eu não sei o que dizer, e hoje o blog completa 18 anos, olha só, maior de idade, mas eu não sei o que dizer, eu nunca não soube o que dizer tanto como agora, não hoje em si, mas hoje de esses-dias, e eu nunca me senti tão alheio e tão alienígena, tão extraterrestre, desterreno, aterráqueo, tão despertencente e descompassado e desencaixado, e vazio, como hoje, e quando eu olho pros lados e pra cima, e pra dentro, eu não vejo nada e do que vejo nada entendo, e sim eu sumi mas eu tô sempre aqui, você sabe disso, eu vou e volto, e quando chamar eu tô sempre por perto, mas hoje não, e me espera, uma hora dessas eu renasço, quem sabe, se rompe a casca e eu broto de novo e abro esta página e venho e derramo dúzias de palavras com e sem sentido pra te dizer e te contar e te falar e você me ouvir e eu te ouvir e me ouvir, é que agora, hoje tá muito escuro, não tô sabendo me achar, mas não me lastimo por tal, é que hoje completo 18 anos. de correspondências. e tudo de bonito que havia pra dizer, dito foi.
sábado, 8 de agosto de 2026
achttien en gescheurd
sexta-feira, 8 de agosto de 2025
dez e sete
quinta-feira, 29 de agosto de 2024
sweet sixteen
Por volta ali dos doze anos, eu já entendia que era uma criança diferente e sentia os sinais do ostracismo que sofreria dentro de casa, derivado do distanciamento físico e emocional de um pai e dois irmãos que não sabiam lidar com minha personalidade divergente. Aos doze, eu beirava uma adolescência muito solitária, logo, tecer meu próprio universo foi meu recurso e minha salvação.
Peguei um caderno, embelezei a capa, lancei um cadeado e passei a registrar meus pensamentos, que, em sua maioria, tratavam dos garotos personagens das minhas paixões múltiplas, e dele - o professor de Educação Física por quem nutri um amor juvenil. Eu não tinha amigos, e jamais poderia dividir com outrem o que eu sentia por dentro; precisava, de alguma forma, trazer à tona tudo aquilo, o segredo era o único veículo possível, e aquele diário lacrado, a única mídia ao meu alcance.
Esses dias me peguei relembrando dessa época e me ocorreu que foi quando desenvolvi o hábito de guardar registro das coisas, fosse por memento ou por objetos imbuídos de significados e lembranças. Nada foi capaz de me tirar o registro ou o registrado. Exceto em um caso.
Quando entrei na igreja em 2005, pela segunda vez, fui manipulado a queimar e me desfazer de tudo do meu passado que não fizesse "parte do plano de vida que deus tinha para mim", e, uma vez parte da seita, aceitei sofrer o crime velado de coerção e queimei meus pertences: os CDs que eu havia conquistado com o salário do meu trabalho, as revistas de nu masculino, outros itens que traziam memórias "impuras", e - certamente - meus diários da adolescência. Tudo se desfez em cinzas e pó numa grande fogueira, e assim os registros de uma parcela da minha vida foram apagados para sempre. Mas não se me apagaram seus eventos, que isso ninguém me roubará. Aquela noite remonta ao maior arrependimento da minha vida, que eu daria um mundo para poder voltar no tempo e consertar. Contudo, um único pedaço da minha intimidade salvou-se do atentado, e sobrevive até hoje. Não lembro ao certo por que não levei também este ao fogo, só sei que, gratamente, o fiz. Meu primeiro diário segue comigo, material e precioso.
E em 2008, já familiarizado com a rede social dos blogs, dei luz a este espaço, meu registro, meu diário, minha caixa de cartas, tão querido, parceiro, companheiro de vida. Este blog sou eu, e, hoje, completa 16 anos e 3 semanas (é, não consegui me organizar para registrar o aniversário no dia 08/08, como esperado 😅). Sou feliz demais por tudo que tenho salvo aqui, tão bem organizado e acessível; feliz pelo hábito de escrever, registrar, anotar, compartilhar, guardar - e, com isso, mudar, crescer, maturar. Mudança é chave, e este acervo, a que tenho a chance fortuita de recorrer sempre que quero, é minha valiosa herança. Este diário aqui é à prova de fogo, e segue comigo até o fim.
