stand-up comedy em clubes de Melbourne e depois em turnês pela Austrália. Eu cheguei a comprar um DVD de uma apresentação ao vivo dele e, juro, quando assisti eu ri em níveis que poucas vezes alcancei na vida.

Esta é uma série certeira e maestral em retratar as incertezas e dificuldades da juventude: socialização, relações familiares e independência, tratando da sexualidade de uma forma muito evoluída e genuína, mas sem tornar o assunto o centro temático da história.



Quando a primeira temporada estreou pelo canal australiano ABC, eu estava morando em Sydney e me identifiquei de imediato. Na época, me serviu como inspiração para escrever meu próprio material, e me lembrava um pouco o espírito de Girls. Rapidamente a série ganhou espaço fora da Austrália, e o canal americano Pivot encomendou a segunda temporada. Hoje, a série já concluiu quatro temporadas, todas disponíveis por lá pelo serviço Hulu. É uma produção primorosa, com ótima direção e fotografia e você vai querer viver neste mundo de cores pastéis, comidinhas sofisticadas e personagens malucos e apaixonantes.

No Brasil, todos os episódios estão disponíveis na Netflix e é do tipo que precisa ir direto pra sua lista. É série pra ver e guardar. E rever.

Convença-se por fim com este clip de cenas das quatro temporadas:


quarta-feira, 17 de maio de 2017

#loveislove: THE OUTS

Dezessete de maio é o Dia Internacional de Combate à Homofobia e à Transfobia, que no caso é hoje. Eu particularmente já não sei se me resta qualquer esperança, mas acredito na validade da luta como todo.

Da minha parte, prefiro celebrar a diversidade por meio da arte, como de costume. Assim, vou recomedar durante esta semana algumas produções temáticas, indies ou não, que me agradaram por sua qualidade de conteúdo e por me fazerem rir – e às vezes chorar, mas principalmente rir.

Começarei com THE OUTS, web série criada em 2012 pelo Adam Goldman, que também estrela no papel principal de Mitchell, um cara frustrado com o término do seu relacionamento com o charmosinho Jack. A série é uma espécie de dramédia romântica com um humor sutil e inteligente e sacadas espertas sobre amadurecer diante dos problemas da vida adulta. Faz muito meu tipo e foi grande inspiração na época de pré-produção do meu curta, principalmente pelo formato.

The Outs tem seus sete episódios disponíveis no Vimeo e, depois de conseguir fundos, partiu para a produção da segunda temporada, que estreou no ano passado – esta em oferta na plataforma para locação ou compra. Eu digo que vale a pena assistir.

A primeira temporada completa, com opções de legendas, você pode assistir de graça na página oficial da série. Aqui abaixo o piloto:

terça-feira, 2 de maio de 2017

L.O.S.T. - Rihanna


Já vai mais de um ano do lançamento do Anti, último disco da Rihanna, e ainda escuto o álbum com rotina. Tá sempre nas minhas listas, do caminho pro trabalho, do treino da academia, da hora do banho. Desde as primeiras audições, Love on the brain me pegou como preferida. Eu adoro as rendições ao vivo da faixa, e ainda espero por um video clip, que ela merece. Mas foi esse vídeo, que eu achei um tempo atrás, que expediu novas fagulhas. A arte na coreografia de Galen Hooks deixou a canção ainda mais apaixonante.



Pra ouvir mais Love on the brain na íntegra:


segunda-feira, 1 de maio de 2017

Não deixe pra amanhã, faça AGORA!



Em homenagem à minha querida e eternamente saudosa amiga (e maior fã de Madonna que jamais haverá), esta mensagem da Rainha, do show ao qual fomos juntos em 2008.


E aqui um registro da última vez em que nos vimos, em 20 de agosto passado, numa noite em que dançamos e sorrimos e beijamos e fomos felizes. E é assim que pra sempre me lembrarei dela.

Feliz Aniversário, Angel!


sábado, 22 de abril de 2017

DADDYROMCOM

Desde o início da pré-adolescência, que eu me lembre, eu sempre fui aficcionado por comédias românticas, não sendo apenas um gênero que puramente me entretém, mas ainda um dos que me mais me permitem imergir na ficção da narrativa e sonhar, quase transcender. Filmes como "O casamento do meu melhor amigo" e "Amores Possíveis" são preferidos até hoje, e ultimamente tenho voltado a mergulhar nas águas do gênero, principalmente ao explorar mais do fascinante universo dos musicais da Era Dourada do cinema. Há tanta produção boa feita naquela época, e quando por fim abri meus olhos e pude vislumbrar o mundo de Gene Kelly, minhas definições de fascínio foram atualizadas. Mas isso é assunto pra outra hora.

Com o evoluir dos anos adolescentes, comecei a ter acesso a comédias românticas de temática gay, o que, de repente, trouxe a experiência de imersão para mais próximo. Era a mesma sensação, porém agora mais intrínseca. Meu apreço por rom-coms tomou um rumo adicional, e era sempre um prazer encontrar um filme gay que valesse a pena pela estória, e não apenas por ver dois caras bonitos se beijando.


E hoje, aos 30 anos, eu me pego empolgado ao ver o novo teaser da série DADDYHUNT. A websérie é produzida pelo app de pegação relacionamentos homônimo, e é na minha opinião uma forma charmosa e bem pensada de divulgar os serviços do aplicativo. Se você abrir a sua loja de apps e buscar pela palavra "gay", você se depara com uma lista quase sem fim de opcões equivalentes, mas o Daddyhunt ao menos soube se sobresair com esta tática de divulgação. A série foi lançada em seu canal no YouTube no ano passado, e teve um retorno tão bacana que possiblitou que uma segunda fase fosse encomendada.



