sábado, 22 de abril de 2017

DADDYROMCOM

Desde o início da pré-adolescência, que eu me lembre, eu sempre fui aficcionado por comédias românticas, não sendo apenas um gênero que puramente me entretém, mas ainda um dos que me mais me permitem imergir na ficção da narrativa e sonhar, quase transcender. Filmes como "O casamento do meu melhor amigo" e "Amores Possíveis" são preferidos até hoje, e ultimamente tenho voltado a mergulhar nas águas do gênero, principalmente ao explorar mais do fascinante universo dos musicais da Era Dourada do cinema. Há tanta produção boa feita naquela época, e quando por fim abri meus olhos e pude vislumbrar o mundo de Gene Kelly, minhas definições de fascínio foram atualizadas. Mas isso é assunto pra outra hora.

Com o evoluir dos anos adolescentes, comecei a ter acesso a comédias românticas de temática gay, o que, de repente, trouxe a experiência de imersão para mais próximo. Era a mesma sensação, porém agora mais intrínseca. Meu apreço por rom-coms tomou um rumo adicional, e era sempre um prazer encontrar um filme gay que valesse a pena pela estória, e não apenas por ver dois caras bonitos se beijando.


E hoje, aos 30 anos, eu me pego empolgado ao ver o novo teaser da série DADDYHUNT. A websérie é produzida pelo app de pegação relacionamentos homônimo, e é na minha opinião uma forma charmosa e bem pensada de divulgar os serviços do aplicativo. Se você abrir a sua loja de apps e buscar pela palavra "gay", você se depara com uma lista quase sem fim de opcões equivalentes, mas o Daddyhunt ao menos soube se sobresair com esta tática de divulgação. A série foi lançada em seu canal no YouTube no ano passado, e teve um retorno tão bacana que possiblitou que uma segunda fase fosse encomendada.



Eu fiquei meio obcecado com esses mini episódios quando descobri os videos sem querer, e já assisti dúzias de vezes. Tem algo nessas estórias que traz um calorzinho na alma, é adorável e eu gosto muito. Claro, minha obsessão se deve em parte aos atores BJ Gruber e o daddy Jim Newman, que estão cativantes na série, o que apenas se corrobora com esta delícia de teaser divulgado esta semana.



O BJ Gruber também estrela a divertida The Queens Project, outra websérie gay no YT que vale a pena ver. Já a segunda temporada de DADDYHUNT estreia nesta segunda, 24, e eu estou ansioso!

domingo, 9 de abril de 2017

༾ Angel ༿


Autour de moi • Ao meu redor
Je ne vois pas • não posso ver
Qui sont des anges • quem são os anjos
Sûrement pas moi • certamente, não eu
Encore une fois • Mais uma vez,
Je suis cassée • estou quebrado
Encore une fois • Mais uma vez,
Je ne crois pas • creio que não.

Ao final do ano passado, decidi abandonar o facebook porque ali me expunha demais a fatos, notícias da realidade; havia resolvido abandonar a vida real, porque só se reporta coisa ruim. Desde então, consumo apenas histórias de ficção – as reais são trágicas demais.

Pois nesta madrugada de quinta para sexta entrei no site para procurar uma página que estaria armazenada na seção de links salvos. No mural, uma postagem logo me tomou a atenção. Uma foto da minha querida amiga Angel, abraçada com um rapaz, e uma mensagem que indicava a morte dele. Mas uma cruzada de olhares me fez entender que o post se originara da conta do garoto. A mensagem era dele. Dela era a morte.

Fui dormir incrédulo. Na sexta, depois de muito tempo me lembrei de uma coisa que no cinema sempre me deixava meio sem entender: quando, diante da morte de alguém querido, um personagem reage de forma estática, sem desespero imediato ou choro compulsivo, ele apenas fica ali, atônito, processando a passagem do ente como fosse uma operação matemática, ou um daqueles exercícios de lógica. Sim, esse era eu, na sexta, tentando resolver um problema de lógica que não me apresentava outra solução, tampouco qualquer lógica. Como poderia ela ter morrido? Ela? Tão nova, tão contagiante; um farol de alegria. E agora eu deveria aceitar que a luz se foi? Fui tomado por uma enchurrada de lembranças, e a ficha foi caindo, junto com as lágrimas.