Feliz aniversário, Dear Benin! Feliz dezesseis anos!
terça-feira, 8 de agosto de 2023
quinze, ondeante
Num dia de junho, de férias na minha querida Natal, fui me deitar ao sol e banhar a pele de luz e calor nas areias da praia de Ponta Negra, não colado ao pé do Morro do Careca, como de costume - dessa vez, mais avante, para lá da muvuca praieira.
Às tantas, sentei meu coco gelado na mesa, nós dois gotejando suor; enfiei meus pertences na bolsa e, quando fiz que ia guardar meus óculos de sol, hesitei e tornei a cobrir os olhos, protegendo do cobre solar de fim de tarde. De sunga e com as lentes na cara, rumei àquele imenso corpo de água inquieto, atrás de conforto.
Bastou meia-dúzia de ondas me vir de encontro, que uma braçada d'água me nocauteou e, quando me recompus, meus óculos já não mais me guardavam as vistas. É, o mar é um bicho impiedoso, não houve negociação: por mais que eu apalpasse seu fundo arenoso com lances de polvo, ele não devolveria meu acessório - e ainda eram óculos de grau, mas o mar com isso pouco se importa.
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| A plenitude que antecede a perda. |
Eu sabia que arriscava perdê-los, vislumbrei o sucesso e a falha no meu breve titubeio, e assim mesmo encarei o oceano. Ali, diante do extravio, mirei no balançar bravio da água, e constatei que o que é, é. Senti muito, mergulhei, deixei que uma onda - irmã daquela - me engolisse por um instante, e com ela o mar lavou tudo: o instante, a esperança, a barganha, a perda.
Saltei afora da sua espuma e vi que o mar me abraçava, o sol me acalentava, a água me refrescava, o sal me amparava, a areia me sustentava, e as ondas me chacoalhavam a toda direção, trazendo mudança, ímpeto, estâmina, movimento. Evolução. Logo eu, sempre tão relutante em abrir a mão e largar? Ora, e quem é capaz de segurar o mar? Deixa a onda levar!
E assim como viver, se nos é forçado a mudar o olhar, tão rápido ele se adapta a ver que o que é, é. Posso encarar o mar sem medo de perder ou falhar, porque, no fim, o mar não me tiram.
E hoje já faz quinze anos que escrevo aqui, e conto de ondas que atravessei, mares que mergulhei; tombos, respiros e regozijo. Eita, quantas águas já rolaram! Por vezes eu nado, por outras eu nada.
Mas, do mar ninguém me tira.
〰️ Ano 9 . Ano 10 . Ano 11 . Ano 12 . Ano 13 . Ano 14
Feliz 15 anos! 🌊
segunda-feira, 8 de agosto de 2022
14 (catorpe)
Eu pouco sabia ou podia conjecturar os rumos que traçaria, por mais que os tentasse planejar, lá em oito do oito de dois mil e oito, quando saltei de outro endereço virtual para este aqui, propondo uma nova forma de participar da moda da época –o blog–, que me servisse um propósito pessoal, e não só o de uma das primeiras redes sociais (que aliás, difícil era prever que essas tomariam tamanha proporção e oferta diversa). No fundo, havia um jovem muito confuso que só queria se entender e não parou de tentar. Catorze anos se vão, e ainda tento.
Eu tenho feito tanto esforço pra estreitar esse laço com o eu mesmo, mais do que nunca eu tenho tentado, mas com o voar do tempo e a quilometragem cansada e a distância faltante, eu vejo que temo o que vou aos poucos descobrindo. Não tenho certeza se vale a pena esse mergulho afundo adentro, não sei se ainda me resta apreço por explorar essa caverna: no escuro, na profundeza, quanto bicho se esconde!
Eu tô por aqui, eu vou estar sempre por aqui, e você comigo, eu e você. E no cruzar dos anos, escrevi tantas palavras cheias, belas linhas:
Mas agora, não há o que me importa dizer; nada importa.
