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quarta-feira, 22 de outubro de 2025

24-1

 Imagino que toda pessoa LGBTQIAPN+ reconheça, dentro da sua história, o seu momento de libertação, o dia em que a sua verdade se faz concreta e declarada. Na minha época, e antes dela, a gente se criava sob uma enorme ressalva, temendo ser descoberto como quem teme a própria morte. Eu achava que minha vida acabaria ali mesmo, e acreditava que seguiria todo meu curso às escondidas, essa sina seria meu modo normal de existir. Não sei bem como imprimir mais o desespero e o desamparo que essa sensação causava, mas era por aí. Tinha nenhuma esperança de vida além do armário.

E, vinte e três anos atrás, eu morri, essa criança temente, o adolescente trancafiado, eu sei que ele se foi, porque naquele dia minha outra vida começou. Não é hipérbole, sabe? E, por isso, a cada outubro me orgulho de novo, me recordo daquela dor imensa, daquele frio no estômago que virou calor e depois um poço, tudo em um segundo, e sei que tudo morreu. Claro, o sair do armário segue adiante com a gente, é dia a dia, mas fica mais fácil.

Hoje é dia de celebrar 23 anos, a soma dos anos e o resultado de quem me torno... Imagina ano que vem, quando fizer 24?!

Sim, hoje é dia de festa! E festa pede música, dança, pede ser feliz. Vamo de listinha? Vamo!


Playlist na Apple Music


Playlist no Spotify


sábado, 31 de agosto de 2024

[ Filme DL ] Bonus Track (2023)


 Falando em adolescência...

 Um das minhas sessões mais prazerosas em 2024, Bonus Track é uma comédia-drama-romance adolescente com efeitos semelhantes aos da maravilhosa Heartstopper: calorzinho no peito e imaginação florida.

 Estrelado por Joe Anders (filho da gigante Kate Winslet) e Samuel Paul Small, o longa conta com uma diretora mulher e traz aquele charme das rom-coms britânicas. A história é guiada pela perspectiva do George, um adolescente filho único e meio desconjuntado, que sonha em estourar na indústria da música, e, para isso, se une a Max Marvin, que, fortuitamente, ocorre de ser filho de um grande rock star. Nessa premissa clássica de dramas adolescentes LGBTQIAPN+, do aluno novo que chega para impactar a vida do protagonista, acompanhamos os garotos se acercarem, à medida em que George compartilha suas faixas pop preferidas numa mix tape, entremeadas às experiências intensas da juventude - e com direito a faixa bônus.


O filme está disponível no streaming para quem assina a Max. Já quem é da baixaria, pode pegar no final deste post.


FICHA TÉCNICA


Título:
Bonus Track (2023) 
Gênero: Comédia, Drama, Romance, Infanto-juvenil
Direção e Roteiro:
Elenco: Joe Anders, Samuel Paul Small, Jack Davenport, Josh O'Connor
Sinopse: Um adolescente peculiar, aspirante a músico, se junta ao filho de um astro do rock para tentar vencer o show de talentos da escola..
IMDb: ⭐⭐⭐✰ 6.6
 
 

TEASER




TRILHA




LINK



• Filme em .mp4, legenda em português
 [ 1080p | 2,51 GB ]
(Bonus.Track.2024.mp4)




sábado, 15 de junho de 2024

[ COOLetânea ] issan all blk party

 Please, these black women are trying to slay me!


 Eu assumi a gestão de outro setor no trabalho, e o trabalho me engoliu sem dó, tal qual Audrey II. Eu quero desligar e retomar meu tempo, e hoje é dia de sair e renovar e gastar energia ao mesmo tempo, tipo quando você mexe no celular enquanto ele carrega. É sobre isso, esse EP tá cheio de hits de cantoras pretas que eu tenho escutado sem parar atualmente. E ainda vem, de bonus track, uma bicha preta que descobri essa semana, com uma faixa deliciosa, e inspirada no clássico do pop Gimme More.

