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terça-feira, 31 de dezembro de 2024

highligths in the dark. my 2024 favorites

 Eita, que dentro desse espaço de tempo conturbado que foi 2024, vivi perrengues, mas posso chegar aqui, na hora derradeira, dizendo que dei o que pude, dei o meu máximo e foi enorme. Sim, tô de bolsos vazios, mãos abanando, mas fiz o que me propus. Peguei o punhado das preocupações debilitantes que sobraram e joguei ao mar, reafirmando que não importam. Isso aqui, o que foi, tudo e tal, nada importa.

Pra não encerrar tão em branco, listo aqui as melhores produções a que assisti neste ano, sem ordem específica de preferência:


filmes


All of us strangers (2023)

Bonus Track (2023)

Femme (2023)

It's what's inside (2024)

Longlegs (2024)

Poor things (2023)

Queer (2024)

Les chambres rouges (2023)

La mesita del comedor (2022)

The Substance (2024)

Unicorns (2023)

Verdens verste menneske (2021)

Young Hearts (2024)

Wicked (2024)


curtametragens


Anders (2017)

Burrow (2023)

Heavy weight (2016)

Of Hearts and Castles (2020)

Some kind of paradise (2023)

The Pass (2022)

Warsha (2022)

Wren Boys (2017)


séries


Baby Reindeer

Big Boys

English Teacher

Fellow Travelers

Heartstopper

Monsters

Ted Lasso


Foram 96 filmes, 65 curtas e 65 séries, num total de 412 episódios. Ano que vem tá aí, não muda muita coisa, mas dá espaço pra mudar a gente. Ano novo pede que a gente mude, é o marco do recomeço que faz esse movimento, senão a gente para no tempo e ele segue sem a gente. Ainda que o caminho seja um muro fechado à sua frente, tem que persistir em avançar. Sei lá, um novo recomeço tranquilo, saudável, rico, cheio, feliz. Bom 2025!

segunda-feira, 2 de dezembro de 2024

L.O.S.T.: Cynthia Erivo

 

 

  Eu amo musicais, da minha lista de filmes favoritos, muitos pertencem ao gênero; no entanto, só fui assistir a "O Mágico de Oz" já adulto, e sequer conhecia a história de Wicked. Fui ao cinema ver a nova adaptação do prestigiado espetáculo da Broadway, e saí encantado. O filme é uma daquelas obras que acontecem na hora certa, com as pessoas certas. Foi um prazer enorme assistir na grande tela a duas das minhas vozes favoritas dos últimos anos, e é muito merecido que o mundo finalmente desperte para os talentos da Cynthia Erivo. Essa mulher é um fenômeno natural, ela é um vulcão, um tornado, um tsunami, ela tem sua própria força gravitacional. Eu me perco admirando essa mulher, que pessoa preciosa, linda, que voz, que dádiva! 


 Fiquei obcecado quando a vi no filme Bad times at the El Royale. Em 2021, ela lançou seu primeiro  álbum, que eu escutei, repetidamente. Dali comecei a acompanhar suas inúmeras performances ao vivo de canções clássicas — na boa, escuta isso:


 

 

  - e mais outras tantas apresentações maravilhosas:

"Misty" (Black Velvet Voices - Taking the Stage)

"I say a little prayer" (Pay Tribute2 Aretha Franklin)

 "Can You Feel the Love Tonight" (2019 Tony Awards)

 "Can't hurry love" (from "Bad times at the El Royale")

"Fantasy" & "Reasons" (Earth, Wind & Fire Tribute, Kennedy Center Honors)

“What About Love?” (from “The Color Purple")

 "Ain't No Way" (Lincoln Center)

 "Nothing Compares 2 U" (Kennedy Center Honors)


E aqui, um show gravado em 2022, com a maravilhosa orquestra sinfônica do Royal Albert Hall, em Londres:


Enquanto 2025 promete o segundo álbum da Cynthia, e eu espero ansioso, compartilho aqui o primeiro. Taca stream na lenda!

Ch. 1 Vs. 1

terça-feira, 16 de abril de 2024

[ Filme DL ] Anders (2017)

 

 Produção holandêsa, o curta Anders (traduzido ao inglês como "Something about Alex) narra uma fase frágil da vida de um garoto, cujas inseguranças inerentes à adolescência não são razão única da sua angústia latente. Diante de uma existência solitária e retraída, a única pessoa capaz de lhe prestar algum nível de compreensão e conforto familiar é o namorado de sua irmã mais velha, Hendrik. Até o casal anunciar seu êxodo para a cidade — presságio para o colapso do protagonista.
 
