quarta-feira, 22 de abril de 2015

Penny

Sonho é mesmo um dos eventos mais fascinantes que nos podem ocorrer. Não há como explicar as voltas e os meios e os frutos de um sonho, tudo vai muito além da nossa própria pessoa. O subconsciente é uma coisinha deveras espetacular. No meu sono dessa última noite, estrelei vividamente um sonho que eu mais comumente sonho acordado:

Sonhei que era um ser social bem desenvolvido.

No sonho, eu era namorado do Penn Badgley. Estava na casa dele, com sua família reunida – duas irmãs mais velhas, um irmão caçula e os pais. Ele no sofá com as irmãs e seus devidos companheiros, e eu sentado à sua frente, no carpete, entrelaçado em suas pernas. O irmão, que apresentava alguma coisa num projetor, me chamou a atenção quando me pegou rindo com os sogros de algo engraçado que eu dissera.

Não sei explicar toda a dimensão do meu estranhamento, mas o eu do sonho não era eu, e sim exatamente o eu que eu quero ser. Ele tinha um desprendimento de si, uma detreza em se enquadrar no meio; ele era como parte daquela família, todos lhe gostavam e com todos ele se dava. Sua desenvoltura lhe era inata, espontânea. Ele se sentia confortável em sua própria pele – sem bloqueios, sem engasgos, sem acanhamentos. Era leve! Era lindo!

Depois de jogar conversa fora com suas irmãs, fui até o seu quarto à sua procura, chamando: Penny?! Ele disse que já sairia, então fui até a cozinha, onde encontrei a Beyoncé. Com naturalidade, me apresentei – Hi, I'm Joe – e, bem à vontade, engagei um assunto ou dois. Ríamos.


Acordei confuso, porém apaixonado por aquele eu. E pelo Penny.

sexta-feira, 17 de abril de 2015

COOLetânea - shuffriday

Mais uma playlist escolhida a dedo pelo shuffle para embalar os altos e baixos desta sexta-feira de dezessete de abril. Eita, dá o play bonito.


terça-feira, 14 de abril de 2015

Liga

Pequena amostra da música do meu curta – composição original criada pelo sensacional Matt Toms – incluindo prévia de cenas do filme:

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Eu sou especial

Eu sempre fui inseguro. Tantas histórias, da minha infância até aqui, poderiam ilustrar essa afirmação! Claro, com o chegar dos anos adultos, eu venho tentando remediar o caso, mas não é fácil, nunca, nunca foi.

Surgiu uma oportunidade na semana passada, dessas por qual a gente arrisca, mesmo com todos os receios. Como parece que eu não consigo, pelo amor de mim mesmo, acreditar em mim o suficiente para ir adiante, me peguei no chuveiro pensando que eu deveria, pois então, me esforçar em largar da insegurança. Assim, eu poderia exercitar o desapego – deus sabe que eu preciso –, além de partir em busca de maior aceitação do meu potencial.

É uma linha tênue, a diferença é sutil: já que não me ocorre de saber como me dar o devido crédito, eu vou é tentar não desacreditar, não desdenhar; um passo por vez. Quem sabe isso me impulsione a ser seguro de mim. Quem sabe eu tome ciência holística do meu valor.

 
If you don't take a chance, you'll never know what's in store
Just do you (somebody's got to be a star)

terça-feira, 24 de março de 2015

Eletroencefalograma

Na salinha estreita, a mocinha me pede que deite na maca e passa a me aplicar eletrodos pela extensão do couro cabeludo. Já conectado, ela me instrui que feche os olhos e não me mexa, e em seguida apaga a luz. Como um raio, minha mente, emancipada de mim, dispara a projetar pensamentos costurados de retalhos de memórias do meu professor, mas aqui tecendo novas tramas. Eu, sem entender a providência de tais impulsos – seria efeito dos eletrodos? – apenas cedi; deixei que a mente seguisse autônoma. Aquela nova narrativa ia surgindo na tela da minha imaginação como uma versão contemporânea das estórias que eu criava nos meus anos de moleque, embriagado de desejos adolescentes pelo professor – meu storytelling era limitado, mas meu seriado imaginário me permitia amá-lo e ser amado em retorno, realmente me enchia.

