sábado, 11 de outubro de 2014

Mr. Flamhaff

Como já dei a dica, o meu curta é uma extensão do [ from joe ], e o personagem principal é o Benin, bem como aqui no blog. Você que lê este post e me acompanha pode se gabar pros amigos de que 'leu o livro blog antes de ver o filme', se você é desses. E eles vão responder "Quê?".

Se você alguma vez se queixou de nunca ver esste tal de Benin por aqui, sinto muito. O que eu posso fazer por você, em nome desses anos de companhia, é adiantar o rosto do cara que encarnou o Benin na tela. O escolhido para representar o personagem que há anos existe nesta blogosfera. Direto dos bastidores, apresento-lhe o Benin Flamhaff:


Natural de Perth, Western Australia, ele se chama Griffin Avis-Foster. Para começar sua carreira, o Griffin se mudou para Sydney em busca de oportunidades: trabalha como modelo e faz curso de Atuação. Na época de escalar o ator para o papel principal, tinha mente alguém que fosse bonito, mas com cara de gente normal. Alguém que pudesse parecer uma pessoa com a cabeça bagunçada e agradar aos olhos ao mesmo tempo. No set de OVERRATED, ele se esforçou para entender a profundidade do personagem, a fim de retratar um Benin crível, sempre arrumando tempo para ser simpático, falar bobagens e trocar de roupa na frente da equipe. Tomei a liberdade de roubar algumas fotos do instagram do bonito, a título de ilustração. Depois me diz se gosta. XX





sexta-feira, 10 de outubro de 2014

"let's do it"


Let's fall in love, um curta que eu vi hoje e adorei pelo tema, e ainda pela linguagem, universal. Não há diálogo, só música. O resto é o arco.

Engraçado me imaginar numa situação parecida quando eu tinha essa idade. Claro, naquela época eu estava limitado a sonhar com qualquer coisa assim, mas eram sonhos que abarrotavam minha cabeça. No entanto, ainda me colocando na pele do garoto, é fácil entender o receio dele de deixar à mostra o afeto pelo outro... nessa idade, a gente sofre por não entender quando passa a enfrentar um mundo do desconhecido, justamente quando acreditava já saber da vida.

O mais legal é a intuição que leva a gente a correr riscos e desbravar esse desconhecido. Assim, a gente vê que algumas coisas não assustam tanto quanto à primeira vista. É bom saber preservar um pouco dessa coragem quase prepotente da adolescência para os anos que seguem. Porque quando a gente cresce, vai percebendo que a vida é só essa merdinha aqui, e certas coisas a gente tem que apenas ir lá e fazer como quiser, doa a quem doer - se é mesmo que dói.

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

tchau, clic

Eu devia grafitar este conselho na parede do meu quarto, ou tatuar num lugar visível. Pra ver se eu lembro. Pra ver se eu não esqueço.

Você precisa parar de forçar relacionamentos. Se uma pessoa não quer te quer, apenas mande um "De boa, até nunca, tchau".

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

L.O.S.T. - Broods


Bom é arte que faz a gente se conectar consigo e investir inúmerasinapses em reflexão, porque rola uma identificação com o que se consome. Por acaso, um dia desses, descobri o BROODS, uma dupla da Nova Zelândia cuja obra tem reforçado a razão do meu amor por música. O apreço ao som deles foi imediato; é que o duo compõe melodias que me fazem querer deitar no chão como se não houvesse mundo que valesse qualquer desassossego, e letras que entrepassam cada canção com a maestria de uma obra prima. Não paro de escutar.

Never gonna change me pegou como boa surpresa. A faixa trata do término de uma relação que insiste em manter laços, daqueles com pontas soltas desfiadas - embora o tema não seja novo, foi a poesia da letra que me arrematou. E a narrativa do video é encantadora: um casal tenta se recompor do rompimento e seguir adiante, mas ambos ruem, literalmente se afogando numa relação que acaba por trazer um de volta para o outro e revela a conclusão conformista do título, de que nada nunca vai mudar. Com 1 minuto de clip, eu já tava chorando feio.



Para ouvir na íntegra o disco recém-lançado do BROODS, Evergreen:



terça-feira, 7 de outubro de 2014

Na realidade,

Reality TV é o tipo de produção roteirizada que menos me chama a atenção, mas ainda assim há alguns programas que eu assisto com uma leve obsessão: Project Runway, Face Off e RuPaul's Drag Race - todos eles, shows de disputa de talentos. Só assim pra acompanhar reality tv.