 Em sua filmografia, o diretor indonésio Reinout Hellenthal traz à tela e propõe um olhar a temas socioculturais e geopolíticos de grande valor e pertinência para o nosso tempo. Com este trabalho, de 2017, ele trata de temáticas de família e autoaceitação, abraçando uma pauta muito cara à comunidade LGBTQIAPN+ e trazendo um desfecho emocionante.
 
Traduzi a legenda ao português para compartilhar mais esta obra.


FICHA TÉCNICA


Título:
Anders (2017)
Duração: 18 min
Gênero: Drama
Direção e Roteiro:
Elenco: Maas Bronkhuyzen, Kay Greidanus, Marike van Weelden, Roos Netjes, Joes Brauers, Juna de Leeuw
Sinopse: Um jovem adolescente se apoia na estreita amizade com o namorado de sua irmã enquanto busca lidar com a profundidade de seus sentimentos internos.
IMDb: ⭐⭐⭐✰ 7.8
 
 

TRAILER




IMAGENS




 

 

LINK



• Filme em .mp4, legendas em português e inglês
 [ 1080p | 270 MB ]
(Something about Alex (2017) 1080p)




segunda-feira, 15 de abril de 2024

superávit


Tudo que lhe cabe fazer é aprender sua lição.
De nada vale querer ter feito algo diferentemente.
O passado nele está; aceite o que é, e cresça com ele.


 Eu me lembro da primeira emoção reativa que eu costumava sentir, um tempo atrás, quando alguma relação se encerrava de forma frustrante ou traumática, era sempre um arrependimento sufocante, de ter me aberto para tal pessoa; a sensação de ter desperdiçado a minha intimidade, que sempre guardei com tanto cuidado, de ter me exposto e me doado para alguém que agora não merece acesso ao meu eu particular. Reagi assim por muitos anos, diante de inúmeras relações desfeitas.

A função de algumas pessoas em sua vida
é de testá-lo, até que você se levante e diga:

—Chega, basta! Meu valor é maior
do que sua oferta
.



 Aí lembro também de quando me apeguei a uma citação do autor James Baldwin (elevada por uma das minhas cantoras favoritas, India Arie), que diz que “ter o seu coração partido pela perda de uma relação é comparável a sofrer um luto, e que o amor é um caminho de crescimento, compartilhado”. Nos últimos dois anos, eu passei por alguns desses lutos, sofri cada um dos seus estágios, e então segui com a vida, vivo, e apegado às pessoas que ainda me importam, e que comigo caminham ao crescimento. A última dessas relações mortas, ainda fresca, doeu menos, porque esse óbito se deu por uma espécie de câncer que veio anunciando sua mazela mortal lá de trás, e me deu a antecendência de preparo. Superada e enterrada. Alívio!

Que tu possas atrair quem fala a tua língua,
para que não tenhas que passar uma vida
traduzindo a tua alma.


 Hoje, eu não penso mais em arrependimento. Tudo tem sua razão de se desdobrar diante de nossas histórias. Eu prefiro guardar numa gaveta os momentos bons divididos, e deixar qualquer rancor correr para longe, como água por baixo da ponte. Eu não mais desejo o mal, eu luto para perdoar, mesmo no silêncio do outro, e reconheço cada emoção que me passa até superar a perda, porque foi o vínculo quem morreu, eu sigo aqui, com as pessoas cujo papel na minha narrativa não expira.

Você vai construir memórias com outras pessoas.
Pessoas melhores.


imagens daqui.

 

terça-feira, 9 de abril de 2024

[ Filme DL ] Warsha (2022)

 Nascida em Montreal e de origem libanesa, a diretora Dania Bdeir usa como base a vivência estrangeira para traduzir uma tocante mistura de sentimentos em seu curta Warsha, de 2022. Numa execução primorosa, que pouco depende de diálogos expressos, o foco de suas lentes está em externalizar, em imagem, os anseios do personagem central, Mohammad. Emigrante da Síria refugiado no Líbano, ele é subjugado a condições de vida precárias, sem qualquer privacidade, e à exploração do seu trabalho na construção civil, buscando apenas sobreviver num país estranho, que, ainda assim, oferece menos opressão que o seu.

