quarta-feira, 24 de setembro de 2014

"a heartbreak is like a death / love is a growing up"


Faz dois anos hoje que a gente se conheceu. Dois anos atrás, me perguntava o que eram, afinal, os acasos e as coincidências, e quem tinha controle sobre essas coisas. Estava feliz e cheio, e sequer sabia o que me encontraria à frente.

Há dois anos, eu penso nele. Isso é o que me esperava, aqui na frente.

Exata uma semana atrás, ele me surpreendeu com um e-mail seguido de Skype; queria por o papo em dia e dividir uma boa notícia. Era uma novidade excelente, que, ele sabia, iria me deixar feliz. E eu fiquei. Muito feliz por ele, mal conseguia segurar uma alegria que parecia se expandir. Daí ele desligou e eu ainda estava feliz, porém muito triste, e tentando entender a origem da dor obesa que me ocupava.

Dias atrás, vendo um video da India Arie no Java Jazz Festival, ouvi a cantora explicar a inspiração para uma das minhas músicas preferidas de sua autoria. Ela diz que, quando escreveu a letra de Good morning, havia entendido que um coração partido é como uma morte, e que um relacionamento nada mais é do que uma tomada de risco. Um risco. Mas que o amor é um crescimento, e, neste fundamento, a música delineia os estágios da dor de um coração quebrado - e do crescer que o segue.

O dia por que eu tanto esperava era ainda o que eu mais temia chegar. Mal pudia acreditar que ele ligara, e não podia acreditar que ele ligara. Porque me agarro às lembranças, quando o que eu quero é largar. Posso fechar os olhos agora e sentir seus pelos do braço trançando por entre os meus dedos, braço que eu roçava incessante, sem querer largar.

Eu queria ter uma conclusão, um lugar para chegar com isso, mas não.



sábado, 20 de setembro de 2014

[ OVERDUE ]

Eu tenho estado ausente; minhas cartas, privadas da escrita por um tempo. Embora meus textos sempre dependam de inspiração que os brote, a desculpa na manga que justifique este sumiço é o meu filho.

Eu disse meu filho? Quis dizer meu filme:

OVERRATED
Eu escrevi uma história sobre aquelas fases na vida em que tudo parece desmoronar, numa época em que tudo na minha vida parecia desmoronar. Pareceu-me apropriado usar do recurso, já que me faltava a energia para lidar com o problema de outra forma.
Daí, levei o projeto adiante e fiz um filme. O estágio atual é o da pós-produção, que parece não ter fim. Parece sequer ter meio. E este processo tem sido o meu blog pelos últimos meses. Investindo meu tempo, meu amor e suor e miolos nesta história é o meu atual escape. Acima de tudo, o filme é uma extensão deste blog, de ambos seu remetente e destinatário. É uma extensão literal, uma longa carta visual. Na história, o personagem principal é este mesmo Benin a quem escrevo há seis anos. Acredita? Seis anos completados em agosto. Tal como minhas postagens neste endereço da web, meu filme é uma ferramenta de auto-reflexão com a qual presenteio a mim mesmo - e a quem mais se juntar a mim no caminho. Eu projeto no Benin aquele eu alcançável, aquela versão de mim que pode vir a ser. E, em escrever o roteiro - como o universo escreve a vida -, deixo o personagem tomar as decisões que eu sonho em um dia tomar. Assim, nele eu me espelho.

Quem conta histórias sonha em inspirar o outro, e não sou diferente. Não ignoro que este blog tenha inspirado a outros, gente da vida real. Contudo, confesso: blog ou filme, texto ou imagem, eu quero poder inspirar a mim mesmo; como iluminado pelo amigo que busco em mim - e que, com sorte, inspiro outros a buscarem em si. Num post ou na tela.

Eu volto.

quinta-feira, 15 de maio de 2014

segunda-feira, 31 de março de 2014

terça-feira, 11 de março de 2014

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

quiet on set!


and... action!

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Casting



Eu não sou fã de piada, mas adoro humor assim simples, que sai fácil, quase sem esforço. É o tipo de habilidade que o ator tem ou não - forçar esse tipo de talento fica na cara. São tantas nuances, no que diz respeito a performance, que transformam a busca pelo ator ideal num processo que parece sem fim e sem saída. No momento, eu tenho escalados 3 dos 4 atores pro meu filme. Só falta encontrar o ator principal, aquele destinado a carregar a história. Destinado porque talento é coisa de destino mesmo. E tá difícil encontrar esse eleito.

O meu filme não é uma comédia, e o ator que eu procuro para o papel principal não é um comediante, mas eu não me importaria de dar uma chance nas audições para o canadense Darrin Rose (possivelmente o irmão separado no parto do Jason Sudeikis). Mas que graça de ator!

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

pro·gres·so: encontrar o que há de errado e tentar de novo. e falhar de novo

"Do you know how many dogs the Russians sent into space before a man walked on the moon? [...] that's what progress looks like: a bunch of failures. And you're gonna have feelings about that, because it's sad, but you can't fall apart."

Grey's Anatomy #1011

parece pouco



Resgatando o meu eu - ou tentando até o fim.

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

o hiato que me consome

Eu acho que tentar explicar a essência de um personagem que é tão pesadamente baseado em mim mesmo, com suas motivações e seus porquês, é uma forma tangente de autoanálise, em cujo contexto o ator funciona como psicólogo improvisado. Ele escuta, toma notas e encarna a persona;  daí eu, atrás da câmera, posso esperar, com a performance, talvez encontrar o eixo dos meus problemas. É um começo.

Ainda sobre o meu curta, meu personagem principal se revela gay ao espectador na última cena, sem cerimônias, sem criar caso, sem firulas. Fiz questão que todas os personagens tomassem o fato como qualquer outra notícia, uma que tanto faz. Não quero que seja uma história sobre um gay que lida com seus problemas, mas sobre um rapaz que lida com seus problemas. Essa coisa de definir quem é o quê tem me cansado um bocado. Dia desses, o Luciano veio me contar que o Lee Ryan revelou - em pleno Celebrity Big Brother da tevê britânica - já ter ficado com um cara. A partir da notícia, as matérias online passaram a especular a possível bissexualidade do cantor e - ah, que preguiça eterna! Me peguei pensando se sou só eu que acho essas definições sem propósito.
Outro exemplo ocorreu ontem à noite com um grupo de amigos. Enquanto ríamos com as lembranças embaralhadas da véspera de Ano Novo, em que todos brincamos de trocar selinhos à meia-noite, uma das amigas veio questionar o Drew se ele era gay - ou pelo menos bissexual - por ter me beijado na virada do ano. Ele, elegantemente, respondeu que não é justo que o beijo de duas amigas seja normal e cool, mas que entre dois amigos rapazes, é caso de ser isso ou aquilo outro.

Por isso, no meu roteiro, esse é um detalhe entregue sutilmente no final: meu personagem não precisa contar pra ninguém se é A, B ou AB, porque a verdade é que ele tem coisa mais interessante pra dizer. E eu só posso esperar que seja notável o quão pouco essa questão importa.
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