Agora aqui, na salinha escura, retomo a série com um reencontro 15 anos depois, como minha mente decidiu proceder – nem sei se posso, mas ela sequer me consultou a respeito, pos-se a tricotar cenas e diálogos atrás dos meus olhos fechados. E eu sorri, porque a gente nunca fica velho demais pra sonhar. Penso em começar um roteirozinho.

domingo, 15 de março de 2015

Aussie Aussie Aussie

Exatamente um ano atrás eu embarquei num avião em Sydney, de volta para casa. Desde então, não há um diaem que eu não sinta saudade daquela cidade. Uma das coisas que bem me faz falta aos olhos é o objeto das fotografias do incrível Paul Freeman: o homem australiano.


Fotos chupadas do Instagram do Paul Freeman

quarta-feira, 11 de março de 2015

Do!

Um dos aplicativos de mais uso no meu celular é o Do!, em que se organiza uma listagem de afazeres. Quando completado, você retorna à lista e risca o item com aquela satisfação de dever cumprido. É bem útil pra gente de memória lesada. Entre tarefas cotidianas, acrescentei à minha to-do list um item de valor mais subjetivo e de longo prazo; esse eu não risquei ainda, que é gradual e quero sempre lembrar o seu apelo:

- Livre-se das pessoas que te fazem mal.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

eu sei lá

Nunca entendi por que começo a ficar agoniado pra voltar pra casa ao final das minhas viagens. Fico brigando comigo mesmo, querendo aproveitar o resto da minha estadia fora. E desta vez sequer quero embarcar; entendo menos ainda. Queria afundar na minha cama ao invés de ir pro aeroporto daqui a duas horas? Mas está marcado, eu preciso desta viagem, e eu vou. Tô calibrando na vodka desde já. Me recuso a não ir, a não estar nessa viagem. Com bagagem ou sem.

I'll drink myself away from home, and away from home I shall remain.
São Paulo, já já chego. Trazendo chuva, como sempre. Beijo.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Eu não sei,

a gente acha que, se um dia largar tudo e for pra outro lugar, as coisas podem mudar, então a gente larga tudo e vai. Substancialmente, não há muita mudança, uma hora a gente se dá por vencido e volta para casa, na esperança de que tudo se restaure ao normal e fique bem. Mas nada nunca foi normal, o tudo bem é imaginário. O que está errado não se desfaz ou se abandona num lugar; porque você é parte do problema, e, no seu deslocar, ele viaja junto. Mas é que a gente é ingênuo, você e eu. A gente ainda não aprendeu a ser adulto. Tampouco aprendeu caminho algum. Nem o nome daquela rua no trajeto de rotina, nem o rumo que leve aonde os problemas, enfim, não sigam mais.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Milagre



Há muito que se aprender com gente de ficção. Todo mundo tem disso, de assistir a um filme ou série e aprender um mundo e meio com os alheios do contexto 'irreal'. Numa fase escura – porém promissora – de 2013, me foi dada a tarefa de escrever e produzir uma ficção, e assim tive a chance de projetar um personagem tão vulnerável quanto eu, mas capaz de tomar decisões que eu, naquele tempo, não conseguia tomar.

O cara que eu fiz questão de criar no papel e na tela para salvar a mim mesmo tem suas fraquezas, mas a sua ruptura de comportamento e seu arco de crescimento eram o que eu almejava. Assistindo à minha criatura enfrentar aquilo que o assusta e o fere, eu pude aprender a fazer igual, quando foi a hora. Eu investi no personagem para ter em quem me inspirar. Hoje já não sei dizer quem foi inspiração a quem.

Sei que já assisti ao corte inúmeras vezes, mas espero ansioso pela versão final, pronta. Meu professor de Edição uma vez disse que terminar um filme é um milagre. Parece ser mesmo. E claro, vou ter muito orgulho de ter feito um filme; mas meu maior orgulho é o Benin.

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