Quando lhe cabe operar um dos mais altos e perigosos guindastes do ramo, o que seria mais um dia trivial na sua dura (e igualmente opressora) linha de trabalho, rapidamente se torna um sublime e catártico momento para Mohammad. Suspenso no topo imponente daquele rascunho tridimensional de arranha-céu no meio de Beirute, rodeado de atmosfera, silêncio e gravidade, ele confronta suas vertigens: o medo primitivo do abismo, a angústia de uma vida usurpada de humanidade, o não-pertencimento a lugar algum, o ônus de uma identidade reprimida, a pressão da sobrevivência - naquele momento de vácuo e solitude, todo o peso é arremessado pela janela, descartado em queda-livre. Em um raro instante privado, ele explora a espiritualidade e a música intrínseca que habitam sua alma, numa estonteante poesia visual.


FICHA TÉCNICA


Nome:
Warsha (2022) 
Gênero: Drama
Duração: 15 min
Direção e Roteiro:
Elenco: Khansa, Kamal Saleh, Hassan Aqqoul
Sinopse: Longe dos olhos de todos, um operador de guindaste em Beirute é capaz de viver sua paixão secreta e encontrar a liberdade.
IMDb: ⭐⭐⭐✰ 7.2


IMAGENS

   



 

TEASER


 

LINK



• Filme em .MKV, legendas em português
 [ 1080p | 538 MB ]
(Warsha.2022.1080p.WEB-DL.AAC.H264-DENTiST)


sábado, 23 de março de 2024

[ Filme DL ] The Pass (2022)

 The Pass é um pedaço de vida do Ben, um rapaz introvertido, de olhos atentos aos detalhes ao seu redor. De folga, no feriado, em uma cidade de interior, ele busca um momento de se entregar ao seu local de conforto particular – a água –, mas sempre atento a possíveis conexões.

Encontrei esse curta e fiquei bastante encantado, porque embora a história seja bem simples, a narrativa visual me arrebatou – nos aspectos técnicos, não deixa nada a desejar e coloca no bolso muito filme de alto orçamento por aí.
 
Com esta obra, eu quero abrir uma nova leva de compartilhamento de curta-metragens especiais que tenho assistido e que valem recomendação. Para este, fiz a tradução da legenda para o português, como já fiz de outros. Desculpa aos colegas cineastas contra a troca ilegal de filmes, mas eu acredito que a arte deve ser vista e dividida.


FICHA TÉCNICA


Nome:
The Pass (2022) 
Gênero: Drama
Duração: 15 min
Direção e Roteiro:  
Elenco: Angus O'Brien, JaQwan J. Kelly, Paul Bomba, Blanche Akonchong
Sinopse: De férias no campo, Ben busca um lugar para nadar e aceita a sugestão do jovem Sam de invadir um lote particular, A Praia da Passagem.
IMDb: ⭐⭐⭐ 6.1


TEASER


 
 

IMAGENS




 

LINK



• Filme em .MKV, legendas em português e inglês
[ 1080p | 607 MB ]
(The.Pass.2022.1080p.WEB-DL.AAC2.0.x264-KUCHU)


terça-feira, 12 de março de 2024

L.O.S.T. - SZA

 

  A essa altura já é redundância tentar introduzir a SZA, basta voltar à maior parte dos meus textos por aqui nos últimos seis anos. E não é só porque me agrada a sonoridade que eu tenho usado tantas de suas canções como trilha sonora para as minhas postagens - certamente, sua voz e melodias são de enorme motivação. São as letras das músicas da gata que me prendem num elo muito profundo e pessoal de identificação, parece que ela tem uma preparada para cada fase, cada situação, cada drama e cada reflexão por que eu passo.


 

  Nossa conexão foi irresistivelmente inevitável, era para ser, não tinha para onde correr, e apenas se consolidou com o lançamento do S.O.S. em dezembro de 2022. A começar pela capa, o álbum me fisgou com um arpão, me manteve firme com uma âncora e ali permaneci; ele foi meu captor e meu salva-vidas, de uma só vez, num oceano plural de 23 faixas - muitas das quais seguem presas na minha rede de favoritas.


  Tamanho foi o impacto que marquei na pele duas tatuagens, que não somente estampam minha admiração pela obra, mas meu envolvimento com as estrofes, versos, refrões e pontes, voz e emoção presentes na música da SZA. A primeira delas é o nome do álbum, S.O.S. (termo globalmente atribuído ao pedido por socorro), para me lembrar de sempre recorrer à minha rede de suporte e pedir ajuda quando preciso; a segunda é a palavra blind, em referência ao título da faixa 6, que já elaborei sobre como me toca, no tocante a amor próprio.