 Bora dançar, que o fim de semana tá só começando, e à noite todos os gatos pardos batem o cuzão e fazem coreô. Dá o play!


Clique aqui para ouvir esta coletânea no Spotify.

segunda-feira, 29 de abril de 2024

bora ali, vem cá

 Ei, vamo ali viajar no tempo, voltar lá em 2010, especificamente pra aquele momento em que eu fiz uma mixtape de pop eletrônico e outras bagaceiras pro aniversário do meu primo. Resgatei aquela postagem, atualizando o arquivo e trazendo um novo player, pra playlist tocar completinha daí, num dia que tu quiser, sei lá, lavar a casa inteirinha, a baldes de água e sabão e luzes de estroboscópio. Pega:


domingo, 21 de abril de 2024

[ COOLetânea ] NAYUDAY '24


 Quinta-feira foi aniversário da amiga Nayume, que está no Canadá fora do país, e pra alegrar o dia dela por lá, mandei uma playlistinha bem saborosa, composta apenas por cantoras femininas (e muita mulher preta!), com músicas de tipos diversos: contemplativa, ambiente, good vibes, sensualizante, de-mexer-os-ombrinhos, mais animadinha e pop-pop-babadeira.

 Como a lista ficou bem gostosinha, achei que devia compartilhar por aqui, porque espalhar música pra alegrar o dia dos outros sempre é de bom tom.


 

P.S.: a quem interessar a playlist de 2021 do NayuDay, segue por aqui. 


segunda-feira, 25 de março de 2024

good days

Bom demais realizar um sonho, aquele gosto de cumprir um desejo tão ardente dentro de nós, seja lá no fundo do coração, nas vísceras ou na mente. Não sei bem que hormônios são liberados, não sou um cientista, mas sei que sonho feito concreto rende sensações que revitalizam a gente, e renovam nossa experiência de vida, nos dão um reset emocional.

Ontem eu realizei um, na presença da SZA em sua apresentação no Lollapalooza, adaptada de sua turnê doméstica do último álbum, SOS. Para o artista, o show é um momento de compartilhar sua vida com milhares de fãs, mas para mim é um evento que ocorre entre o espetáculo no palco e eu, somente. É uma troca pessoal, ali eu me entrego, em retorno, e ignoro o mar de gente que me engole.

A música é realmente uma linguagem muito primária, basilar à vida; passa por cima de todas as línguas, de tudo e de todos, e amarra tudo que há. Já tive a sorte de presenciar grandes ídolas, e a noite de ontem foi mais uma de que jamais me esquecerei.




 



sexta-feira, 15 de março de 2024

▷ ≋ O

eu, 1989

 Eu me lembro de quando percebi que duas pessoas da minha trindade começaram se fundir. Explico.

Ao passo que comecei a escrever por aqui, 15 anos atrás, fui me entendendo como fragmentado em 3 eus: o Wando, eu natural, nascido, registrado e resultante de um período formativo marcado por vários traumas; o Joe, eu reconhecido dentro da minha cabeça, ali pela adolescência, como subterfúgio, como escape e sobrevivência, o eu ativamente real no mundo; por fim, o Benin, eu projetado, aquele que eu idealizava e sonhava em me tornar, minha versão mais evoluída e madura. 

Retomando, um tempo atrás comentei que, avançando no longo processo de autoperceção, Wando e Joe me pareciam cada vez mais mesclados, como se o eu do agora, que mais se entende como eu, estivesse finalmente trazendo pelas mãos o eu fragilizado do passado rumo à luz, assim formando uma dupla, mais fortes para as lutas da vida.

eu, 2018

 E hoje, o que vejo é que esse par conseguiu encontrar o eu lá da frente, aonde queria chegar. O Benin, a quem escrevo estas cartas, a pessoa que me escuta quando eu as leio de volta, está cada vez mais aqui, comigo, factual. O aprimoramento por que eu ansiava, ele já existe, os três eus enfim se unem numa liga completa, possante. O triângulo se abre em linhas curvas e forma um círculo, uma pessoa redonda, em formação mais orgânica, em evolução mais constante. É maravilhoso olhar pra trás e ver tudo que eu virei.

