quinta-feira, 15 de março de 2018

de propósito




Eu vejo o tanto que cresci nesse meu último ano, e suspiro satisfeito em reconhecer o quanto eu cresci – de tudo que eu poderia desejar a mim mesmo, essa é a conquista que mais importava, e uma das quais eu poderia controlar. Dependeu de mim, e eu cheguei até aqui, com ajuda, mas tomando os caminhos por disposição própria. Aprendedor ligeiro, eu vim progredindo a passos rápidos, foi preciso apenas buscar a faísca que acendesse a mudança.

Eu nunca fui de comemorar aniversário, mas sim de esconder a data de quem me cerca; até mesmo por aqui eu costumo marcar registro todo ano, mas cada vez por meio de mensagens em códigos, sempre escondendo a verdade por entre o labirinto das palavras, cujo caminho só eu conheço. O porquê disso não importa, mas sim a mudança do hábito: neste ano decidi lutar pelo resgate do meu eu positivo, que o Joe negativo já prevaleceu por tempo demasiado. E, com a data se aproximando, fui resolvendo me soltar, compartilhar, dar espaço para que os outros entrassem.

E hoje tive um excelente quinze de março, sem precisar agir sem lhe dar devida importância. Eu mereço a minha importância! Os que me conhecem e me admiram concordam, e não há defeito em aceitar e receber essa verdade. Foi gostoso ouvir daqueles que me querem bem, embora ainda precise de prática para colher os comentários banhados de elogios, sem que a face core como um tomate e as mãos e o olhar se percam desajeitados, sem saber aonde se desviarem.

Hoje estive com minha psicóloga, e foi catártico reconhecer o quanto a carcaça e a pele velha do Joe aos poucos vai se descartando e ficando para trás. E pensar que quase cancelei a sessão de hoje. Esse tem sido um esforço em equipe bem sucedido, ela me orienta e eu dou um passo com a direita, e então os outros de mim me guiam adiante num passo com a esquerda. E nesse ritmo eu percorri quilômetros. Eu sou melhor.

Eu me abri, me expus, me arrisquei, recaí, me reergui, prossegui. Persevero. As angústias aos poucos ficam menores, não sei se reduzidas de fato ou se parecem menores porque ficaram mais distantes. De todo, importa esse caminho seguido. É por aqui que vou encontrar o melhor eu que há. Feliz aniversário, Wando!


quarta-feira, 14 de março de 2018

o Jacaré é maravilhoso



E do outro lado, havia o Jacaré. A pérola em meio aos estrondos de janeiro foi a chance de estreitar minha amizade com esse homem; ele me acolheu quando o Marcos silenciosamente me ejetou da sua casa e da sua frente, e muito além, ele me ofereceu todo o suporte que me faltava. Ele me deu injeções diárias de bom ânimo e me levou a novos passeios inesquecíveis, com prazer tal que fazia cada cenário de trilhas, praias e cachoeiras parecer criação sua própria, e o prazer era todo seu de apresentar toda aquela beleza abundante – e com a energia de um garoto! Não media esforços para preencher meu tempo de férias com o máximo de curtas viagens pela ilha, esbanjando a alegria de uma criança no rosto e contagiando a quem o rodeasse.

Voltando de Floripa em julho passado, eu já compreendera que ele era uma pessoa especial. Mas desta vez o que ele fez por mim foi obra de carinho paternal, deste então o guardo nesse lugar, assim como o Romeu em Sydney e os meninos em São Paulo, tenho este novo pedaço de pai em mais um canto do mundo. Que sorte tê-los em vez de.

Em meio à minha queda, o Jaca me presenteou com uma linda mensagem, de próprio punho, que cobria todas os meus buracos daquele momento, e eu gostaria de citar algumas de suas dicas áureas:

• O outro não existe para te agradar.

• A arte de viver sem expectativas e, sim, com perspectiva é a chave para não se frustrar.

• Cure em você o vício da necessidade de aprovação do outro. Só assim, poderá desfrutar da ousadia e confiança natural ao seu espírito.

• Não se deforme ou se descaracterize para tentar "caber" no espaço apertado do pensamento que o outro tem em relação a você. Isso não vai dar certo. Quando você se deforma para agradar alguém, sua luz se apaga e é apenas você que fica no escuro se sentindo perdido.

• Abandone o orgulho e o delírio de acreditar que tudo vai ser como você quer.

• Tudo é passageiro. De perto a vida é uma tragédia, de longe é uma comédia. Daqui a pouco você vai rir de todos os dramas que criou. Pois tudo passa.

• Carência emocional não é a necessidade de receber e, sim, de se dar. Só você poderá suprir suas necessidades emocionais. Projetá-las em alguém é o mesmo que pedir para que alguém se alimente para saciar a sua fome.

