quarta-feira, 31 de março de 2010

"deeper into the reality of your life"

Bastante inexperiente no assunto, me aventurei com um cara em um rolo que, se tudo desse certo, caminharia para um namoro ou coisa tão séria quanto. Menos de um mês de atividade, e eu a cada dia aprendendo a dinâmica do "estar junto"; e ainda algo não estava certo. Sem perceber, comecei a rascunhar uma matriz SWOT da nossa relação, tentando relacionar as potencialidades e encontrar os pontos de insucesso.

Certa vez uma sábia me disse algo que abriu meus olhos:

"O que é de César, é de César. Não adianta procurar namorado. Namorado não se encontra, namorado aparece do nada, quando ele quer aparecer. Sabe aquela Lei de Murhpy? 'Quanto mais se procura, menos se acha'. Então, não adianta procurar namorado em boate, em sauna, em dark room, na igreja, no barzinho, no parque de diversão, nem na pinacoteca nem no museu; não vai aparecer, você só vai se decepcionar. Fica quietinho, cuida da vida, do teu ego, do teu look, da tua cultura, e aí sim você vai estar preparado e aberto para receber esse eleito. E se ele não vier, vive a vida, porque a vida é só uma. Vai que você não está destinado a ser amado?
This is a wonderful life. Beijomeliga."

Gente. Fiquei pensando nisso e trouxe o conselho para o caso; vai que eu não estivesse destinado a ser amado? Sim, porque só então eu entendi que essa é toda uma possibilidade. Logo minha análise SWOT me fez perceber que a experiência não era totalmente satisfatória, e, de repente, fiquei cheio de dúvidas sobre o futuro do rolo.

Depois de alguns dias sem ver o cara, e ao final das duas fashion weeks, reservei um dia para mim. Estava assistindo à sempre incrível Six Feet Under, no episódio #312, que me fez lembrar do meu problema; em um diálogo brilhante, o David compartilhava sua angústia com o Padre Jack:

D: - Eu estou comprometido em um relacionamento.
J: - Com o Keith.
D: - Sim. Isso deveria ser algo bom, certo?
J: - Foi o que eu soube.
D: - Eu não sei, minha vida não deveria ser... melhor?
J: - A verdade em uma relação não torna a vida melhor, David, ela torna a vida possível.
D: - Então você acha que eu devo continuar com o Keith?
J: - Eu acho que você deve fazer aquilo que mais o aprofundar na realidade da sua vida.
D: - A realidade da minha vida?
J: - Sim. Mas não a vida que você acha que pode ter. A vida que você tem.

Bom, eu não vou conseguir explicar o quanto isso falou diretamente comigo, mas naquela hora eu sabia que tinha que tomar uma decisão visando a fazer o que mais me trouxesse à realidade da minha vida, e não a vida que eu poderia ter, mas a que eu tenho.

E foi com base em tantos fatores que eu conclui não ser capaz de continuar o meu rolo.
Contudo, foi muito importante que tudo isso tenha acontecido, e as mensagens que eu captei ao meu redor foram essenciais; elas foram fatores chaves de sucesso na experiência. Sim, sucesso.
Tudo deu certo.

Por fim, repito o que disse antes: eu precisava tentar, para depois não me arrepender de não ter tentado. Tentei, e não deu certo. A culpa foi, sim, mais minha do que não-minha, e ao mesmo tempo não foi muito culpa de ninguém; duramos 1 mês, fui feliz no processo, aprendi, cresci e vivi.

E hoje me conheço mais do que nunca. Solitário, e adiante.

2 comentários:

  1. 1 - Adorei o conselho da tal sábia. Sério, serviu em mim melhor que as minhas melhores roupas.

    2 - Durou um mês? Durou muito! O máximo de tempo que já fiquei com o mesmo cara foi mais ou menos isso.

    3 - Ok, você gosta de Christina Aguilera, assiste Six Feet Under e adora fotografia. Não se espante, Joe, se de repente eu bater na sua porta com uma aliança e um pedido de casamento! <3


    Um abraço caloroso e boas vibes!

    - Marcel

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  2. Matriz SWPT eu A D O R O !!!
    Rindo muito.

    Sucesso e tente novamente. Aliás, tente sempre!!! Vale a pena sim. Veja, até a Gigi ( personagem do adorável "Ele não está tão afim de você" teve um final feliz!!

    Abraço forte.

    Guilherme

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