domingo, 16 de maio de 2010

Membro vitalício

- O amor é uma coisa cafona.

Direto do Clube dos Amargurados, o personagem do Arthur Tadeu Curado no espetáculo Canção pra dançar sem par tenta se convencer dos prejuízos do amor, disparando pérolas como:

- O coração é uma convenção social. O coração não existe.

O monólogo do recém largado é um misto de auto afirmação, questionamento de mundo, carência afetiva, abstinência sexual, descontrole, pânico, amor e saudade. Adorei o texto da Andréa Alfaia, que flui muito próximo do público (e cheio de referências cíclicas), e a complexidade do personagem, que é nada mais que a loucura que há em tantos de nós.

E duas coisas mais me impressionaram: a montagem da peça, elaborada, inteligente - embora em um cenário simples - e a atuação do Arthur, que, com expressões e entonação tão marcantes, me fez sentir as dores e os amores do personagem na pele. Em certos momentos eu não sentia o mundo ao meu redor, porque estava preso na mesma rede de angústia.

- Eu tô triste demais pra socializar. Até mesmo numa ilha.

Comentei que iria ver, e repito o serviço: Canção pra dançar sem par é mais uma peça do teatro brasiliense que me fez sair da sala bastante contente pela oportunidade.
Em cartaz só até hoje, 16/5, às 20h na Sala Multiuso do Espaço Cultural Renato Russo, na 508 Sul. Quem é (bonito) esperto e está em Brasília tem que ir ver.



Fotos by Raphael Herzog chupadas do blog do Arthur.

2 comentários:

  1. Imagina! Agradeço eu, mais uma vez. pela inspiração, pela reflexão, pelas risadas, pela emoção.
    Tá bonita a foto nova do blog.
    a gente se fala.

    [j]

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