Lembra como ela viu algo de especial em mim e, estrategicamente, foi se aproximando, atrás da minha confiança e amizade?
Lembra quando uma vez ela me disse que eu não deveria esconder o brilho dos meus olhos por trás de lentes de contato, pois sem o brilho nos olhos parecemos não ter vida, como dizia sua avó?
Lembra quando ela passou a me levar aos seus ensaios de teatro e me ajudou a me entrosar, sem forçar, porque eu era tímido e precisava de alguém que me fizesse sentir à vontade?
Lembra quando ela me aconselhou a não fazer aquela tatuagem aos dezesseis, porque eu poderia me arrepender – e ela estava certa, eu teria me arrependido –?
Lembra das tantas vezes em que ela, sem parecer, me ensinou a importância de se sentir bem com quem você é, e se importar menos com a opinião e os olhares tortos de outros?
Lembra que a gente se encontrava com um abraço forte e um selinho?

Ela era muito querida por seus milhares de alunos – vê se pelos depoimentos saudosos agora acumulando em seu mural. Ela foi minha professora, como de todos eles, mas além disso ela se tornou minha amiga próxima, me levou pra sair, me ensinou a tentar ser feliz, a aceitar minha sexualidade, a me soltar e deixar rolar. Ela me ensinou que é normal ser normal. E eu me sentia à vontade ao lado dela como me sinto com poucos, bem poucos. Ela era apaixonada por arte, mas acima disso, pela influência da arte na vida humana. Isso transparecia a todos que a conheciam. Era de muito boa energia. Sua marca registrada era sua gargalhada, alta, farta, frisante, deliciosa. Como eu disse, ela era de todo contagiante. 


A minha dor está, em parte, em saber que eu não posso mais falar com ela, rir com ela, me perder em um abraço dela; que, desde que voltei a Brasília, só nos vimos três vezes, por maldita falta de tempo. Na última vez que nos vimos, eu comentei com ela que havia encontrado um video que eu fiz dela nos tempos de colégio, quando ainda era minha professora, em 2003. Em sala de aula, ela deixou escapar que havia aprendido um pouco de dança do ventre e, ao pedido em coro da turma, teve de dar uma pequena amostra. Ela não acreditou que eu ainda tinha o vídeo e me pediu que enviasse a ela. Meses depois, encontrei o video e deixei separado no computador. Um dia, quando ia tentar mandar o arquivo, pensei: ah, mas o aniversário dela está chegando, agora em maio... vou esperar para enviar de surpresa na data, melhor assim.

video

Mas maio não vai chegar para ela. Ela nunca mais verá o video. E eu nunca mais vou ouvir aquela gargalhada, senão em lembrança. Ao menos, sim, em lembrança, sempre ouvirei.

Adeus, minha gostosa! Você estará comigo toda vez que eu dançar!


quarta-feira, 5 de abril de 2017

Confesso que:

bastantes saudades de trabalhar em set.


Me chama que eu vou.

terça-feira, 4 de abril de 2017

tentando ser mais positivo,

e os problemas dando na minha cara.

Vou persistir.

segunda-feira, 20 de março de 2017

COOLetânea - m•on•day

Quando bate o impulso de mudar, é preciso aplicar a mudança a tudo.
Pra começo de semana, te mando esta seleção (de curadoria do shuffle), por um humor mais fresco e uma segunda pra cima.


Para ouvir pelo web player do Spotify, clique aqui

sábado, 18 de março de 2017

how's this for a shift

Quarta:
afundar em problema inconveniente desnecessário, lamúrias, milkshake de maracujá; 

Quinta:
mais lamúrias, jantar que por pouco não sai, mousse de manga, conselhos a distância, risos na madrugada;

Sexta:
abrir mão de quem me faz mal [x], Mexicano, pastel de tres leches, encontro de Tinder sem sal com filme sem sal;

Sábado:
 Yoga, Funcional, musculação, tirar o dia pra mim, brigadeiro branco, musical dos anos 50, esquecer lamúrias, voltar a blogar coisas alegres.

Domingo:
começar a semana reduzindo problemas e curtindo bobagens.



via Adult Swim

quinta-feira, 16 de março de 2017

retratro, revela


by @javierreyv
by @bronsonfarr
by @jasonoranzo
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Não, a implicância com os 30, em termos práticos, não tem razão de ser. Sim, me entreguei, mesmo ciente de que, do dia pro outro, nada mudou com efeito: é mais o simbolismo dos números, que insito em carregar por anos a fio. Em retrospecto, sim, há muita frustração pelo pouco alcançado até aqui, este marco infeliz. Há ainda, no entanto, a resignação de saber que integro o quadro de toda uma geração; não sou pose única neste filme. Sendo assim, que seja. Melhor tanto fazer.
Ah, lamentos. Tão deselegante, como cheguei àqui?

Troca o rolo. Carrega o flash. Ajusta o foco. Dispara!