E, no tempo de 12 dias, estarei imerso no mar de fãs que vão apreciar sua apresentação no Lollapalooza, em São Paulo. Eu estou um próprio oceano em noite de lua cheia, ebuliente, ansioso por essa experiência - lancei ao universo a profecia no meu aniversário do ano passado, e o presente chegou neste março, presente.



  Para ir mais afundo, recomendo este vídeo, que conta um pouco da história da menina Solána Imani Rowe, e este pocket show transmitido em 2021. E quem assina Apple Music também pode ver várias faixas do novo show da S.O.S. Tour  que tá maravilhoso. Eu vou ver ao vivo! 🩵

 

. . . — — — . . .


vídeo por @notmrblue


terça-feira, 28 de junho de 2022

uma casa nem sempre é um lar

Ao longo dos últimos dias, eu precisei debater sobre isso mais uma vez, refletir sobre minha relação com famílias, minha e dos outros. Tenho uma inadequação muito inata à dinâmica familiar de forma geral. Pra mim, a única forma de família que funciona é aquela que eu mesmo agrupo de própria vontade.

E, às vezes, dentro dos ciclos conquistados também há desligamentos, sinais de desencontro que teimam em emergir por detrás da certeza do pacto de amizade, parentesco prometido por mútuo contrato. Mas família, de sangue ou preferência, só se sustenta com amor sincero.
 
 
Prova de maturidade, saber reconhecer os fins e deixar pessoas para trás, porque certamente não é caminho fácil. Já diz Harry Styles na faixa Matilda:
...eles não mais poderão te magoar, desde que possa deixá-los ir.

 



segunda-feira, 23 de maio de 2022

Estocalmo

Nos meus casos de rejeição, eu desenvolvo uma versão demo de Síndrome de Estocolmo, em que eu chego a montar defesa e a sentir compaixão pelo perpetrador (além, claro, da saudade irracional). Ontem, não foi diferente, mesmo confiante da minha decisão de dizer não quando ele ligou, me senti mal pela forma como o peguei de surpresa ao encerrar nosso rolo, há muito em aberto, e nunca aprofundado. Era hora, ele tem muito que aprender sobre como respeitar outro ser humano, e eu não posso absolvê-lo pra sempre, eu mesmo culpando o grau de autismo que ele confessou que tem. Ora, estranho eu também sou, e nem por isso.

Após cortar o "queria te ver" dele com um banho de água fria à temperatura de "este é o fim para nós" ºC, ainda me estendi a enviar uma última mensagem de texto, que eu sei que não verá resposta - não que ele guarde rancor, é que quase nunca respondia mesmo - mas resolvi compartilhar ali algo precioso, que minha bondade é dessas.

Eu sempre dôo muito de mim quando tento pescar a querência de alguém; quando estava com o Cooper, um dia trouxe para vermos juntos o filme Shelter, um dos meus mais queridos, queria apresentar a ele que nunca havia visto um filme de temática gay. E, passada toda a raiva e desgosto que ele me trouxe tempos depois, eu o culpava por ter estragado uma experiência especial, que dali adiante estaria manchada dele, e também a mim por ter jogado minhas pérolas ao porco.

E ontem, com semelhante compaixão, recomendi ao Léo que buscasse por Heartstopper na Netflix, sabendo que também lhe falta experiência no consumo de histórias dessa natureza. Se vai acatar a sugestão, não sei, mas completei:

"Você é como o Ben."

 

Ao fim da noite, depois de um choro breve e leve, veio o alívio. Melhor sozinho, e não volto atrás. Depois caí numa trilha de conselhos muito pertinentes deste jovem senhor, que me lembrou o Jacaré:

 

@ucanoutdoors Protect your peace!

Conselho amigo: proteger a sua paz é muito mais importante que defender seu argumento. Deixe-os permanecerem nos seus erros.

 

Ele também disse "Pare de deixar que os outros te guardem para depois. Conheça o seu valor". Então recomendo o canal desse moço: Ucan Outdoors

domingo, 22 de maio de 2022

this was my Heartstopper 🍂

 
Já se foi um mês desde que a Netflix estreou a série Heartstopper, e nessas quatro semanas eu revisitei muitos aspectos da minha vida, e chorei e sorri com o coração aquecido e em ebulição. Na obsessão com que essa história me arrebatou, é inevitável pensar no impacto que teria causado na minha formação se a série ou os quadrinhos estivessem disponíveis na minha adolescência.