Mais uma sorte, conhecer este rapaz. Ele, sim, tem uma linda voz e muito o que dizer, seja com conselhos, com seus passeios, suas pinturas ou suas fotos. Segue o Jacaré no Instagram.


sábado, 3 de março de 2018

de tudo, fica um pouco



Os bons momentos ficaram, e se hoje tenho raiva ou desprezo pela pessoa dele, é um sentimento do hoje e não deve manchar as memórias do que foi bom e real - essas são minhas e faço questão de guardar. Ele não é "só mais um boy que, infelizmente, não deu certo", como sua amiga firmou, em minha defesa; deu certo, sim, até dar errado. A parte errada eu quero esquecer, e cá me mantenho nesse esforço. Já a parte que deu certo eu mantenho, não segurando com força nas mãos, mas bem envelopadas no arquivo afetuoso da lembrança.

Fica o aprendizado da hora trêmula, do desligamento, e de tudo que fui furçado a aprender sozinho. No fim, é tão bom aprender, passada a devida dor. Fica a experiência de compartilhar, de vincular, o "me abrir" que eu decerto precisava resgatar. Fica a lição de expressar o que eu sinto e não aceitar calado o que me abate; o erro também foi meu em não questionar o que estava acontecendo. Comunicação é via de mão dupla, e eu deveria ter vencido minha tendência à retração e dito algo, não por ele, mas por mim, no momento de abandono e incerteza.
Fica a lição de estar no agora, e principalmente lidar com o agora hoje, agora, porque ele é tudo o que há, e de viver com mais perspectiva e menos expectativas - deixar as coisas tomarem curso natural, pois é melhor se surpreender do que se decepcionar. Dar combustível aos sonhos, sim, mas sem esperar nada de nada, tampoudo de ninguém.

Fica a sugestão de escrever o irreal e viver o real, quando minha cabeça começar a criar histórias. Idealizar é o meu mal, então se for sonhar acordado, melhor passar ao papel, cena a cena, os cenários e diálogos e tudo mais que pertença ao imaginário, e viver a ficção no plano da ficção, isolado da realidade, onde eu não controlo os personagens.

Já citei que "um coração partido é como uma morte", sobre a última vez; pois aqui também houve morte. Só não precisei morrer desta vez.



Continue to breathe, continue to breathe
In times like these that's what your heart is for
Continue to breathe, continue to breathe
In honor of your brother, that's what your heart is for

Fight for your life, fight for your life
In the face of a society that doesn't value your life
[...]
For the future, for the future, for the future, for the future
 

sexta-feira, 2 de março de 2018

ao menos dancei



No dia em que ficou bastante claro que eu algo estava fora de lugar, estávamos na rua bebendo com dois de seus amigos, mas eu já havia sido abandonado. O ângulo do corpo dele na mesa do bar de rua não me reconhecia, só dava vista para os amigos adiante, e o tato do corpo dele era insensível ao toque dos meus dedos na sua coxa pedindo atenção, ou resquício qualquer de respeito.

Saquei meu bloco de notas, disparando palavras em alta velocidade, porém não mais rápido do que minha raiva lavada de decepção percorria e colorava meu sangue de vermelho-paixão. Em poucos minutos, que pareceram multiplicados, soltei verbos em minha defesa, com algumas exclamações indignadas e choros em caixa alta. Tudo ali, no escuro da minha caderneta, pessoal, privada, solitária. Todas as palavras que eu merecia ouvir, as doces junto às ácidas de sermão, que eu mais precisava do que merecia. E uma reflexão resumiu, ali pelo meio do relato inspirado, o teor daquela noite e daqueles dias:

VOCÊ ESTÁ DANÇANDO SOZINHO.

Ele não tá sofrendo porra alguma. Você está. Sozinho.
Eu não devo tentar nada hoje, não assim, frágil, não é justo. Eu estou aqui por mim. Nós amamos a mim. Ele não. Jamais vai amar. O que quer que aconteça, seja lá como se sentir, lembre-se: só há você.

Eu não era o foco, eu precisava sair dali. E saí. Já não importa o quanto tenha doído dançar sozinho.

Ao menos eu dancei.



I'm right over here, why can't you see me, oh
I'm giving it my all, but I'm not the girl you're taking home, oh
I keep dancing on my own,
I keep dancing on my own

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

o que é importante



...As ondas de Marcos certamente me pegaram de surpresa, com força elas me tombaram, repuxaram, reviraram; fui afogado.

