terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Benjamin Button

Assisti ontem ao filme mais indicado ao Oscar, e etc. Primeiro, me arrependi de ter ido ao cinema do Taguatinga Shopping, que estava cheio de gente uó, o que prova que Taguatinga continua uma roça. Mas com os erros a gente aprende.

Quanto ao filme, eu achei ótimo. Gostei de como, em suas 2h e 40 minutos, ele transpassa várias aborgadens desse assunto tão global, que é o tempo (aliás, acabei de ver outro filme em que um dos personagens dizia que "o tempo é uma ilusão"). Enquanto assisitia, refletia sobre vários dos pontos que são narrados nas entrelinhas, e juro que gostaria poder pausar o filme pra ir anotando todos eles, porque são boas reflexões. Gostei de como a história inusitada nos mostra o ciclo da vida, ao indicar que bebês ou velhinhos, acabamos frágeis e necessitados de fraldas e cuidados de terceiros. Ao passar do filme a gente logo percebe que os personagens do Brad Pitt e da Cate Blanchet precisarão conformar-se com o passar do tempo até o timing perfeito em que irão se encontrar no meio. E todos os anos passando fazem com você, por detrás da trama, fique calculando a idade dele e a idade do corpo dele, e isso mantém um ritmo interessante. Como é uma situação aversa e que não condiz com a nossa realidade, é natural ficar boa parte do filme discutindo com seu próprio cérebro para conseguir entender o que é ser como o Benjamin. É estranho quando você olha pra ele e espera a postura de uma senhor, e na verdade, ele só tem 7 anos e está descobrindo o mundo; gosto também quando o filme diz que a vida é determinada pelas oportunidades que nos aparecem, tanto as que aproveitamos como as que descartamos. E uma coisa que muito me chamou a atenção foi quando ele percebeu que, por ser o único velho no asilo a ficar cada dia mais jovem, acabaria passando pela morte de todos ao seu redor. Então, só quando a velha senhora que lhe ensinou a tocar piano (e cujo nome ele nunca soube ao certo) morreu foi que ele pôde compreender a importância dela para ele.
É impossível não falar também da maquiagem nesse filme, que foi um trabalho genial. Eles não só te convencem de um Brad Pitt com 80 e poucos anos - e depois 70, 60, 50, 40, 30, e 20 poucos - como criaram uma Cate Blanchet de 17 anos perfeitamente crível! E lindíssima, ainda nos seus 20, 30, 40, até a idade avançada. E o que fizeram com a Tilda Swinton também foi excelente. A maquiagem é praticamente um personagem no filme, é um trabalho de gênios.
"O curioso caso de Benjamin Button" é um ótimo filme para pensar sobre um tema potencial para muitos questionamentos. É longo, mas vale o queimar de neurônios. Foram muitos os que eu queimei (e muitos os momentos de raiva que eu senti do casal que sentou atrás de mim, também), mas a memória não é exatamente o melhor amigo do homem; só consegui resgatar isso. Se me lembrar de outras passagens do filme e do que compreendi com elas, volto pra comentar.

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