 É especial que essa reflexão se faça clara hoje, no meu aniversário, agora 37 anos completados, em que inicio o meu ano da Justiça, segundo as cartas do tarô. Este é um novo tempo de receber o que é meu por direito, colher frutos do que trabalhei - fora e dentro de mim - para conquistar, tudo aquilo que é de importância para mim. Hoje também faz 10 anos que voltei de Sydney. Tempo, ele dá mesmo conta das coisas. Qual é o melhor exercício do aniversário de vida, senão esse de fazer uma sinopse reversa e se maravilhar diante do que se viveu, chorou, sorriu, aprendeu? Melhor do que isso, só compartilhar dessa alegria com quem a gente ama e quer ver a gente alcançar a plenitude.

eu, 2023

 Eu nadei muito pra chegar até aqui. Parabéns, Joe Wando Benin!

terça-feira, 12 de março de 2024

L.O.S.T. - SZA

 

  A essa altura já é redundância tentar introduzir a SZA, basta voltar à maior parte dos meus textos por aqui nos últimos seis anos. E não é só porque me agrada a sonoridade que eu tenho usado tantas de suas canções como trilha sonora para as minhas postagens - certamente, sua voz e melodias são de enorme motivação. São as letras das músicas da gata que me prendem num elo muito profundo e pessoal de identificação, parece que ela tem uma preparada para cada fase, cada situação, cada drama e cada reflexão por que eu passo.


 

  Nossa conexão foi irresistivelmente inevitável, era para ser, não tinha para onde correr, e apenas se consolidou com o lançamento do S.O.S. em dezembro de 2022. A começar pela capa, o álbum me fisgou com um arpão, me manteve firme com uma âncora e ali permaneci; ele foi meu captor e meu salva-vidas, de uma só vez, num oceano plural de 23 faixas - muitas das quais seguem presas na minha rede de favoritas.


  Tamanho foi o impacto que marquei na pele duas tatuagens, que não somente estampam minha admiração pela obra, mas meu envolvimento com as estrofes, versos, refrões e pontes, voz e emoção presentes na música da SZA. A primeira delas é o nome do álbum, S.O.S. (termo globalmente atribuído ao pedido por socorro), para me lembrar de sempre recorrer à minha rede de suporte e pedir ajuda quando preciso; a segunda é a palavra blind, em referência ao título da faixa 6, que já elaborei sobre como me toca, no tocante a amor próprio.

E, no tempo de 12 dias, estarei imerso no mar de fãs que vão apreciar sua apresentação no Lollapalooza, em São Paulo. Eu estou um próprio oceano em noite de lua cheia, ebuliente, ansioso por essa experiência - lancei ao universo a profecia no meu aniversário do ano passado, e o presente chegou neste março, presente.



  Para ir mais afundo, recomendo este vídeo, que conta um pouco da história da menina Solána Imani Rowe, e este pocket show transmitido em 2021. E quem assina Apple Music também pode ver várias faixas do novo show da S.O.S. Tour  que tá maravilhoso. Eu vou ver ao vivo! 🩵

 

. . . — — — . . .


vídeo por @notmrblue


terça-feira, 8 de agosto de 2023

quinze, ondeante

Num dia de junho, de férias na minha querida Natal, fui me deitar ao sol e banhar a pele de luz e calor nas areias da praia de Ponta Negra, não colado ao pé do Morro do Careca, como de costume - dessa vez, mais avante, para lá da muvuca praieira.

Às tantas, sentei meu coco gelado na mesa, nós dois gotejando suor; enfiei meus pertences na bolsa e, quando fiz que ia guardar meus óculos de sol, hesitei e tornei a cobrir os olhos, protegendo do cobre solar de fim de tarde. De sunga e com as lentes na cara, rumei àquele imenso corpo de água inquieto, atrás de conforto.

