domingo, 6 de agosto de 2017

Remédio para o foco


Conhecer o Luís foi uma das maravilhas a me surpreenderem nos meus curtos, mas proveitosos dias em Floripa. Nosso primeiro contato já foi em si curioso, e rapidamente nos aproximamos. Ele não somente ama cozinhar para os amigos, mas também incluí-los em seus programas e dividir suas experiências – e não há limites para o prazer que lhe soma doar-se a seus queridos. Foi sorte poder adentrar o seu círculo. 

Ele é um jovem homem de 56 anos que absolutamente ama viver e, brincadeiras à parte, tem muito a compartilhar. Seus passeios, que generosamente viraram nossos, renderam conversas agradáveis e, para mim, transformadoras. Eu sempre fui de depender de perspectiva alheia que me empulsione em certos cenários, e o Luís parecia ter as respostas que eu precisava já prontas, embaladas e dosadas para consumo, como pílulas que ele receita de rotina aos seus pacientes. Sim, ele é médico pediatra por ofício. E artista plástico por amor, e fotógrafo por hobby. E, como num consultório, eu me senti livre para confiar e me abrir a ele numa relação confidencial, expor a minha vulnerabilidade, os meus casos, as feridas ainda à mostra e as que seguem cicatrizando. Para tudo havia diagnóstico, assertivo e cuidadoso. É o seu instinto – cuidar, prover, tratar, mesmo depois que pendura seu jaleco.

Primeiramente, ele se assustou quando confessei que tenho fama de escroto e dificuldades em socializar, afinal sua avaliação revelava o contrário: um garoto adorável e boa companhia. Expliquei que a raiz do meu comportamento está na minha base familiar, sem estrutura, e ele, sem conhecimento aprofundado da situação, só pôde me receitar uma dose diária de "enxergue seus traços positivos". Num outro papo, falamos de relações amorosas e do gênero – outra de minhas patologias – e  citei meu trauma do Câncer de Cooper. Relatei a ocorrência mais recente, um contato feito pelo mencionado semanas antes.
Numa manhã de julho, acordei e fui checar meus e-mails. Em negrito, uma única nova mensagem roubou-me a atenção, e lia "Hey, it's Coop". Pontuei com lágrimas o final do título, antes mesmo que tivesse a coragem de revelar o corpo da mensagem.
Brevemente resumi o histórico da minha debilitação passada, chance vista pelo Doutor de compartilhar um pensamento pessoal com poder de tratamento ao meu problema; ele aconselhou que daqui adiante sempre me pergunte: Eu sou o foco? E completou: "é natural acreditar que a pessoa de fato gosta da gente, mas por vezes é um engano. Certeza que ele gostava de você? Ou ele apenas fazia parecer? Se você se doa por completo e esse alguém não ecoa, caia fora.", ele disse – ou algo assim.

Prometi me lembrar do seu conselho, em honra à sua sabedoria, em honra à minha própria. E seguimos à bela Praia da Guarda do Embaú.


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