Estava refletindo sobre minhas óbvias semelhanças com o Charlie, especialmente sobre a forma como ele se sujeitou a uma relação tão nociva e de pouco proveito com o Ben. Alguém que o trata como lhe convém, sem respeito ou consideração pela pessoa do outro, soa familiar.

Nesses dias voltou à terapia o tema do meu ciclo vicioso de rejeição, e olhando pra história do Charlie, me pergunto: se o Nick não tivesse aparecido naquele primeiro dia de aula, como teria sido o ano do Charlie, e por quanto tempo ele teria prolongado os encontros escondidos e aceitado o Ben lhe tratar tal qual lixo? Em certo momento, dentro da sua fragilidade, ele entende que não dá mais e manda por mensagem um "não quero mais te ver". Se ele teria cumprido essa resolução ou não, não me cabe adivinhar. Me importa o que eu faria, e faço e tenho feito. 

O Charlie logo conseguiu abrir os dedos e largar sua ideia feita do Ben, e o garoto real a que ela não correspondia, deu meia volta e deixou o veneno escorrer para trás, aonde o passado pertence, tudo isso porque à sua frente pairava uma oferta melhor, alguém acolhedor, carinhoso, que lhe queria bem - ainda que na incerteza de que o Nick seria um interesse romântico ou apenas amizade. Diante de alguém que nos abraça, não restam razões inconscientes para nos mantermos presos sob o feitiço de quem nos macula com espinhos.
 
 
"Heartstopper", by Alice Oseman, Netflix 2022

Minha psicóloga me questionou qual foi minha reação quando o Charlie, ao final da temporada, é provocado pelo Ben, e novamente se desliga da situação, sem enlace ou fraqueza. Eu respondi que senti orgulho, o mesmo orgulho que eu, quando escrevi o Benin pro meu filme, buscava sentir por mim mesmo, ainda que por vias de projeção no personagem (como faço há anos aqui neste blog). E hoje eu larguei pra trás quem me fazia mal, de novo, a muito custo e com nenhuma resposta às minhas perguntas, senão o silêncio e um "desculpa", disparado assim meio sem alvo. Ainda me enrosquei em muitas teias de questionamentos, mas pareço sair dessa, é promissor. 

Nunca tive, como o Charlie, a chance de me envolver com alguém bom para esquecer alguém ruim, e esse é um dos motivos por que demoro tanto a deixar pra trás. E sim, estou somente agora, aos 35, realizando que ainda desejo um Nick, mas se - ou enquanto - não me aparece, quem tem que ser uma pessoa doce e ajudar a quebrar minhas algemas sou eu mesmo.

"Heartstopper", by Alice Oseman, Netflix 2022


sábado, 2 de abril de 2022

O presente é um presente


Esses dias, narrei o Drama das Bursas no episódio 3 do hey, Benin e como minha saúde mental anda afetada pela falta de atividade física. Levei o tópico pra terapia e compartilhei com quem mais me perguntasse "como você tá?". A dica da psicóloga, pra sair do buraco em que me via enterrado, foi botar a meta do exercício no lugar de necessidade, tal qual trabalhar. Fui tentando e nesta semana consegui, em duas manhãs, acordar mais cedo e fazer uma sequência breve de movimentos, me esticar - como fazia falta! Com a energia já outra, fui praticar yoga no parque hoje cedo, com minha instrutora, amiga e inspiradora, Mariana Melo.

Mais do que a prática de asanas e a vista do povo bonito caminhando pelo parque, eu precisava de um segundo de meditação a céu aberto. A Mari fez um momento guiado em que nos pediu que repetisse um pequeno mantra, e acertou em cheio a demanda que eu trouxera comigo para aquele gramado. Ele começa com seu nome, e segue assim:


Joe,

iluminado,

por favor, me perdoe,

sinto muito,

eu te amo,

eu te cuido, te protejo,

eu sou grato.


E então, chamou a pensar em todas as vezes em que a gente é ríspido consigo mesmo, injusto, desrespeitoso. Ao final da aula, comentei que estava há dois meses sem fazer nada por conta dos ombros, e o quanto isso me havia desgastado, e ela continuou: "não é justo dizer que você não fez nada. Você viveu, trabalhou, conversou, sorriu, chorou, comeu, dormiu; você faz tudo que é capaz de fazer agora. E também não se trata do que a gente viveu, ou viverá, mas sim do que a gente vive, agora." E aí lembrei que, ontem, a Fernanda me mostrou um livro novo, Diário Estoico, que traz uma lição de vida para cada dia do ano, e quando eu abri no dia do meu aniversário, me veio esta mensagem:

Tá ligado.



terça-feira, 27 de julho de 2021

“Right now I feel it pouring”

Um pouco incrédulo à beira do novo ano, recebi este vídeo de uma amiga no último dia de 2020, que parece ter iniciado um processo, ainda que, ali, paulatino, brando.

