quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

O outro

Embora eu siga assistindo, a sétima temporada de Shameless começou meio cansada e cheia de tramas bobas, mas sei que a história tende a se consertar com o passar dos episódios. No entanto, uma das subtramas me trouxe até aqui para traçar aquele paralelo maneiro com a vida real.

O Ian descobre que o namorado tem uma amiga de adolescência com quem ele trepa ocasionalmente. Puto da vida, ele vai questionar o bonito (aliás, nossa, bonito e meio) sobre o affair, mas aí vem o twist: o namorado, Caleb, se defende com a máxima de que, por se tratar de uma mulher, o caso não conta como traição.
E agora? Se você acha que isso é sim traição, ligue para 0800-14-3311...


Mas antes de se decidir e fazer a sua ligação, voltemos à realidade: lembra aquela outra vez que eu, também falando de série, aproveitei pra confessar ter tido um rolo com um cara que estava noivo de uma mulher? Pois bem, nesta semana eu meio que, ainda hesitantemente, reatei o rolo; e o cara, tecnicamente, meio que continua noivo.

Quando esse caso começou, eu lembro de me desviar da culpa com base em teoria semelhante à do Caleb. A noiva em questão desconhece a bisexualidade do cara, e embora ainda seja injusto com ela, eu pensava que o ato pudesse não ser tão pecaminoso, levando em conta que eu não era uma outra e sim um outro. Afinal, não é culpa do cara se ele joga no time das meninas e dos meninos. Claro que a discussão jamais será assim tão simples, há que se considerar os poréns de cada lado.

Passamos vários meses sem contato, depois que eu me cansei e botei fim na história toda. Até três meses atrás, quando encontrei com ele numa festa à qual ele confessou ter ido apenas por saber que iria me encontrar, e onde demos uns amassos no banheiro, devido às altas doses de catuaba que eu já levava no rabo. Novamente, silêncio, até esta semana: depois de muita deliberação, eu mandei uma mensagem que o pegou de surpresa. Queria conversar. Como amigo. Duas taças de vinho adentro e já nos pegávamos na varanda do seu apartamento. Eu sabia que não devia, mas como queria e não queria, fui. E cá estamos. 

Da primeira vez eu debatia sobre ficar com um cara noivo, e desta vez acresci ao debate o certo e o errado em voltar a vê-lo; porque enquanto evitava, eu sabia que estaria dando passos para trás. Mas o que fazer com a vontade de me reconectar com a pessoa que me trata bem como nenhum outro o fez, quando bate aquele desejo pelo toque e cheiro e abraço e beijo e carinho e companhia? Não somos perfeitos.

E aí? Se você acha que nem é tão errado assim, disque 0800-14-3312.

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