sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

Eu não sei, não. A minha leve inaptidão social (pra não taxar de crônica) me faz ter sérios problemas com o número de redes sociais que circundam a nossa vida nesses tempos. Parece que se não fizer registro no 'Snap' ou no 'Insta' não valeu viver o momento. Enquanto isso, o registrar te rouba o viver o momento. Não sei bem como lidar.

Da nova temporada de Black Mirror (que é mestre em fazer uma leitura crua do comportamento humano e tendências sociais influenciados pelo impacto tecnológico), o primeiro episódio, Nosedive, foi o que mais me assustou – ou me aterrorizou. Deu medo de acordar algumas semanas daqui e estar naquele episódio, tão próximo do real é o seu conto.

O que me incomoda ultimamente é o exacerbado culto ao belo sem qualquer contexto mais profundo. Tenho visto tanta gente anônima virando famosa-de-rede-social só de expor a cara bonita e o corpo bem cuidado em selfies infinitas, que cada vez mais desisto da minha presença nesse meio. Apenas porque não pertenço, e prefiro me abster. Aliás, ceder ao ode é fácil, o dedo logo acerta o botão de seguir da galera bonita, e o canal te traz ainda mais ofertas parecidas. 

Eu, hein.

Difícil conceber a dimensão do meu valor quando eu não sou lindo, não tenho 15 mil seguidores, não não sou venerado a base de likes.

Never insecure until I met you, now I'm bein' stupid

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

moral of the story

Four years ago today, I shared something very dear
with someone about whom I cared a great deal.

I made him feel special, and loved.
A while later, he made me feel like crap.

I haven't revisited my something special since.
Now I think twice before sharing.

domingo, 27 de novembro de 2016

F O R W A R D

Nesse longo intervalo de retração, me serviu refletir em silêncio. Vinha com o foco apontado para os meus quereres, mas uma hora eles expiraram, e eu fiquei aqui, embaçado e sem os êxitos pelos quais ansiava, os que me mantinham funcionando puramente ao combustível danoso da expectativa. Esperança e eu sempre fomos amigos de vai-e-vem, como crianças que brigam porque uma estourou o balão amarelo da outra, trocam juras de não-fala-mais-comigo, mas voltam a dividir o balanço do parquinho na tarde de quinta-feira seguinte.

Assim, em mais uma reconciliação, eu chego ao final desse recesso com a resolução de olhar adiante. Mas não com olhos de medo e ansiedade diante do incerto, como já me é de hábito, e sim com o intento de desapegar e evoluir; abrir os dedos da mão e largar das ideias que não vingaram e dos planos que se desfizeram, e espiar o que há lá na frente com ciência do agora. Aguardar com bom ânimo e dar passos avante. Esperar e superar.


domingo, 20 de novembro de 2016

Gatilho


Muitos meses se foram em que me ocorria aquele interesse em escrever, porém era como se me faltasse a forma, ou o saber como. Ao longo deste ano estranho, só escrevi três vezes – duas das quais mal se pode chamar escrever, mais do que ilustrar. Neste novo tempo em que os blogs foram largados às beiras da web, e o Facebook parece ser o novo canal para impressões e ideias, eu me vejo sempre mais desadequado. Sempre achei o FB cafona, nunca escondi. E sou dos que gostam de registro, catálogo, saber onde as coisas estão. Prefiro, então, postar minhas cartinhas por aqui, dispostas com tags e em alguma ordem.

Este foi meu ano sabático involuntário-improvisado. Eu deixei meu emprego no estúdio fotográfico (o mesmo onde trabalhava antes da minha viagem) porque queria me abrir à chance de novos trabalhos na área do audiovisual. E assim, uma dúzia de meses se passaram, e quando me toquei que eu não estava encontrando o que buscava, resolvi desencanar da busca por ora e aproveitar a folga pra tentar consertar uma falha pessoal ou duas. Passei a cuidar do corpo, mas não apenas com o levantar de pesos em séries, tratei de incluir Yoga e Pilates na mistura, que não custa tentar lapidar a mente na mesma receita. A Yoga tem sido uma prática mais clara do progresso pessoal, tem feito bem à minha tentativa de realinhar cabeça e corpo, além de minizar meus níveis de ansiedade. Eu, que sempre quis ser uma pessoa mais positiva, me vi surfando ondas mentais mais dóceis, tranquilas – não durou muito, mas decerto o efeito não se desfez por completo, sigo com meus pequenos avanços.

Também usei do tempo livre para investir no meu repertório de experiências com filmes, mais vastos em estilos e em número. Já vou aos 220 títulos do ano, com o desafio de me abrir a gêneros, diretores e escolas a que costumava ter qualquer resistência. Vi muita coisa boa, muita coisa ruim e bastante coisa mediana. Como deve ser.