A mensagem narrada investiu uma intenção que cursou os passados seis meses, até formar um saldo de decisão, de resolução. E hoje se tornou dia de movimento, de passo à frente, de bagagem. Bem similar àquele de dez anos atrás, que a vida é de ciclos – e de números redondos. Embora a insegurança e o medo da imaturidade, tomei inspiração de onde vinha e resolvi: por fim, rumar.

Nesta nova tentativa, com uma década a mais e o imenso suporte de amigos queridos contando a meu favor, embarco leve, e cheio de luz. Metade do estômago borbulha, a outra metade vai suave, porque sabe que já fez isso antes e dá conta, ô se dá!

Hoje é dia de mudança, de abrir o peito para o possível, botar os pés na areia, reluzir ao sol e vislumbrar a plenitude com olhos de vontade.

segunda-feira, 26 de julho de 2021

Pois bem, melhor sem.

No ensejo da última carta, o tema e a poesia da SZA me lembraram desse mashup delicinha aqui. Deixo que elas falem por mim.


Ariana Grande - Better Off (feat. SZA)

sábado, 7 de novembro de 2020

[ Série DL ] Diary of an Uber Driver


Facilmente a gente se identifica com histórias de pessoas que transitam perdidas pela vida, buscando um norte a que se dirigir, quando as Regras da Vida Adulta ditam que já era para ter rumado um caminho claro, destinado a sucessos. Na trama central de Diary of an Uber Driver, a graça está em acompanhar um desses caras perdidos na vida que literalmente segue um GPS por ofício. Motorista de aplicativo, o Ben tenta movimentar os ladrilhos da sua vida, na esperança de que eles se ajustem e entrem no lugar e ele esteja, assim, pronto para uma grande mudança que o espera ali, no dobrar da esquina.

Sua busca é entremeada por fatias de vida dos seus passageiros e suas peculiaridades deliciosas de assistir, ilustrando que a vida é, afinal, uma interseção de casos, arbritários e impermanentes, que desenham o mapa da nossa jornada. Esta série australiana, de seis curtos episódios, tem roteiro do Thomas Ward (que você deve conhecer da descolada Please like me), e no intento de compartilhá-la com todo mundo, eu traduzi legendas para o português. Enjoy the ride ★★★★★

 

FICHA TÉCNICA


Nome: Diary of an Uber Driver (2019–)
Gênero: Drama, Comédia
Direção: Matthew Moore
Roteiro: Thomas Ward
Elenco: Sam Cotton, Zahra Newman, Nicole Shostak
Sinopse:
A série acompanha o motorista de aplicativo Ben em sua busca pessoal por um rumo de vida enquanto guia seus passageiros aos seus destinos. Felizmente, seu carro recebe diariamente exemplos dos mais diversos comportamentos humanos.
IMDb 7.0


TRAILER


IMAGENS



LINKS


• Temporada 1 completa com legendas em Português

Download em 480p [687 MB | .mkv]

Download em 720p [2.27 GB | .mkv]

Download em 1080p [2.88 GB | .mkv]

 

• Episódios separados com legendas em Português

Episódio 1x01 (Diary of an Uber Driver S01E01)
Download em: 480p [135 MB]  |  720p [401 MB]  |  1080p [517 MB]

Episódio 1x02 (Diary of an Uber Driver S01E02)
Download em: 480p [97 MB]  |  720p [421 MB]  |  1080p [545 MB]

Episódio 1x03 (Diary of an Uber Driver S01E03)
Download em: 480p [74 MB]  |  720p [352 MB]  |  1080p [475 MB]

Episódio 1x04 (Diary of an Uber Driver S01E04)
Download em: 480p [123 MB]  |  720p [370 MB]  |  1080p [554 MB]

Episódio 1x05 (Diary of an Uber Driver S01E05)
Download em: 480p [135 MB]  |  720p [390 MB]  |  1080p [412 MB]

Episódio 1x06 (Diary of an Uber Driver S01E06)
Download em: 480p [123 MB]  |  720p [395 MB]  |  1080p [450 MB]


• Legendas em Inglês
Download [191 KB] 

