Março já se vai, após abrir uma tesoura gigante e cortar a fita inaugural do meu quadrigésimo ano. Você me pergunta isso lá em 2008 (quando comecei a escrever isso aqui) e eu te responderia, na lata, que é a maior insanidade do mundo eu chegar aos 40 anos, sequer faz sentido. Mas por quê? Não sei.
E então, eu volto hoje, para marcar o marco de março, sob a fadiga colossal de tudo. Do mundo lá fora, e do daqui de dentro. Agora, no banho, cheguei a uma conclusão que é mais, na verdade, uma hipótese com sabor conclusivo.
Nesses últimos anos, minha frequência de escrita caiu severamente, e fui levando na justificativa de que era a canseira da rotina o meu maior impedimento; pois desconfio que, com o tempo, dos anos prolíferos e dos de escassez, eu fui me cansando, meio que desistindo de me compreender. Assim, paulatino... esse esforço incomensurável, essa tarefa infinda parece estar me vencendo.
Neste ano, este espaço completa 18 anos. Veja só, tem pessoas no mundo com essa idade que não fazem ideia do que seja um blog, e eu aqui... Ainda tentando. Há pouca coisa que eu ainda espere alcançar, afinal, com todos esses anos de imersão, ainda me sinto trocando ideia em idiomas distintos. Comigo mesmo.
Não sou ingrato. Não subtraio o valor do que eu somei com esse hábito, que, aliás, começou muito antes deste ou de blogs anteriores, mas lá no diário de papel, no meio da temporada dos meus doze anos.
É que estou cansado. O que era pra ser não foi, o que devia mudar permaneceu e, mesmo com tudo que conquistei, não consigo subir a pódio algum. I can't win. Até um vinil girando no mesmo lugar avança de faixa, e eu corro voltas ao longo do mundo mas vivo empacado.
Tudo acaba no dia que eu desistir, por fim, de mim. Que caiba ao universo domar o tempo e eleger a data, a hora, o ensejo. Até lá, eu vou e volto, levando no lombo e arrastando com os ombros pesada melancolia.

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