Durante as entrevistas com os competidores, que entremeiam as etapas da competição e tornam o episódio mais intrigante, tem um tipo de comentário padrão que eu sigo tentando assimilar, mas sem sucesso: é naqueles momentos de desespero, diante de uma possível eliminação, que eles expressam o desejo de trazer orgulho às suas famílias e dizem coisas como "estou aqui pela minha mulher e meu filho que vem aí" ou "eu só quero deixar minha mãe orgulhosa de mim"... Sei lá, na boa.

Vários anos atrás, muito antes que eu tivesse a mais vaga ideia do que eu queria da minha vida, eu sabia de uma coisa, que já havia confessado a mim mesmo: eu queria sentir orgulho de mim. Era o meu sonho, antes de saber o que uma carreira significaria no contexto real. Daí eu vejo essa galera querendo trazer orgulho pra família, até me identifico com a intenção, mas quando me imagino no lugar de um deles, o meu medo da eliminação teria fundamento em temer decepcionar a mim mesmo? E não sei se é egoísmo ou um traço daquele meu distanciamento que venho citando? Não sei se é o caso da pessoa já ter conquistado o orgulho próprio pela pura validez do "venci só de participar", e o instinto para permanecer na corrida passa a ser a vontade de contagiar os entes com a vitória. Sei lá, de verdade. Fosse eu, ia querer primeiro esse orgulho próprio aí. E, então, compartilhar a alegria, sim. É gostoso ter quem se orgulhe da gente. E não é que eu seja uma decepção - é que eu busco esse estado, esse sentimento de saber que sou muito bom em algo sem precisar da aprovação alheia, e ter orgulho daquilo que faço. Ta aí um sonho que não custa perseguir.

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

é o meu jeitinho (escroto)

Tenho tentado acompanhar toda a filmografia do David Fincher, um dos cineastas atuais mais inteligentes, no meu ver. Hoje assisti ao seu penúltimo filme, The girl with the dragon tattoo, e, como cinema é identificação, foi inevitável levantar o palpite de que é possível que muita gente me veja como uma versão mais branda da personagem central, Lisbeth, ríspida em seu toque interpessoal. Como descrevi em algumas cartas atrás, essa minha falta de tato escalou nos últimos três anos; mas, se me é possível advogar em meu favor, aproveito para citar o esperto Arthur Tadeu Curado e uma fala de um espetáculo seu que define a essência do meu eu-social: eu sou escroto, mas não sou ridículo. Não sei se ela me absolve, mas encerra meu caso.

Dia desses, levei uma bronca do André. Estávamos conversando, ali na praça do Museu da República, e já eram quase onze da noite; eu com o laptop aberto, pedindo a opinião dele sobre uma cena do meu filme. Chega por trás da gente um sujeito estranho com uma sacola na mão, para na minha frente, puxando assunto, e estende a mão pra eu apertar, mas eu nem. O cara fica ofendido e tenta a vez com o André, que retribui com um aperto de mão. Aí ele fica magoadíssimo comigo, improvisa um rap pro meu amigo, sem perder qualquer chance de exclamar que ninguém jamais o ofendeu como eu. Enfia a mão na sacola e puxa um CD com suas composições, gritando "eu não sou bandido, não vim roubar seu computador". Enfim, o sermão que ouvi do André ao final de tudo foi que eu arrisquei perder a vida ao discutir com um estranho doido na rua. Porque disse, em bom tom de voz, "não vou pegar na sua mão, não te conheço". Porque completei com "não te humilhei, só quero conversar com meu amigo e você está atrapalhando". Enfim, eu vejo razão no discurso de um amigo preocupado: "sua inadequação está ficando sem controle". É verdade. Mas não nego que acho razoável da minha parte o cara, com a mão a centímetros do meu rosto, me pedir que o cumprimente, e eu apenas:

-You need to stop talking.

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

"crippled dog"

Com tudo que me ocorreu nesses passados três anos morando longe e sozinho, aos poucos tomei ciência de um dos traços básicos que configuram meu problema de autoestima reduzida: o quadro crônico que eu livremente chamo de Síndrome de Forção.

Em suma, a coisa toda é um processo autodestrutivo, uma arma de sabotagem, sob influência da qual eu me enxergo como inadequado em minhas trocas sociais; basicamente, na iniciativa de fazer contato e compartilhar ideias e gostos, eu me convenço de que minha abordagem é natural, apenas para depois torpedear a mim mesmo com bombas de efeito psicológico que exclamam o quanto sou desinteressante. Em seguida, eu repreendo qualquer esforço em interagir adiante, por motivos de vergonha, insegurança e frustração. Esse efeito dura somente o bastante para o ciclo recomeçar.

Era assim que eu me sentia quando tentava conversar com os meus amigos no Brasil; a dinâmica parecia estar quebrada, e eu temia que minha falta de polpa houvesse, enfim, ficado clara à vista.