Eu fiquei meio obcecado com esses mini episódios quando descobri os videos sem querer, e já assisti dúzias de vezes. Tem algo nessas estórias que traz um calorzinho na alma, é adorável e eu gosto muito. Claro, minha obsessão se deve em parte aos atores BJ Gruber e o daddy Jim Newman, que estão cativantes na série, o que apenas se corrobora com esta delícia de teaser divulgado esta semana.



O BJ Gruber também estrela a divertida The Queens Project, outra websérie gay no YT que vale a pena ver. Já a segunda temporada de DADDYHUNT estreia nesta segunda, 24, e eu estou ansioso!

domingo, 9 de abril de 2017

༾ Angel ༿


Autour de moi • Ao meu redor
Je ne vois pas • não posso ver
Qui sont des anges • quem são os anjos
Sûrement pas moi • certamente, não eu
Encore une fois • Mais uma vez,
Je suis cassée • estou quebrado
Encore une fois • Mais uma vez,
Je ne crois pas • creio que não.

Ao final do ano passado, decidi abandonar o facebook porque ali me expunha demais a fatos, notícias da realidade; havia resolvido abandonar a vida real, porque só se reporta coisa ruim. Desde então, consumo apenas histórias de ficção – as reais são trágicas demais.

Pois nesta madrugada de quinta para sexta entrei no site para procurar uma página que estaria armazenada na seção de links salvos. No mural, uma postagem logo me tomou a atenção. Uma foto da minha querida amiga Angel, abraçada com um rapaz, e uma mensagem que indicava a morte dele. Mas uma cruzada de olhares me fez entender que o post se originara da conta do garoto. A mensagem era dele. Dela era a morte.

Fui dormir incrédulo. Na sexta, depois de muito tempo me lembrei de uma coisa que no cinema sempre me deixava meio sem entender: quando, diante da morte de alguém querido, um personagem reage de forma estática, sem desespero imediato ou choro compulsivo, ele apenas fica ali, atônito, processando a passagem do ente como fosse uma operação matemática, ou um daqueles exercícios de lógica. Sim, esse era eu, na sexta, tentando resolver um problema de lógica que não me apresentava outra solução, tampouco qualquer lógica. Como poderia ela ter morrido? Ela? Tão nova, tão contagiante; um farol de alegria. E agora eu deveria aceitar que a luz se foi? Fui tomado por uma enchurrada de lembranças, e a ficha foi caindo, junto com as lágrimas.

Lembra como ela viu algo de especial em mim e, estrategicamente, foi se aproximando, atrás da minha confiança e amizade?
Lembra quando uma vez ela me disse que eu não deveria esconder o brilho dos meus olhos por trás de lentes de contato, pois sem o brilho nos olhos parecemos não ter vida, como dizia sua avó?
Lembra quando ela passou a me levar aos seus ensaios de teatro e me ajudou a me entrosar, sem forçar, porque eu era tímido e precisava de alguém que me fizesse sentir à vontade?
Lembra quando ela me aconselhou a não fazer aquela tatuagem aos dezesseis, porque eu poderia me arrepender – e ela estava certa, eu teria me arrependido –?
Lembra das tantas vezes em que ela, sem parecer, me ensinou a importância de se sentir bem com quem você é, e se importar menos com a opinião e os olhares tortos de outros?
Lembra que a gente se encontrava com um abraço forte e um selinho?

Ela era muito querida por seus milhares de alunos – vê se pelos depoimentos saudosos agora acumulando em seu mural. Ela foi minha professora, como de todos eles, mas além disso ela se tornou minha amiga próxima, me levou pra sair, me ensinou a tentar ser feliz, a aceitar minha sexualidade, a me soltar e deixar rolar. Ela me ensinou que é normal ser normal. E eu me sentia à vontade ao lado dela como me sinto com poucos, bem poucos. Ela era apaixonada por arte, mas acima disso, pela influência da arte na vida humana. Isso transparecia a todos que a conheciam. Era de muito boa energia. Sua marca registrada era sua gargalhada, alta, farta, frisante, deliciosa. Como eu disse, ela era de todo contagiante. 


A minha dor está, em parte, em saber que eu não posso mais falar com ela, rir com ela, me perder em um abraço dela; que, desde que voltei a Brasília, só nos vimos três vezes, por maldita falta de tempo. Na última vez que nos vimos, eu comentei com ela que havia encontrado um video que eu fiz dela nos tempos de colégio, quando ainda era minha professora, em 2003. Em sala de aula, ela deixou escapar que havia aprendido um pouco de dança do ventre e, ao pedido em coro da turma, teve de dar uma pequena amostra. Ela não acreditou que eu ainda tinha o vídeo e me pediu que enviasse a ela. Meses depois, encontrei o video e deixei separado no computador. Um dia, quando ia tentar mandar o arquivo, pensei: ah, mas o aniversário dela está chegando, agora em maio... vou esperar para enviar de surpresa na data, melhor assim.

video

Mas maio não vai chegar para ela. Ela nunca mais verá o video. E eu nunca mais vou ouvir aquela gargalhada, senão em lembrança. Ao menos, sim, em lembrança, sempre ouvirei.

Adeus, minha gostosa! Você estará comigo toda vez que eu dançar!


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