Fotos via HOSCOS.

quarta-feira, 15 de março de 2017

Presente vitalício

https://2.bp.blogspot.com/-haRpzyPai0Q/WMiUGGe2xnI/AAAAAAAADrQ/JutLMzXCWF0IRVEMUh2hfmCCMCyrHxQegCLcB/s1600/jaicourtney_march15.jpeg

Hoje é aniversário do ator-prodígio australiano da vez. Das novelas tradicionais do país, ao importante papel na maravilhosa, favorita, saudosa série Spartacus, migrando para o cinema, o rapaz vem crescendo num brilho só. Confesso que se é pra analisar toda a obra do Jai Courtney, eu diria que a minha paixão por ele tem mais raiz no fato de ele ser fascinante de olhar, do que nos papéis que ele já fez até hoje (diferentemente do Tomzinho Hardy) – com uma enorme exceção do Varro, que até esta data, é o trabalho dele que eu mais gosto. 



A foto que envio hoje é parte do ensaio do Jai pra revista GQ, e aviso: você precisa abrir essa foto no tamanho original e ver cada detalhe em nitidez plena, porque é um prazer. Se quiser mais, mando ainda o videoshoot em que ele retorna aos campos de infância para se reconectar à terra. E se ainda quiser mais, corre pro MNPP que tem um arquivo bem parrudo. E segue o Jai no instagram.


E se o Jai e eu nunca compartilharmos nada – um abraço, um afeto, uma roçada de barba, um chamego de brother, uma bitoca no cangote –, ao menos sempre, mas sempre teremos este dia quinze para nos unir.


sorry, kid



I lost your bliss.

segunda-feira, 13 de março de 2017

o maior inferno astral que você despreza

A crise dos 30 é real, anota aí. Há muitos anos eu não comemoro meu aniversário, mas devo dizer que nunca estive tão desconfortável com a data como neste ano. Completar os trinta tem me deixado estressado muito acima dos níveis normais para o mês de março. Sei que não passa de um número, mas na prática tá difícil engolir esse novo marco.

Este tem sido um tempo especialmente frustrante, pelo fato de me sentir preso em uma realidade muito aquém da que eu esperava para esta altura da vida. A sensação é de desperdício de toda uma vida – da que já foi, e da que ainda virá. Pareço dar voltas no mesmo lugar, em círculos cada vez mais largos e em vão; uma completa falta de rumo. Não trabalho fazendo o que eu gosto – isso porque, depois de um ano sem trabalho, sucumbi ao sistema e ofertei meus serviços àquilo que dava pra fazer de momento. Aliás, até não muito tempo atrás, eu sequer sabia o que queria fazer – e, de toda honestidade, não sei se posso afirmar que já sei de fato. Pois bem, agora trabalhando em área que me surgiu sem planejamento (coisa com que já sigo me acostumando, a vida é assim e pronto – acorda, Danny boy) e aceitei por conveniência. Não tenho dinheiro senão para pagar a fatura do mês do cartão de crédito. Aqueles sonhos de uma boa vida, de conquistas, estão todos encaixotados e empoeirados.

Os meus círculos se estreitam cada vez mais. Os amigos vão, aos poucos, se perdendo, restando apenas aqueles de raízes mais fiéis, e qualquer tentativa de novas amizades já brota com validade a expirar. A minha família é o mais fraco dos pilares, sempre foi. Mas esta condição de ter que conviver com eles, à altura dos 30, tem sido uma das razões primas da minha queda de cabelo e baixa de imunidade. É muito estresse e desgaste pra pouca habilidade em lidar. Muito amargo o gosto de voltar a esta configuração, já tendo experimentado a independência de morar só e sustentar a si mesmo.

Sigo na academia e com minhas aulas de yoga, mas o danado do amor próprio não vem. O que evidencia que não dá mesmo pra arrumar só a carcaça sem investir no interior. Eu já dei o primeiro passo, o de reconhecer o erro, e então re-reconheci o erro umas dúzias de vezes; falta mesmo ir procurar conserto.

Logo assim que voltei a trabalhar, em janeiro, ainda com o prospecto de voltar a receber salário, tratei de comprar várias coisas que queria/precisava. Comprar gera um calorzinho, uma empolgação que faz bem. O real problema é quando os itens chegam às mãos, e a empolgação logo se desfaz, e você percebe que o vazio é mais real.

Em conclusão, só me resta esperar que os tempos se amenizem e a crise dos trinta perca força. Só me resta torcer por menos frustrações, ou, na pior hipótese, por mais conformidade. Melhor mesmo calar e esperar. Mas não sem antes dizer tudo isso.
© 2008-2017 wando joe [ from joe ]