Imagino que toda pessoa LGBTQIAPN+ reconheça, dentro da sua história, o seu momento de libertação, o dia em que a sua verdade se faz concreta e declarada. Na minha época, e antes dela, a gente se criava sob uma enorme ressalva, temendo ser descoberto como quem teme a própria morte. Eu achava que minha vida acabaria ali mesmo, e acreditava que seguiria todo meu curso às escondidas, essa sina seria meu modo normal de existir. Não sei bem como imprimir mais o desespero e o desamparo que essa sensação causava, mas era por aí. Tinha nenhuma esperança de vida além do armário.
E, vinte e três anos atrás, eu morri, essa criança temente, o adolescente trancafiado, eu sei que ele se foi, porque naquele dia minha outra vida começou. Não é hipérbole, sabe? E, por isso, a cada outubro me orgulho de novo, me recordo daquela dor imensa, daquele frio no estômago que virou calor e depois um poço, tudo em um segundo, e sei que tudo morreu. Claro, o sair do armário segue adiante com a gente, é dia a dia, mas fica mais fácil.
Hoje é dia de celebrar 23 anos, a soma dos anos e o resultado de quem me torno... Imagina ano que vem, quando fizer 24?!
Sim, hoje é dia de festa! E festa pede música, dança, pede ser feliz. Vamo de listinha? Vamo!


Nenhum comentário:
Postar um comentário