Pois bem; no voar desse tempo, muitas vezes pensei em retornar à escrita, que sempre me foi parceira de autoconhecimento. Mas nunca encontrava o gatilho para recomeçar, embora soubesse com firmeza que, viesse o primeiro impulso, a corrente voltaria a fluir em curso normal. Metódico, eu precisava firmar uma nova ordem para prosseguir. Cá estamos. E, dos tantos textos que só existiram em versão pensada e não chegaram a ser, nada se perdeu. O que importa é seguir adiante.

terça-feira, 2 de agosto de 2016

Not so much LOOKING anymore

O recém-lançado Looking: The Movie, produzido no formato 'filme para TV' como oferta final de misericórida da HBO, veio dar fim à história da série do canal, desenvolvida com maestria ao longo de duas temporadas, porém cancelada por baixa audiência.

Eu não me interessei pela série em seu primeiro ano – história e personagens pareciam não me convencer, ainda assim persisti assistindo, ciente do enriquecimento do universo gay que a produção trazia embutido em sua trama. Contudo, com o primeiro episódio da segunda temporada, me rendi de vez. A série era sim preciosa de todo.

Semanas atrás, ao que se aproximava a estreia do capítulo final, me pus a reassistir a série completa. Perpassar toda a história uma vez mais acabou sendo ainda mais comovente. Desta vez, estava mais maduro e preparado para a experiência. Em certas cenas, eu chegava a pausar a ação, porque as atuações eram muito ricas de realismo; maravilhado, eu me fartava de toda aquela emoção pura na tela. Os roteiros são, sem exceção, concebidos com primor e dão fluência ao programa, e a direção, também cheia de acertos, é sempre muito sensível. Outra peculiaridade é o clima azulado e dessaturado que a coloração final confere ao todo da série, que demais me agrada aos olhos.

O filme me desceu com dificuldade – não que falte em qualidade, pelo contrário: o longa é igualmente delicioso de consumir e faz juz à alma da série, trazendo sim um fim satisfatório; meu pesar foi em me desligar daqueles personagens. Minha dificuldade real de desapegar me abateu em cena ou outra – a mais forte delas sendo o encontro final entre Patrick e Kevin. Eu traguei aquela cena inteira a seco, e por dentro ela me desceu, crua, rasgando até as entranhas. Doeu, porque resgatou gostos do meu próprio passado, deixando uma amargura na boca. A tristeza doce da cena invocou nostalgia e muitas lágrimas.

Por falar em Pat & Kev, a relação dos dois ao longo da série era a que me desmantelava. Era a que mais dependia de perspectivas. Eu jamais fui capaz de incriminar um ou o outro, por mais inconvenientes que fossem suas ações – novamente, porque aquela situação era muito próxima do possível e, portanto, eu não ousaria jogar pedra. No começo deste ano, eu mesmo comecei (não de propósito) um caso com um homem noivo. De cara, eu provei ter o desprendimento para lidar com a relação, que pedia o fator "casual": não poderia haver envolvimento substancial. Claro, essas coisas não se controla, e logo eu me vi despertar, como o Patrick, e entender que aquilo não poderia avançar mais. Seria errado porque era mesmo errado, mas foi certo enquanto durou. Porque sim, eu acho.

Revendo a série, pude identificar o quanto de mim há no personagem do Pat. Chega a assustar o quão siameses são os vacilos dele e os meus. Mas quem mais vai me fazer falta é a Doris. Essa sim, eu queria pra vida, melhor amiga; ferrada, mas perseverante – e muito, muito sagaz.

Escuta... isso não dura pra sempre. O que você está sentindo.
Eu sei bem como é se sentir assim.
..
Essa angústia toda, um dia passa. Sério.
Se você quiser, ela passa. Tá bem?

Doris lives forever

sábado, 20 de fevereiro de 2016

Quando a vida te dá um limão...

O endereço de e-mail que eu usava para contatos do blog, memandaporemail@limao.com.br, não existe mais. Há alguns meses, o serviço de e-mails do Limão foi encerrado e, com isso, minha conta foi exterminada, reduzindo a poeira virtual anos de mensagens recebidas e enviadas e muitos contatos.

Meu novo endereço já está atualizado na barra à direita:
dearbenin@gmail.com

sábado, 30 de janeiro de 2016

vontade de


e além.

domingo, 27 de dezembro de 2015

[ Filme DL ] OVERRATED


Hora de compartilhar o meu filme, afinal eu escrevi e dirigi este curta porque queria contar uma história. Quando me perguntam sobre o que é o filme, sempre me complico ao explicar. Mas a história é simples, uma com que todos podem se relacionar, pois é mesmo um pedaço de vida: Benin atravessa um momento em que tudo dá errado e se vê diante de variáveis e escolhas. Recompor-se em meio à depressão é um desafio, porém necessário; nos 23 minutos do filme, ele declina ao seu vale emocional, até compreender que à sua volta há o suporte que ele precisa para se por de pé novamente. Para outros novos começos.

