sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Lesson learned / Mnemonic device

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The Bicycles - Prove it

- Hey Nessa...
- Sim, Holly?
- Você confia em mim?
- Claro que confio.
- Prove! Dê-me seu coração.
- Hum... OK. Não sei bem como vou fazer isso... vou abrir minha caixa torácica... aqui... consegui!
- Obrigada. Agora vou pegar seu coração, vou colocá-lo no chão, abaixar minhas calças e dar uma boa...
- O que...? Não acredito nisso! Não acredito que você cagou no meu coração desse jeito...
- Bem, talvez você devesse tomar mais cuidado com as pessoas pra quem você dá seu coração.
- Oh...
- Eu poderia ser qualquer um.
- É verdade, você poderia ser um líder religioso...
- Ou um filósofo, e esses são dois grupos de pessoas que nós escolhemos evitar, lembra?
- Sim, sim... nunca se sabe. Bom, muito obrigada por essa lição, Holly.
- Disponha.
- Será que eu posso ter meu coração de volta?
- Hum, desculpa mas eu vou usar ele pra outra coisa.
- Oh, só que... eu provavelmente vou morrer em breve.
- É, mas você aprendeu a lição.

///

Enquanto isso, eu tento delimitar o grupo de pessoas que eu escolhi evitar, e acho prudente meio que incluir todo mundo nesse grupo. Haha. Não. Mas como tem vezes em que meu tempo parece rarefeito demais pra perder com gente escrota, eu espontaneamente bolei, outro dia, um recurso mnemonico para me afastar de (ou da possibilidade de) gente errada: passa um cara lindo por mim, eu repito mentalmente: child molester. Porque é bem essa a realidade. É bonito mas pode ser um líder religioso, um filósofo ou até mesmo um molestador de crianças; tem muita gente doida no meio do mundo. You never know...

4 comentários:

  1. Dear,

    Há algum tempo leio seu blog. Achei-o por acaso, não lembro quando, mas desde então venho aqui numa dessas tardes preguiçosas de domingo (como hoje).
    Como muitos que comentam aqui, já me identifiquei com muitos dos teus posts. Às vezes partilhando as felicidades deles, outras vezes as amarguras da vida.
    Não sei porque resolvi comentar hoje, mas aqui estou. :D
    Este teu tópico, apesar de novo, me pareceu um eterno déjà vu de tantos outros postados aqui e me lembrou de uma frase da minha querida Virgina Woolf no filme As horas:

    "Não se pode ter paz evitando a vida."

    Afastar as pessoas que podem ser potencialmente perigosas para a nossa saúde psíquica, física e emocional pode ser uma saída pra enfrentar as decepções. A questão é: há garantia que haja no mundo uma pessoa que não vá nos frustrar algum dia?
    Resposta: NÃO!

    A vida não dá garantias. Uns dizem que a única garantia é a morte, há quem diga que não morremos, evoluímos. E certeza absoluta, onde está?

    Depois de muito tempo, de muito sofrer, de muito chorar e de querer encontrar O amor (assim mesmo, com "o" maiúsculo), percebi que ele não existe. Fomos criados pra acreditar na plenitude e eternidade do amor. Tudo ilusão. Pobre de quem acredita nela.
    Há quem passe a vida buscando O amor e não encontra. Como se encontra o que não existe?

    Você deve estar pensando: "Esse W. é maluco. Um mal-amado desiludido."
    Ou talvez esteja pensando: "E se ele estiver certo, então, fodeu, né? Morrerei sozinho."

    Não sou maluco. Pelo menos não até aqui. Também não sou mal-amado. Desiludido sim. Isso admito ser.
    Mas a minha desilusão é por não acreditar mais na ilusão da completude, da infinitude, do amor eterno.
    O problema é que para amar, precisamos SIM nos iludir, afinal, como continuar em um relacionamento sem acreditar nele? Talvez - e digo talvez porque tenho certeza de poucas coisas na vida - a resposta seja mesmo se iludir, mas sem abrir mão da realidade. Sabe por quê? Porque a realidade sempre impera e aquela pessoa que acreditamos nos amar um dia nos deixa, aquela pessoa que acreditamos conhecer um dia revela uma face desconhecida, aquela pessoa um dia simplesmente levanta da cama e vai embora pra nunca mais voltar. Ou um belo dia, olhamos para ela e não sintimos mais o amor que um dia sentimos. Sim, porque a tendência é acharmos que sempre vamos ser abandonados, mas você pode garantir, jurar, afirmar com toda convicção que vai amar alguém pra sempre? Podemos e devemos tentar, mas garantir...

    Uma das partes mais difíceis de manter um relacionamento é aceitar que estar junto é fazer parte de um desejo que não é só nosso, de uma escolha que também passa pela escolha do outro.
    E o que podemos fazer pra garantir que o outro sempre nos ame, sempre esteja conosco?
    Resposta: nada!
    Simplesmente porque não podemos dar conta do que o parceiro deseja. Só se pode dar aquilo que se tem. Se nos falta algo que o outro deseja, não devemos nos culpar. O ponto aqui não é o que nos falta, é o que o outro deseja.
    Suponhamos que você vá visitar um amigo e ele te ofereça sorvete de chocolate, mas você deseja sorvete de baunilha. O que você faz? Aceita o sorvete de chocolate ou fica sem sorvete?
    Relacionamento é isso. Um sorvete de chocolate na casa do amigo. Ou aceitamos o que tem pra hoje ou ficamos sem.


    Alguns dizem que morrer sozinho é o grande medo da maioria das pessoas.
    Eu digo que o medo das pessoas não é morrer sozinho, é viver sozinho.
    Só quando entendemos que somos mesmo sós - através das mais dolorosas lições - é que podemos encontrar a paz sem precisar evitar a vida.

    Continua...

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  2. A completude que buscamos desesperadamente no outro não existe. Precisamos atravessar esta fantasia pra podermos ver a realidade por trás dela.
    Exemplo prático: há pessoas que passam a vida buscando alguém porque acreditam que só ao viver um relacionamento poderão ser felizes. A pessoa aparece, a felicidade chega e tempos depois... vai embora.
    Logo se pensa: "Foi porque essa pessoa não era A pessoa. Continuarei a busca".

    Essa busca nunca acaba até que entendamos que não há quem possa nos completar.
    Sempre faltará algo. Assim, nos resta duas opções: aceitar a falta que nos constitui ou passar a vida buscando o que não existe. Tentando preencher um vazio que não pode ser preenchido.

    A lição que aprendi duramente: a vida não nos dá garantias.
    Então, não adianta afastar quem achamos que vai nos magoar porque só saberemos quem pode nos magoar quando já estamos com a faca no peito.
    Amor e sofrimento são acessórios de fábrica na vida. Não são opcionais. Ou levamos o pacote todo ou não temos vida at all.

    Felicidade, dear, não existe. A gente tem que inventar. E cada um inventa como pode.
    Ame o tempo que puder, sofra quando tiver que sofrer e supere. A gente sempre supera.
    Tudo passa. E é bom que seja assim.

    No meio tempo, procure um bom psicanalista.
    Por experiência própria, vale cada centavo investido.

    W.

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  3. minha regra máxima: os signos!

    mas eu adotei aquela sua de evitar homens com o nome daquele que não devem ser nomeado, lembra?

    e se cruzar o nome X com o signo Y, pode ser lindo e maravilhoso mas eu mando matar.

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  4. @David: lembro e nunca esqueço. Passo reto também. Finjo lepra.
    À dos signos ainda não aderi.
    bjo, saudade, D.

    [j]

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