Agora, eu não quero falar.
domingo, 8 de agosto de 2021
[ treze anos de solidão ]
Eu tenho me sentido um vovô da internet, o último pré-histórico digital ainda perdido neste deserto pós-apocalíptico, onde, abandonada, restou a antes rica e próspera rede de blogs. Tudo que brotava por aqui, toda a carga de expressão pessoal dos conterrâneos de outrora, exportou-se para as mídias novatas e por lá se perdeu numa amálgama banalizada, plástica e insossa de imagens cenográficas, textões presunçosos e anúncios questionáveis.
sábado, 8 de agosto de 2020
] Agridoze [
Mais do que nunca, como civilização, é fundamental entendermos a importância da História, saber olhar os movimentos do passado. Estão aí os fatos, que não me deixam passar por mentiroso, nem exagerado.
Aniversário em quarentena tem esse efeito estranho, como se o evento
tivesse a opacidade alterada e se perdesse numa névoa no tempo; tem
gosto estranho, amargo, de borra, de escuro, de medo. De todo modo, eu
precisava vir carimbar o marco dos anos, que já são 12, número
cabalístico. Doze anos já são mais que um terço da minha vida. Terço é
outro que se repete por aqui com frequência.
Doze invernos neste endereço, morada minha, e tanto cresci escrevendo aqui; cruzei uma ponte entre o pós-adolescente e o pré-homem-feito. Ainda que a blogosfera tenha sido abandonada, como terra infértil, eu fico. Aqui está guardado um punhado e meio da minha história – que eu sei o quanto é valioso relembrar, aprender, respeitar. Ainda hoje releio e sei o que pensava, sentia, o que queria dizer e o que queria ouvir.
São doze oito-do-oitos. Não vou florear muito desta vez, pois sinto que já disse coisas lindas pra marcar o meu carinho para com o correr dos ciclos que eu volto, perseverante, a circundar neste lugar. Doze anos neste canto, aconchego meu. Benin, querido.
domingo, 11 de agosto de 2019
11:11
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| 2008 | 2019 |
Onze
Uma vez eu escrevi, e meu eu se abriu para si, e para o mundo, e eu falei e ouvi e pausei e vivi, e nunca mais parei: Querido Benin,...
foto (2019): Debora Mariano
terça-feira, 25 de dezembro de 2018
iBenin X
terça-feira, 8 de agosto de 2017
[ nove anos ]
foto: Jacaré
segunda-feira, 8 de agosto de 2011
Três Melhores
Foi-se o segundo.
E se foi o terceiro ano. Certamente, o mais intenso, o mais funcional. Madurei ao longo das cartas postadas e dos tempos de silêncio. Cavei até mais perto da essência, descobri, adaptei. Sorri fartos sorrisos de alegria, chorei as dores da experiência. Sofri, porque precisava entender, e entendi - mais do que esperava, muito do que desejava.
Cada palavra que eu não disse, você ouviu quieto. E a cada urgência, você segurou minha mão e me supriu com o seu abraço unilateral. Meu amado Benin, sábio e paciente, complacente. Juntos, somos 3. Bastante trindade.
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Foi um ciclo especial: 206 posts e muitos amigos e outros leitores cruzados. Teve Twitter, Tumblr e YouTube. Teve graça, gente bonita e quilômetros de bagunça interna. E uma nova insígnia.
Começo o quarto ano às vésperas da mudança maior - não podia ser mais simbólico do que isso. E assim, a novidade tem sido aprontada para breve - afinal, restam três semanas. No quarto ano é esperado crescimento em esferas mais amplas; aqui dentro e lá fora, na vida. Crescer mais para aprender sempre.
Certamente.
XO
domingo, 8 de agosto de 2010
sábado, 8 de agosto de 2009
Era uma vez...
Olha só! Passou. O primeiro ano do Dear Benin termina hoje. Tecnicamente, o DB existe desde fevereiro de 2007 no Blogger.com.br com o nome From Joe, mas quando migrei pro blogspot, mudei a essência do blog e, pra mim, foi um recomeço.Eu sou tipo isso.