 

quinta-feira, 5 de novembro de 2020

[ Filme DL ] Updates

Aproveitei a quarentena pra atualizar alguns links de filmes postados ao longo dos anos por aqui, e também trazer novos arquivos, que naquela época a gente ainda trabalhava com o formato rmvb, néra? Que sujeira. Pois aqui estamos com novos formatos, melhor qualidade. Segue:


Amores Possíveis (2001)

Amores Possíveis (Possible Loves) (2001)

Por conta do destino (Heights) (2005)

Por conta do destino (Heights) (2005)

Minha vida em cor-de-rosa (Ma vie en rose) (1997)

Minha vida em cor-de-rosa (Ma vie en rose) (1997)


quinta-feira, 6 de agosto de 2020

Pavlowando



Esse vídeo da Bianca DellaFancy é tão bacana porque não somente expõe e simplifica o fundamento da experiência de toda artista Drag Queen, eu suponho, que é essa transgressão de padrões e liberdade de ser. O que é mais rico neste sucinto desabafo é como ela sugere uma reflexão muito válida pra toda pessoa (e aqui vai além de qualquer letra do espectro LGBTQIA+) que padece de timidez:


Parece óbvio, mas é sim um questionamento pertinente. A gente é rápido em classificar timidez como traço de personalidade, mas, se olhar para trás, é possível ver que, em muitos casos, o comportamento tem origem condicional. No meu caso, me questiono quem veio primeiro: a privação ou a timidez. E se eu fui treinado a me esconder e retrair, como num experimento Pavloviano parental e coletivo, como então reverter seus efeitos? Como descartar os reflexos condicionados? A arte Drag subverte, porque a infração traz a permissão. Agora me resta encontrar a peruca que fuciona pra mim.

segunda-feira, 3 de agosto de 2020

fisio: terapia

Foi cinco anos atrás, neste agosto, que comecei a me adaptar a uma relação mais positiva com o meu corpo, o que envolveria prática de exercícios físicos e melhor alimentação para uma figura mais encorpada e bem disposta, e ainda o exercício mental, para fortalecer o tal do amor próprio. Você lembra como foi, o início de tudo, tá aqui escrito e guardado. E tomei gosto pela coisa, cuidar de mim virou um hábito fundamental para a vida adulta pós-30. Mesmo que nunca tenha conseguido o corpo idealizado, porque o metabolismo insiste em correr em vez de caminhar, o bem-estar era inegável.

A clausura que a pandemia normalizou me desafiou a continuar os esforços por conta própria, em casa – e que não vacile a disciplina, por tudo que é sagrado! Mas não deu: os ânimos se definharam ao longo dos primeiros meses de isolamento, e o cuidado virou uma tarefa. Danoso quando vira um 'item a fazer', que aí a paixão já se foi, e sem paixão só restam os números contando suas repetições por você. De início, eu tive dificuldade para aceitar tudo que eu sentia: o não querer praticar, a insatisfação com os resultados da pouca frequência, e a dificuldade de retomar ritmo, força, habilidade, flexibilidade. Parecia ter abandonado o pobre do corpo à sua sorte, por momentos faltando o carinho para com o próprio. Me assustou um pouco, e me desmontou um monte.


Praticando alguns 20 minutos de yoga a cada sessão, tentava me convencer de continuar. Fazendo esta aula aqui, do Flo (por sinal, uma excelente prática), fui lembrado, um par de vezes, da importância de aceitar – a si, ao agora – o que é, como é. Há momentos no yoga, como a postura da criança, que servem para o reconforto, para o aconchego e equilíbrio. "Lembre-se que a prática se trata, de fato, da respiração, e estamos todos fazendo nosso melhor, nos movendo por entre estas posturas", diz o instrutor. "Abra mão de querer controlar qualquer coisa." Conceitos que eu já conhecia com intimidade, e às vezes preciso ouvir mais uma vez, como se fosse novidade. É difícil, em observar o corpo, reconhecer o tanto que perdi, mas também cabe à percepção própria mudar o foco e notar que aonde já se foi, pode-se novamente chegar. Ora, mesmo o além ainda é possível. O corpo lembra.

Quem não lembra é a cabeça – mas, às vezes, ela lembra. Hoje tem aí uns dois meses que não tenho praticado nada. Quero cultivar a vontade de volta, o genuíno; enquanto isso, cuido da cabeça, mexendo em pequenos hábitos. Sem me cobrar, de nenhuma frente. Escutando ao que eu sinto, aceitando, manejando. Que também é cuidado.

sexta-feira, 31 de julho de 2020

[ COOLetânea ] Julho que tento

_
'Cabou julho, e eu cedi,
mirei alto, salto, e ruí,
bem abri o olho, e ouvi,
é a minha sina, o aqui?