Bastou meia-dúzia de ondas me vir de encontro, que uma braçada d'água me nocauteou e, quando me recompus, meus óculos já não mais me guardavam as vistas. É, o mar é um bicho impiedoso, não houve negociação: por mais que eu apalpasse seu fundo arenoso com lances de polvo, ele não devolveria meu acessório - e ainda eram óculos de grau, mas o mar com isso pouco se importa.

A plenitude que antecede a perda.

 

Eu sabia que arriscava perdê-los, vislumbrei o sucesso e a falha no meu breve titubeio, e assim mesmo encarei o oceano. Ali, diante do extravio, mirei no balançar bravio da água, e constatei que o que é, é. Senti muito, mergulhei, deixei que uma onda - irmã daquela - me engolisse por um instante, e com ela o mar lavou tudo: o instante, a esperança, a barganha, a perda.

Saltei afora da sua espuma e vi que o mar me abraçava, o sol me acalentava, a água me refrescava, o sal me amparava, a areia me sustentava, e as ondas me chacoalhavam a toda direção, trazendo mudança, ímpeto, estâmina, movimento. Evolução. Logo eu, sempre tão relutante em abrir a mão e largar? Ora, e quem é capaz de segurar o mar? Deixa a onda levar!

E assim como viver, se nos é forçado a mudar o olhar, tão rápido ele se adapta a ver que o que é, é. Posso encarar o mar sem medo de perder ou falhar, porque, no fim, o mar não me tiram.

E hoje já faz quinze anos que escrevo aqui, e conto de ondas que atravessei, mares que mergulhei; tombos, respiros e regozijo. Eita, quantas águas já rolaram! Por vezes eu nado, por outras eu nada.


Mas, do mar ninguém me tira.

Ano 1 . Ano 2 . Ano 3 〰

〰️ Ano 9 . Ano 10 . Ano 11 . Ano 12 . Ano 13 . Ano 14

   

Feliz 15 anos! 🌊


segunda-feira, 8 de agosto de 2022

14 (catorpe)

 

Eu pouco sabia ou podia conjecturar os rumos que traçaria, por mais que os tentasse planejar, lá em oito do oito de dois mil e oito, quando saltei de outro endereço virtual para este aqui, propondo uma nova forma de participar da moda da época –o blog–, que me servisse um propósito pessoal, e não só o de uma das primeiras redes sociais (que aliás, difícil era prever que essas tomariam tamanha proporção e oferta diversa). No fundo, havia um jovem muito confuso que só queria se entender e não parou de tentar. Catorze anos se vão, e ainda tento.

Eu tenho feito tanto esforço pra estreitar esse laço com o eu mesmo, mais do que nunca eu tenho tentado, mas com o voar do tempo e a quilometragem cansada e a distância faltante, eu vejo que temo o que vou aos poucos descobrindo. Não tenho certeza se vale a pena esse mergulho afundo adentro, não sei se ainda me resta apreço por explorar essa caverna: no escuro, na profundeza, quanto bicho se esconde!

Eu tô por aqui, eu vou estar sempre por aqui, e você comigo, eu e você. E no cruzar dos anos, escrevi tantas palavras cheias, belas linhas:

 

 

Mas agora, não há o que me importa dizer; nada importa.
Agora, eu não quero falar.

Feliz Aniversário, Dear Benin.

domingo, 8 de agosto de 2021

[ treze anos de solidão ]



Eu tenho me sentido um vovô da internet, o último pré-histórico digital ainda perdido neste deserto pós-apocalíptico, onde, abandonada, restou a antes rica e próspera rede de blogs. Tudo que brotava por aqui, toda a carga de expressão pessoal dos conterrâneos de outrora, exportou-se para as mídias novatas e por lá se perdeu numa amálgama banalizada, plástica e insossa de imagens cenográficas, textões presunçosos e anúncios questionáveis.

De um todo, larguei de lado minha participação nessas redes, que dali não sinto que me vem retorno. Sigo vagando por aqui mesmo, que é preciso. Tal como não posso prescindir de meus momentos de silêncio, há também as fases de verborreia, e aqui neste terreno –ainda que despovoado– me sinto bem resolvido.