Ao passar de um mês da corrente, enquanto esperava aquela espuma nociva se desfazer e voltar ao seu mar como um despacho, passei a me apegar ao que de bom poderia tirar disso tudo. Meu amigo havia levantado uma questão válida: quando foi que esse menino se tornou tão importante assim pra você? Na hora, não soube achar resposta, mas depois, pude. Verdade é que ele nunca chegou a se tornar, de fato. O que tive foi puramente uma atração, um calor passional. Não houve amor. Ele nunca tomou este valor; o que causou então tamanho estardalhaço não foi a fera, foi a ferida. Que me leva de volta à ferida de Cooper, que traça caminho por anos atrás, à fonte original, às cicatrizes nunca curadas. 

Eu não soube desapegar porque, por um momento, ele fez o papel de alguém que se importava comigo, que me queria. Sujeito frágil que sou, me entrego em exagero ao sinal de qualquer afeto - se a pessoa me dá punhados, migalhas espaçadas, já é o bastante para que eu doe todo o meu melhor. Quando a conexão se desfaz, é difícil recolher os meus pedaços porque eu sei que isso me levará ao lugar da Rejeição, onde a Humilhação me aguarda para um abraço. Com medo, fico tentando religar, exponenciando a rejeição a humilhando a mim mesmo.

Isto aqui, Benin. Isto é o que é importante, que eu estou começando a computar os fatos e retirar deles minhas lições, sozinho. Por isso desta vez demorei imensamente menos para me puxar do fundo escuro e frio desse mar impiedoso de volta à superfície – porque estou mais forte que nunca, mesmo que tenha estado fraco e tão frágil. A verdade é: eu gostei mais da ideia que criei dele do que dele de fato. Agora já posso repulsar, puxar o plugue. Deixar para trás, largar no mar.

Mais forte do que nunca. E isso é lindo. Estou orgulhoso de nós.



You have been used, you've been abused,
Someone came along who didn't value you,
You carried the weight of your heart
Like a million rocks on your shoulders


But you don't have to wait for an apology
Or for someone else to make amends
When you can remember
That your healing is in your hands


Just let it go, inch by inch
Just let it go, and do it again
Just let it go, one day you'll see
Just let it go, you set yourself free


domingo, 25 de fevereiro de 2018

o que aconteceu foi só isso



Eu ia narrar os fatos de janeiro, transpondo as palavras do meu diário de papel para minhas cartas digitais, repassando as emoções e os aprendizados de tudo, mas desisti da ideia. Não quis mais gastar tempo, que anda escasso, revivendo lamúrias. Sendo assim, vou resumir o ocorrido e então poderei focar em desmembrar o saldo positivo.

Desde julho, mantive contato frequente com o Marcos. Nunca houve ilusão de um relacionamento a distância, nada disso; havia, sim, vontade de um reencontro, sem amarras. A maldita expectativa se fez. Marquei o retorno a Floripa e combinamos de nos ver, naturalmente. Me ofereceu passar a primeira semana em sua casa. De início foi muito gostoso poder abraçá-lo de novo, cheio de saudade, curtir uma Parte 2 daquele caso de temporada. Foi como pausar a vida e viver um filme.

Sem nenhuma explicação, ele começou a ficar estranho e se afastar. Virava a noite trabalhando, assim podia fugir de mim durante o dia. Levei alguns dias pra entender que não era coisa da minha cabeça, não era o meu eu carente, era real. Ele estava se esquivando, a amiga dele também reparou. Ali pelo sexto dia a situação ficou insustentável e indigna, o que foi minha deixa para me retirar da cena daquele crime.

Pelos dias restantes na cidade, esperei algum sinal que indicasse o que havia acontecido, mas não me foi explicado coisa alguma. Minha saída do seu ambiente foi sua chance oficial de descarte, a partir do qual ele me disse mais nada. Eu sabia que ia enlouquecer. Não podia crer que estava cruzando a Ponte de Cooper tudo outra vez, aquela me levava de volta ao fosso de rejeição e humilhação do qual penei tanto para sair.

E enquanto eu tentava entender a razão daquele inferno, o diabo não se pronunciava. Então, o jeito foi seguir adiante, à base do empurrão e com ajuda. Mas estou conseguindo mais rápido desta vez. Hoje já peguei aversão, e consigo encontrar luz que emane alguma paz. Bem menos tempo de recuperação que o último trauma. Estou evoluindo! Aos poucos, sigo revertendo o foco para o lado positivo.