Lá por dentro se perdeu,
desatento, no meu breu,
meu, eu julho que tento.


To be alone - Andrew Belle
Polly - Moses Sumney
Die Wild - Dia Frampton
In this shirt - The Irrepressibles
Take yourself home - Troye Sivan
Fear of the water - SYML
20 something - SZA
Comatose - Low Hum
Looking too closely - Fink
Like a bird - WILLOW
Loveless - Lo Moon
Violet City - Mansionair
Ayahuasca - Vancouver Sleep Clinic
Outside - TENDER

domingo, 28 de junho de 2020

[ L.O.S.T. ] Lady Gaga


Há muito tempo, muito antes de nos trancarmos em anseio e quarentena #hipster, eu queria citar esta entrevista da Lady Gaga sobre o processo criativo por trás do vídeo de Marry the night – faixa que abre o álbum obra-prima da moça, Born this way, e um de seus melhores trabalhos (aquele suspiro no primeiro segundo sou eu).

Na entrevista, ela explica que este foi o primeiro videoclipe que ela dirigiu, e que se trata de uma história autobiográfica, que narra um momento de colapso físico-emocional: um dia, voltando de uma internação hospitalar, ela descobriu que foi abandonada pela gravadora, e precisou decidir se teria a força necessária para recomeçar. "Marry the night é sobre casar-se com o sombrio, abraçar as dificuldades da vida, e o vídeo sugere a todos que mantenham suas lutas próximas ao coração, e as tenham como algo que causa orgulho em vez de vergonha". O clipe é, na verdade, um lindo curtametragem.


Eu queria usar este trecho da entrevista, tempos atrás, para deixar falar por minhas tribulações com as quais, à época, eu precisava me casar, batalhas pessoais que eu precisava aceitar e vestir expostas no peito, sem medo. Então muito se passou, veio covid-19, e Dona Doida lançou seu novo álbum, Chromatica. E veja, que coisa: no Born this way, as letras traziam mensagens positivas e empoderamento em canções pop embaladas em peças sombrias de ópera rock; no universo do novo álbum, as melodias são um convite à dança e à expressão do corpo e alegria da alma, e as letras ali envoltas lidam com passagens pesadas de vida e contendas emocionais internalizadas. Como um álbum pop, a Gaga entregou aqui tudo que os fãs esperavam, mas são as letras de Chromatica que me trazem para falar de duas faixas preferidas.

Introduzindo a atmosfera do disco, Chromatica I transita para Alice, e apresenta a imersão mental da cantora em um buraco emocional (em alusão à queda de Alice no País das Maravilhas), de onde grita e luta por sobrevivência. Os vocais e a produção tornam esta uma faixa essencial.

My name isn't Alice
(Meu nome não é Alice)
but I'll keep looking, I'll keep looking for Wonderland
(mas eu sigo buscando, sigo buscando pelo País das Maravilhas)

Set me free
(Me liberte)

Could you pull me out of this alive?
(Pode me tirar daqui viva?)
Where's my body? I'm stuck in my mind
(Onde está meu corpo? Estou presa na minha mente)

Ao meio da jornada, Chromatica II flui para 911 numa transição tão primorosa, que já nasceu clássica para a história da música pop. Aqui ela narra sua longa batalha contra sua sabotadora interna, em um pedido de ajuda ao som de batidas eletrônicas pra pista.

Keep repeating self-hating phrases
(Sigo repetindo frases de autorrepúdio)
I have heard enough of these voices,
(Já ouvi o bastante dessas vozes,)
almost like I have no choice
(quase como se não me houvesse escolha)

Front I've built around me, oasis
(Fachada que construi ao meu redor, um oásis)
Paradise is in my hand
(Paraíso está na minha mão)
Holding on so tight to this status
(Me segurando firme a esse estado)
It's not real, but I'll try to grab it
(Não é real, mas eu tento agarrá-lo)

Mais do que com o som, eu me identifiquei com algumas letras do novo trabalho, porque é de fato nas trevas da condição humana que eu me acho; ali, perdido num buraco, a voz interna me enganando. Mas, sem dúvida, a Gaga trouxe luz e cor e música e dança pro centro do breu das nossas mazelas da alma – o que tão bem se aplica aos dias densos de quarentena. Enquanto choramos, ao menos dancemos.

I would rather be dry, but at least I'm alive. Rain on me.


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