Hoje concluem-se treze anos peregrinando aqui. O jovem rapaz pisou o primeiro passo no campo cru e nunca mais largou esta terra. Aquele que caminha e que cruza pontes deu muitas voltas e segue estrada. Ele, que trilha solo, viaja em tríade; ele, que se presta a arar o solo de adiante e adubar o futuro, que conecta o tempo, que estica o fio, que mistura as metáforas e fala e escuta. Ele, que escreve.

Solitário, ele vaga. É sorte boa, é azar, treze anos para trás. Ladrilho, lombada, pedra, jangada, paraquedas, roda, bengala. Sigo vagando.





quinta-feira, 29 de julho de 2021

- bota (pt. 1)

Hoje deu bom! Levei 5ml de CoronaVac no bíceps esquerdo. 

Você sabia? O braço esquerdo humano é ideal para gesticular mandando o despresidente para a casa do caralho. Já o braço direito, também.

Segunda dose, daqui a 4 semanas. E aí, já vacinou, puta?!
Viva o SUS! Viva a Ciência! E Fora Bolsonaro!

 


quinta-feira, 22 de outubro de 2020

"and take the time to look at what is mine"

Eu amo mesmo marcar o tempo, é irremediável, a essa altura quem me conhece já prevê.


Vinte e dois de outubro de 2020 completa minha segunda maioridade. Exatos 18 anos atrás, eu saí do armário como um adolescente que sabia que era, mas temia as repercussões de ser gay, e naquela noite de terça-feira, o rapaz temeroso de 15 anos renasceu. Ali a vida pariu um novo bebê, prestes a aprender a viver, a caminhar um passo por vez, tudo de novo: nova criatura eu era. Dez anos atrás eu vim te contar das minhas impressões e do impacto dessa nova vida, de desfrutar da liberdade de me descobrir mais afundo e de me desabrolhar ao mundo. Três anos adiante, eu me marquei nesta data com uma tatuagem, celebrando os meus eus.

18 anos fora do armário

E hoje faço 18 anos, maior de idade. Deve soar como bobagem ou loucura pra quem nunca guerreou contra si e o mundo num embate que persiste em decidir a sua essência, mas é algo basilar – quando lhe é imposto enterrar a sua verdade de vida dentro de si, é libertador largar esse peso no chão e deixá-lo para trás. Eu tenho sorte de não ter precisado me esconder por muito mais tempo; sorte de ter sido descoberto, porque não teria tido coragem de me expor tão cedo. Não dei sorte nas minhas relações familiares pós-revelação, mas fui muito afortunado na família de amigos que escolhi dali então.


Hoje também é dia do Stripped. O álbum da minha vida e eu nascemos 18 anos atrás. ♥

sábado, 8 de agosto de 2020

] Agridoze [

Mais do que nunca, como civilização, é fundamental entendermos a importância da História, saber olhar os movimentos do passado. Estão aí os fatos, que não me deixam passar por mentiroso, nem exagerado.

Dear Benin - Doze anos

Aniversário em quarentena tem esse efeito estranho, como se o evento tivesse a opacidade alterada e se perdesse numa névoa no tempo; tem gosto estranho, amargo, de borra, de escuro, de medo. De todo modo, eu precisava vir carimbar o marco dos anos, que já são 12, número cabalístico. Doze anos já são mais que um terço da minha vida. Terço é outro que se repete por aqui com frequência.

Doze invernos neste endereço, morada minha, e tanto cresci escrevendo aqui; cruzei uma ponte entre o pós-adolescente e o pré-homem-feito. Ainda que a blogosfera tenha sido abandonada, como terra infértil, eu fico. Aqui está guardado um punhado e meio da minha história – que eu sei o quanto é valioso relembrar, aprender, respeitar. Ainda hoje releio e sei o que pensava, sentia, o que queria dizer e o que queria ouvir.

