terça-feira, 24 de março de 2015

Eletroencefalograma

Na salinha estreita, a mocinha me pede que deite na maca e passa a me aplicar eletrodos pela extensão do couro cabeludo. Já conectado, ela me instrui que feche os olhos e não me mexa, e em seguida apaga a luz. Como um raio, minha mente, emancipada de mim, dispara a projetar pensamentos costurados de retalhos de memórias do meu professor, mas aqui tecendo novas tramas. Eu, sem entender a providência de tais impulsos – seria efeito dos eletrodos? – apenas cedi; deixei que a mente seguisse autônoma. Aquela nova narrativa ia surgindo na tela da minha imaginação como uma versão contemporânea das estórias que eu criava nos meus anos de moleque, embriagado de desejos adolescentes pelo professor – meu storytelling era limitado, mas meu seriado imaginário me permitia amá-lo e ser amado em retorno, realmente me enchia.

Agora aqui, na salinha escura, retomo a série com um reencontro 15 anos depois, como minha mente decidiu proceder – nem sei se posso, mas ela sequer me consultou a respeito, pos-se a tricotar cenas e diálogos atrás dos meus olhos fechados. E eu sorri, porque a gente nunca fica velho demais pra sonhar. Penso em começar um roteirozinho.

domingo, 15 de março de 2015

Aussie Aussie Aussie

Exatamente um ano atrás eu embarquei num avião em Sydney, de volta para casa. Desde então, não há um diaem que eu não sinta saudade daquela cidade. Uma das coisas que bem me faz falta aos olhos é o objeto das fotografias do incrível Paul Freeman: o homem australiano.


Fotos chupadas do Instagram do Paul Freeman

quarta-feira, 11 de março de 2015

Do!

Um dos aplicativos de mais uso no meu celular é o Do!, em que se organiza uma listagem de afazeres. Quando completado, você retorna à lista e risca o item com aquela satisfação de dever cumprido. É bem útil pra gente de memória lesada. Entre tarefas cotidianas, acrescentei à minha to-do list um item de valor mais subjetivo e de longo prazo; esse eu não risquei ainda, que é gradual e quero sempre lembrar o seu apelo:

- Livre-se das pessoas que te fazem mal.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

eu sei lá

Nunca entendi por que começo a ficar agoniado pra voltar pra casa ao final das minhas viagens. Fico brigando comigo mesmo, querendo aproveitar o resto da minha estadia fora. E desta vez sequer quero embarcar; entendo menos ainda. Queria afundar na minha cama ao invés de ir pro aeroporto daqui a duas horas? Mas está marcado, eu preciso desta viagem, e eu vou. Tô calibrando na vodka desde já. Me recuso a não ir, a não estar nessa viagem. Com bagagem ou sem.

I'll drink myself away from home, and away from home I shall remain.
São Paulo, já já chego. Trazendo chuva, como sempre. Beijo.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Eu não sei,

a gente acha que, se um dia largar tudo e for pra outro lugar, as coisas podem mudar, então a gente larga tudo e vai. Substancialmente, não há muita mudança, uma hora a gente se dá por vencido e volta para casa, na esperança de que tudo se restaure ao normal e fique bem. Mas nada nunca foi normal, o tudo bem é imaginário. O que está errado não se desfaz ou se abandona num lugar; porque você é parte do problema, e, no seu deslocar, ele viaja junto. Mas é que a gente é ingênuo, você e eu. A gente ainda não aprendeu a ser adulto. Tampouco aprendeu caminho algum. Nem o nome daquela rua no trajeto de rotina, nem o rumo que leve aonde os problemas, enfim, não sigam mais.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Milagre



Há muito que se aprender com gente de ficção. Todo mundo tem disso, de assistir a um filme ou série e aprender um mundo e meio com os alheios do contexto 'irreal'. Numa fase escura – porém promissora – de 2013, me foi dada a tarefa de escrever e produzir uma ficção, e assim tive a chance de projetar um personagem tão vulnerável quanto eu, mas capaz de tomar decisões que eu, naquele tempo, não conseguia tomar.

O cara que eu fiz questão de criar no papel e na tela para salvar a mim mesmo tem suas fraquezas, mas a sua ruptura de comportamento e seu arco de crescimento eram o que eu almejava. Assistindo à minha criatura enfrentar aquilo que o assusta e o fere, eu pude aprender a fazer igual, quando foi a hora. Eu investi no personagem para ter em quem me inspirar. Hoje já não sei dizer quem foi inspiração a quem.

Sei que já assisti ao corte inúmeras vezes, mas espero ansioso pela versão final, pronta. Meu professor de Edição uma vez disse que terminar um filme é um milagre. Parece ser mesmo. E claro, vou ter muito orgulho de ter feito um filme; mas meu maior orgulho é o Benin.

Pára a bola!

Katy Perry fez bonito no half time do Super Bowl no domingo, o mundo inteiro viu. Sílvio Santos adorou e já chamou a bonita pro SBT. Vem aí:



Não resisti :)

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

"the past is just a story we tell ourselves"



- Semana passada, você me magoou com algo que disse: que eu não sei como é perder algo. E eu me vi...
- Ah, desculpe por ter dito isso.
- Não, tudo bem. É que... eu me peguei pensando nisso sem parar. E então eu percebi que estava apenas recordando disso como algo que havia de errado em mim. Essa era a história que eu estava me contando—que eu era, de alguma forma, inferior. Não é interessante? O passado é só uma história que contamos a nós mesmos.

domingo, 25 de janeiro de 2015

"I don't think you'd feel so alone anymore"



- Eu consigo sentir o medo que você carrega consigo e eu queria que houvesse... algo que eu pudesse fazer pra te ajudar a abrir mão dele, porque se você o fizesse, acho que não se sentiria mais tão sozinho.
- Você é linda.
- Obrigada, Theodore.

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