domingo, 20 de novembro de 2016

Gatilho


Muitos meses se foram em que me ocorria aquele interesse em escrever, porém era como se me faltasse a forma, ou o saber como. Ao longo deste ano estranho, só escrevi três vezes – duas das quais mal se pode chamar escrever, mais do que ilustrar. Neste novo tempo em que os blogs foram largados às beiras da web, e o Facebook parece ser o novo canal para impressões e ideias, eu me vejo sempre mais desadequado. Sempre achei o FB cafona, nunca escondi. E sou dos que gostam de registro, catálogo, saber onde as coisas estão. Prefiro, então, postar minhas cartinhas por aqui, dispostas com tags e em alguma ordem.

Este foi meu ano sabático involuntário-improvisado. Eu deixei meu emprego no estúdio fotográfico (o mesmo onde trabalhava antes da minha viagem) porque queria me abrir à chance de novos trabalhos na área do audiovisual. E assim, uma dúzia de meses se passaram, e quando me toquei que eu não estava encontrando o que buscava, resolvi desencanar da busca por ora e aproveitar a folga pra tentar consertar uma falha pessoal ou duas. Passei a cuidar do corpo, mas não apenas com o levantar de pesos em séries, tratei de incluir Yoga e Pilates na mistura, que não custa tentar lapidar a mente na mesma receita. A Yoga tem sido uma prática mais clara do progresso pessoal, tem feito bem à minha tentativa de realinhar cabeça e corpo, além de amenizar meus níveis de ansiedade. Eu, que sempre quis ser uma pessoa mais positiva, me vi surfando ondas mentais mais dóceis, tranquilas – não durou muito, mas decerto o efeito não se desfez por completo, sigo com meus pequenos avanços.

Também usei do tempo livre para investir no meu repertório de experiências com filmes, mais vastos em estilos e em número. Já vou aos 220 títulos do ano, com o desafio de me abrir a gêneros, diretores e escolas a que costumava ter qualquer resistência. Vi muita coisa boa, muita coisa ruim e bastante coisa mediana. Como deve ser.

Pois bem; no voar desse tempo, muitas vezes pensei em retornar à escrita, que sempre me foi parceira de autoconhecimento. Mas nunca encontrava o gatilho para recomeçar, embora soubesse com firmeza que, viesse o primeiro impulso, a corrente voltaria a fluir em curso normal. Metódico, eu precisava firmar uma nova ordem para prosseguir. Cá estamos. E, dos tantos textos que só existiram em versão pensada e não chegaram a ser, nada se perdeu. O que importa é seguir adiante.

2 comentários:

  1. Que bom que você voltou a escrever, Joe! Apesar da gente nunca mais ter se esbarrado por aí, gosto muito docê! =) E adoro os posts do blog. Aliás, esses dias lembrei bastante de você. Tô vendo uma série chamada "Please Like Me" e tô achando sensacional. Você já viu? Beijocas, John.

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  2. Hey John! Quanto tempo! Como tá? Boa surpresa! Eu vivo on and off, mas sempre por aqui.
    Claro que assisto Please Like Me, série delícia de Melbourne, vejo desde que estreou. Por coincidência, tinha um post planejado pra hoje com um quote da série. Josh Thomas é meu espírito animal!
    Beijo :D

    [ j ]

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