São doze oito-do-oitos. Não vou florear muito desta vez, pois sinto que já disse coisas lindas pra marcar o meu carinho para com o correr dos ciclos que eu volto, perseverante, a circundar neste lugar. Doze anos neste canto, aconchego meu. Benin, querido.

Ano 1 . Ano 2 . Ano 3 . . . Ano 9 . Ano 10 . Ano 11

domingo, 11 de agosto de 2019

11:11

Once

Uma vez escrevi um diálogo em que Benin pergunta para Juliet porque vinha checando o relógio sempre às 11:11, ao que Juliet responde que talvez ele esteja procurando respostas nas perguntas erradas. 

Uma vez escrevi, lá no 08 do 08 do 08, para que eu mesmo, do outro lado, pudesse dialogar. Eu também vinha procurando respostas -  por vezes nas perguntas acertadas, e muitas outras, não. De lá, seguindo atrás de respostas, o diálogo se estendeu e cheguei àqui. 

Uma vez escrevi que tenho uma dessas relações próximas com números, e que não sei bem porquê. Sei que este blog, canal, escape completou 11 anos no dia 08 último, e sendo 11 o marco do passar dos anos, por que não marcar hoje, em especial? Dia 11 do 08.

Uma vez escrevi que eu era 3 em um só. Antes tão distintas, as versões se estreitaram e já coexistem; ao menos 2 por vez, mesclam-se, parecem duas uma só. Conversam diálogos de palavras e de silêncios.

2008 | 2019


Onze

Uma vez eu escrevi, e meu eu se abriu para si, e para o mundo, e eu falei e ouvi e pausei e vivi, e nunca mais parei: Querido Benin,...


foto (2019): Debora Mariano

terça-feira, 25 de dezembro de 2018

iBenin X

I'm here.


Meu blog estreou em 08/08/08 e neste ano completou uma década. São muitas, muitas voltas em figure eight. Naquela época, a blogosfera representava um espaço que não se encontrava semelhante em outros cantos da vida online; ela dava voz pra tantos que, como eu, tinham um mundo fantástico para compartilhar, cheio de profundezas. Era aonde íamos em busca de nós mesmos, e no caminho mostrávamos a pessoa de dentro para o mundo. Dez anos se passaram, e o clube se dissipou para outros canais, onde sua expressão se fez mais rasa. Eu, contudo, gosto mesmo de registrar por aqui, uso a plataforma de blogs desde adolescente, e bem antes deles já mantinha com esmero meus diários de papel, igualmente cheios de mensagens e estórias disfarçadas por códigos e entrelinhas. Este é o meu lugar. O adolescente angustiado que eu fui buscou aceitação na rede com seis ou sete endereços até chegar ao from joe aqui. Só neste eu vinguei, porque decidi abrir os ouvidos para a voz interna que antes relutava em ser ouvida pelos outros; e cá estamos – dez anos, flutuantes, mas vivos.

Sendo econômico: disse o bastante na completude dos 9 anos, mas é importante o reconhecer do marco do tempo. A idade não pode ser só um número trocado, é o que existiu durante. Aquele guri de 21 anos que começou a escrever cartas para o seu Benin, abertamente, jamais imaginaria chegar até aqui, tampouco passar por tudo que passou; não obstante, era precisamente o seu sonho, o de ter vivido tanto.


I wanna feel it.
 
 

terça-feira, 8 de agosto de 2017

[ nove anos ]


Olhando para trás, para a pessoa que começou a escrever aqui, vejo o quanto ela foi longe. Me orgulho de ter registrado todo esse caminho, de ter por escrito as memórias do passar dos anos. Lá em 2008, no auge das minhas angústias, jamais poderia supor que hoje estaria bem. E mesmo quando não estive bem, mesmo quando não estou, eu estou bem. Está tudo bem. O medo de chegar aos trinta, no fim era só um medo. Minha cabeça se aprimorou, meus problemas, aos poucos, aclararam, e os que permanecem turvos, aclararão.