A todos que me acompanharam no processo de produção deste filme, e ao Benin pela inspiração: muito obrigado! Espero que gostem.

FICHA TÉCNICA

Nome: OVERRATED (2014) 
Gênero: Drama
Direção e Roteiro: Joe W. Bridges
Elenco: Griffin Avis-Foster, Liz Harper, Rupert Raineri, Cameron Ellis, Mark Rinaldi, Murray Summerville e Samantha Hennings
Sinopse: Um jovem garoto tenta construir uma nova vida longe de casa, mas seus planos parecem desabar, e ele precisa amadurecer para colocar as peças de volta no lugar.
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IMDb
 
FOTOS


FILME COMPLETO


(Contém legendas em português e inglês)

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

mais gratidão, menos desculpas

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Tenho a impressão de que 2014 e 2015 se passaram em um único ano, tipo um combo "leve 2 por 1" pouco satisfatório. Parece que, com o avanço da idade, mais rápido os dias se perdem. Este 2015 se foi ligeiro, deixando uma amargura danosa de insucesso, porém com algumas leves nuances de momentos felizes; assim, acho elegante não reclamar.

Lá no 22 de outrubro de 2013, eu – perdido da vida – fiz uma tatuagem simbólica do tempo e espaço e da condição de mente em que me encontrava. E hoje, a passeio de férias com meus amigos, marquei na pele minha segunda, também expressiva em suas significações.

Um dos conceitos embutidos no novo desenho, gravado no posterior da coxa esquerda, é o de "foco nos durantes": por uma vida vivida mais no presente e menos no passado ou futuro. Como já vem o fim de ano e aquele compromisso com novos hábitos, pois que se possa saborear a essência dos momentos, estar no agora. Quero me ensinar a ser mais positivo enquanto há conserto – antes que a rabugeira me acometa.


*Título do post inspirado nesta série de quadrinhos.

terça-feira, 15 de setembro de 2015

Tom demais!

Desde que vi Mad Max: Fury Road no cinema, passei a perceber que despertava em mim um grande fascínio pelo trabalho habilidoso que o Tom Hardy exerce como ator. Já o havia visto em Inception e Batman - The Dark Knight rises, mas senti que precisava apreciar mais afundo o seu talento. Foi maravilhoso acompanhar o largo alcance de sua atuação em Locke, Bronson, Warrior e The Drop. Todos filmes sensacionais, mas em que, pra mim, a presença do Hardy falava mais forte. Ele rapidinho se tornou o meu favorito do ano, pelo brilhantismo empregado em seu ofício, e pelo cara que ele se mostra ser em entrevistas. E ainda é louco por cachorros! Este tem sido o papel de parede do meu computador:


Daí que nesta semana ele está no Toronto International Film Festival para a estreia do seu novo filme, Legend (que eu mal me aguento de ansiedade pra ver desde que saiu o primeiro trailer), e na coletiva de imprensa rolou este momento climão, que já viralizou pela internet:


This is the video of Tom Hardy that's going viral....
Posted by SPIN 1038 on Monday, 14 September 2015


No trecho, um repórter do site LGBT Daily XTRA soltou uma pergunta babaquinha sem rumo, e o Tomzinho respondeu com muita sabedoria e leveza de ser. Eis o diálogo:

– No filme (Legend), seu personagem Ronnie é bastante aberto quanto a sua sexualidade, mas com base em entrevistas que você concedeu no passado, sua própria sexualidade parece meio ambígua. Você acha que é difícil para celebridades falarem sobre sua sexualidade na mídia?
– Do que raios você está falando?
– Me refiro a uma entrevista que você deu à revista Attitude alguns anos atrás.
– Mas qual é sua pergunta?
– Queria saber se você acha que é difícil para celebridades falarem sobre sua sexualidade.
– Eu não acho difícil para celebridades falarem sobre sua sexualidade. Hmm... você está me perguntando sobre a minha sexualidade?
– Hmm... sim.
– Por quê?
– ...
– Obrigado.

Eu poderia adicionar aqui uma opinião ou duas, mas não seria pura perda de tempo? É exatamente assim que eu me sinto com essa coisa cafona das pessoas de querer saber "o que você é". Tomzinho falou tudo, e ainda pagou de lindo.

Nossa. Feliz Aniversário, Tom Hardy! Vida longa! O mundo é seu!

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