Com os escassos amigos locais, o receio era o mesmo, porém em maior escala. Diferente dos amigos já conquistados, eu agora me encontrava à deriva num cenário de interações com gentes, eu um praticamente adulto que não aprendeu a se misturar com o próximo.

Entretanto, com ele esse problema se dissipava. Era parte da mágica que fazia eu me sentir tão bem, o alívio nos ombros. Até a hora em que tudo desandou e a Síndrome de Forção me acometeu com mais substância. Cada vez que ele cuspia a clássica "não é você, sou eu", eu definhava mais, embora em parte concordasse - não era eu. Por quê?

Em minha defesa, eu nem me acho assim tão desinteressante e sem polpa - ao menos, não quando em comparação. Esse quadro, essa patologia só persiste porque a raiz disso tudo crava bem mais abaixo.


quarta-feira, 24 de setembro de 2014

"a heartbreak is like a death / love is a growing up"


Faz dois anos hoje que a gente se conheceu. Dois anos atrás, me perguntava o que eram, afinal, os acasos e as coincidências, e quem tinha controle sobre essas coisas. Estava feliz e cheio, e sequer sabia o que me encontraria à frente.

Há dois anos, eu penso nele. Isso é o que me esperava, aqui na frente.

Exata uma semana atrás, ele me surpreendeu com um e-mail seguido de Skype; queria por o papo em dia e dividir uma boa notícia. Era uma novidade excelente, que, ele sabia, iria me deixar feliz. E eu fiquei. Muito feliz por ele, mal conseguia segurar uma alegria que parecia se expandir. Daí ele desligou e eu ainda estava feliz, porém muito triste, e tentando entender a origem da dor obesa que me ocupava.

Dias atrás, vendo um video da India Arie no Java Jazz Festival, ouvi a cantora explicar a inspiração para uma das minhas músicas preferidas de sua autoria. Ela diz que, quando escreveu a letra de Good morning, havia entendido que um coração partido é como uma morte, e que um relacionamento nada mais é do que uma tomada de risco. Um risco. Mas que o amor é um crescimento, e, neste fundamento, a música delineia os estágios da dor de um coração quebrado - e do crescer que o segue.

O dia por que eu tanto esperava era ainda o que eu mais temia chegar. Mal pudia acreditar que ele ligara, e não podia acreditar que ele ligara. Porque me agarro às lembranças, quando o que eu quero é largar. Posso fechar os olhos agora e sentir seus pelos do braço trançando por entre os meus dedos, braço que eu roçava incessante, sem querer largar.

Eu queria ter uma conclusão, um lugar para chegar com isso, mas não.



sábado, 20 de setembro de 2014

[ OVERDUE ]

Eu tenho estado ausente; minhas cartas, privadas da escrita por um tempo. Embora meus textos sempre dependam de inspiração que os brote, a desculpa na manga que justifique este sumiço é o meu filho.

Eu disse meu filho? Quis dizer meu filme:

OVERRATED
Eu escrevi uma história sobre aquelas fases na vida em que tudo parece desmoronar, numa época em que tudo na minha vida parecia desmoronar. Pareceu-me apropriado usar do recurso, já que me faltava a energia para lidar com o problema de outra forma.
Daí, levei o projeto adiante e fiz um filme. O estágio atual é o da pós-produção, que parece não ter fim. Parece sequer ter meio. E este processo tem sido o meu blog pelos últimos meses. Investindo meu tempo, meu amor e suor e miolos nesta história é o meu atual escape. Acima de tudo, o filme é uma extensão deste blog, de ambos seu remetente e destinatário. É uma extensão literal, uma longa carta visual. Na história, o personagem principal é este mesmo Benin a quem escrevo há seis anos. Acredita? Seis anos completados em agosto. Tal como minhas postagens neste endereço da web, meu filme é uma ferramenta de auto-reflexão com a qual presenteio a mim mesmo - e a quem mais se juntar a mim no caminho. Eu projeto no Benin aquele eu alcançável, aquela versão de mim que pode vir a ser. E, em escrever o roteiro - como o universo escreve a vida -, deixo o personagem tomar as decisões que eu sonho em um dia tomar. Assim, nele eu me espelho.

Quem conta histórias sonha em inspirar o outro, e não sou diferente. Não ignoro que este blog tenha inspirado a outros, gente da vida real. Contudo, confesso: blog ou filme, texto ou imagem, eu quero poder inspirar a mim mesmo; como iluminado pelo amigo que busco em mim - e que, com sorte, inspiro outros a buscarem em si. Num post ou na tela.

Eu volto.

quinta-feira, 15 de maio de 2014

© 2008-2014 wando joe [ from joe ]