Por mais que eu compreenda a perda de interesse no outro (afinal já passei por isso, do lado de quem desconecta e do de quem é desconectado), nada justifica a forma como ele se desfez de mim. E, tentando achar uma razão, debati isso com algumas pessoas. Nunca haverá a razão: foi babaquice. Mas o importante foi saber reconhecer e recusar aquela situação. Agora já sei o que gerou o desligamento repentino – surgiu um ex dele na jogada, coincidência ou não, e ele correu de volta, jogando no lixo alguém que apenas lhe tratou bem. Não sei se é coisa de Sagitariano ou de moleque sem escrúpulos, sei que não me submeto mais, enquanto me for possível. Antes que ele me criasse outro bloqueio de envolvimento, eu tratei de reconhecer que o problema aqui é todo, cem por cento dele. Aí foi minha vez de desligar.

E o resto, a gente resolve.



You don't have shit to say to me, I ain't got shit to say to you.
Haha and that's the truth. – And step on.
Also you black heffa, you stand your ground, 'cause I feel the same way.
If you don't like me, you don't have to fool with me,

but you don't have to talk about me or treat me mean,
I don't have to treat you mean. I just stay out of your way.
That's the way you work that one.


segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

as águas de janeiro


A expectativa é mesmo um mal.

Era tanta gente investindo o verão nas praias de Florianópolis, que o trânsito e o passeio pelas vias da cidade virou uma problemática além do típico para essa época. Falta mesmo infraestutura que dê conta do fluxo de turistas e locais.

Então veio chuva, como há tempos não se via na temporada. Chuva que levou embora a expectativa de meio mundo de gente, e, de repente, não se podia mais explorar a magia da Ilha. Mas quem mais perdeu foram os manézinhos (como são chamados os nativos de Floripa):

Pessoas ficaram ilhadas em regiões alagadas;
morros desmoronaram e fecharam passagens;
asfaltos cederam e avenidas foram arruinadas.

E eu também perdi:

Também fiquei ilhado . largado, sem contato;
também desmoronei . vias fechadas, retraído;
também cedi e ruí . perdi forças, perdi o chão.

Mas quem me derrubou não foi a água da chuva;
não foram as ondas do mar; não foram águas de janeiro ou de março.
Foram águas de Marcos.

E enquanto eu sofria as rajadas severas, tentando compreender o que me acometia, eu escrevi. Escrevi a cada dia, narrando o espectro de sentimentos, todos os matizes de chumbo e cinza e ardósia. Com o registro das dores e das expectativas falidas, pude alcançar conclusões que hoje me são a salvação e aos poucos me erguem de volta à margem.

quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

yet the bastards ground me down



Por detrás de sonhos otimistas e da inocência peculiar que adotei para este ano, jamais poderia prever as rasteiras, chutes à boca do estômago e outro golpes certeiros que me levariam à inconsciência e à náusea. Não esperava tamanha provação nem tão intenso ataque.

Ainda zonzo, tento esquadrinhar o meu arredor; não sei bem onde nem como me encontro. Não morto, certamente ferido.

Havia dito querer voltar a escrever com mais frequência neste ano. Pois – adivinhe? – os dias de janeiro me deram muito o que dizer. Cartas diárias, precisas, viscerais. E assim eu volto.

terça-feira, 2 de janeiro de 2018

we can't help it,


Tamo junto, Mark. Um ano brilhante pra gente! Comecemos sonhando.

domingo, 31 de dezembro de 2017

p l a n a r

Estive lembrando os meus últimos fins de ano e a minha insistência em marcar os encerramentos dos ciclos, porque verdade é que acredito muito que a vida opera como um grande círculo, transportando os fatores por picos e vales numa viagem infinda. Como disse, completo este ano com uma expectativa semelhante à da prévia da minha mudança, e assim recordei do meu primeiro fim de ano na Austrália, quando eu, incapaz de alguma defesa própria, me vi nu de quaisquer esperanças. E relendo minhas cartas finais de 2011 até 2016, pude novamente reparar em um padrão cíclico, que parece me trazer para um alto neste 31 de dezembro, após uma sequência de baixos.


                                                                                       2017

                                                                 2016

                                               2015
2011                                                   
  2012                    2014
  2013


Sozinho, admiro a beleza da curva ascendendo, sabendo que tenho hoje munição como jamais antes, e me abrindo ao novo ciclo com sonhos novos na mente, sonhos que me ocorreram e me propelem para um tempo novo. Mais uma vez encerro o ano sozinho no meu quarto e, apesar de uma leve carência nesses dias, sinto a empolgação de saber que no futuro de amanhã os planos são possíveis e a prontidão de ir buscá-los para a realidade. 

Em 2018 eu me proponho a ler mais livros, escrever mais cartas, expressar mais pensamentos, criar mais artes, aprender mais línguas, repetir menos erros, conhecer mais pessoas, amar mais a mim mesmo, viajar a mais lugares e voar mais alto.


© 2008-2018 wando joe [ from joe ]