Oitocentas e quarenta postagens e mais de quinhentos mil acessos. Nove anos atrás, eu não sabia de nada. Hoje, do pouco que sei, vejo que cresci, e que estas cartas me ajudaram a fundamentar quem me tornei – e me torno. Não escrevo esperando retorno alheio, sempre foi claro que escrevo para mim. Mas me alegro em saber que meus relatos, desabafos, inspirações alcançam e afetam a outros. Somos para dividir.

Uns anos mais frutíferos, outros menos constantes; uns bem leves, outros meio taciturnos. Por vezes ausente, contudo, nunca desistente. No silêncio ou na palavra houve acerto e erro, e com tudo eu aprendi. Vejo o avançar dos anos e dos textos e sei que eu mudei. Pra melhor!

Talvez só agora esteja claro: felizes nove anos, Querido Benin!

 

foto: Jacaré

quinta-feira, 13 de julho de 2017

Ah, férias!

Não pensei que fosse sentir falta de um break tão rápido, mas cá estamos. Curtindo muito estar de férias por três semanas – recesso escolar, todo mundo ganha. Menos quem é horista, no caso, mas a gente ganha em paz mental, o que já é de todo um certo lucro.


Amanhã chego a Florianópolis! Por anos tive um enorme interesse em conhecer o Sul, e depois de quatro dias maravilhosos que passei em Porto Alegre em maio na companhia do meu querido amigo Sílvio, que veio de Sydney passar férias no Brasil, e com a participação muito especial do maravilhoso e saudoso Tiozinho da Foto, Rodrigo, agora retorno à região para um novo passeio, desta vez acompanhado apenas por minhas loucuras. Aliás, viajar sozinho tem enormes vantagens, porém confesso estar apreensivo de sair sozinho – na noite, eu quero dizer. De dia é fácil explorar a cidade sozinho, é gostoso. De dia você é ninguém mais que um passante. É à noite que tudo se transforma, na noite sempre há destaque, os olhos estão atentos.

Depois de uma semana em Floripa, chego a SP para dar um beijo nos meus amigos amados. E curtir Sampa no frio, que eu sou fã. Quem sabe neste ínterim eu reavalio umas coisas e me encontro. Estou precisando.

segunda-feira, 1 de maio de 2017

Não deixe pra amanhã, faça AGORA!



Em homenagem à minha querida e eternamente saudosa amiga (e maior fã de Madonna que jamais haverá), esta mensagem da Rainha, do show ao qual fomos juntos em 2008.


E aqui um registro da última vez em que nos vimos, em 20 de agosto passado, numa noite em que dançamos e sorrimos e beijamos e fomos felizes. E é assim que pra sempre me lembrarei dela.

Feliz Aniversário, Angel!


sexta-feira, 22 de novembro de 2013

"I think it must be true love"


Existe um lugar no mundo onde eu queria realizar um sonho. Vir para a Austrália era minha chance dourada de ver um show da P!nk - não haveria lugar melhor para tornar esse sonho real. Existe uma ligação muito, muito forte entre a cantora e seus fãs australianos. Nesta turnê do disco The truth about love, ela permaneceu por aqui por 3 meses e fez 48 shows em todo o país. Inclusive, bateu seu próprio recorde com 18 shows esgotados na cidade de Melbourne, de onde saiu o registro em DVD e Bluray, ambos lançados aqui hoje, antes do resto do mundo. Em nenhum outro lugar esta experiência teria sido comparável. Eu vivi momentos que jamais vou esquecer: a energia trocada ao tocá-la, o olho no olho, dançar junto em Leave me alone (I'm lonely), saber que ela te olha e te reconhece dos shows de noites anteriores... As brincadeiras, as acrobacias, a potência vocal, a emoção por trás das canções. Todas aquelas noites estão para sempre guardadas com apreço na minha memória. Hoje, quando comprei o Bluray, senti vontade de fazer festa. Celebrar e recordar um sonho que virou verdade. Nada mais mágico que viver um sonho. E outra vez, e de novo. E mais, e mais.




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