terça-feira, 31 de março de 2026

jaded

 Março já se vai, após abrir uma tesoura gigante e cortar a fita inaugural do meu quadragésimo ano. Você me pergunta isso lá em 2008 (quando comecei a escrever isso aqui) e eu te responderia, na lata, que é a maior insanidade do mundo eu chegar aos 40 anos, sequer faz sentido. Mas por quê? Não sei.

E então, eu volto hoje, para marcar o marco de março, sob a fadiga colossal de tudo, do mundo lá fora, e do daqui de dentro. Agora, no banho, cheguei a uma conclusão que é mais, na verdade, uma hipótese com sabor conclusivo.

Nesses últimos anos, minha frequência de escrita caiu severamente, e fui levando na justificativa de que era a canseira da rotina o meu maior impedimento; pois desconfio que, com o tempo, dos anos prolíferos e dos de escassez, eu fui me cansando, meio que desistindo de me compreender. Assim, paulatino, sem perceber… Esse esforço incomensurável, essa tarefa infinda parece estar me vencendo. 

Neste ano, este espaço completa 18 anos. Veja só, tem pessoas no mundo com essa idade que nunca leram (tampouco escreveram) um blog, e eu aqui... Ainda tentando. Há pouca coisa que eu ainda espere alcançar, afinal, com todo esse tempo de imersão, ainda me sinto trocando ideia em idiomas distintos. Comigo mesmo.

Não sou ingrato. Não subtraio o valor do que eu somei com esse hábito, que, aliás, começou muito antes deste ou de blogs anteriores, mas lá no diário de papel, no meio da temporada dos meus doze anos.

É que estou cansado. O que era pra ser não foi, o que devia mudar permaneceu e, mesmo com tudo que conquistei, não consigo subir a pódio algum. I can't win. Até um vinil girando no mesmo lugar avança de faixa, e eu corro voltas ao longo do mundo mas vivo empacado.

Tudo acaba no dia que eu desistir, por fim, de mim. Que caiba ao universo domar o tempo e eleger a data, a hora, o ensejo. Até lá, eu vou e volto, levando no lombo e arrastando com os ombros pesada melancolia.


terça-feira, 30 de dezembro de 2025

Ardente 🏒

 Quando Heartstopper estreou na Netflix, em 2022, eu me vi profundamente envolto na história da série e nos quadrinhos que lhe deram origem, ali minha criança interna encontrou completo conforto.

Jamais poderia esperar que, na etapa final de 2025, outra série de livros me fisgaria com tanto ímpeto. Aos primeiros sinais da estreia de Heated Rivalry, eu já estava convencido de que receberia uma boa entrega de entretenimento queer e ao menos um par de gays bonitos; não podia prever a descarga emocional que essa história me causaria, desta vez meu eu adulto perdeu o chão e o ar e foi arrebatado.

Serei breve: a produção do canal canadense Crave se debruça na série de livros da autora Rachel Reid e traz uma temporada de seis capítulos bem-sucedidos, uma revigorante aula de adaptação audiovisual. Shane Hollander e Ilya Rozanov são os personagens centrais da história, dois jogadores de hockey de gelo com vidas públicas demais para arriscarem qualquer prejuízo às suas carreiras em ascenção. E, assim, um affair se desenrola ao longo de 12 anos, em poucos encontros fortuitos nesse gasto de tempo, ao estilo de Brokeback Mountain – com a diferença, duas décadas depois, de um futuro mais feliz e seguro para os dois.

A série é um primor, um mergulho na experiência canônica de homens gays que, por sua vez, proporciona uma identificação íntima, pessoal do seu público – incluindo o fascnínio do público feminino. A atenção a detalhes no contar da história, pelas mãos do showrunner Jacob Tierny, fez dessa a minha experiência mais imersiva, intensa e especial, não só deste ano, mas dos últimos muitos. Após os créditos do episódio cinco, levei duas horas ininterruptas chorando compulsivamente, de cara com um número de feridas inflamadas e hemorrágicas.

O primeiro livro, homônimo do seriado, já ganhou tradução brasileira pela Editora Alt, com o título Rivalidade Ardente e estreia em 5 de fevereiro do novo ano, com pré-venda disponível na Amazon. Já o show garantiu as próximas duas temporadas, mas ainda não tem canal de distribuição no Brasil, e porque eu te quero bem, coloquei os seis capítulos completos, com legendas em português e inglês, numa pasta no Drive, facinho de assistir, baixar e compartilhar 😉


Heated Rivalry em Full HD




quarta-feira, 22 de outubro de 2025

24-1

 Imagino que toda pessoa LGBTQIAPN+ reconheça, dentro da sua história, o seu momento de libertação, o dia em que a sua verdade se faz concreta e declarada. Na minha época, e antes dela, a gente se criava sob uma enorme ressalva, temendo ser descoberto como quem teme a própria morte. Eu achava que minha vida acabaria ali mesmo, e acreditava que seguiria todo meu curso às escondidas, essa sina seria meu modo normal de existir. Não sei bem como imprimir mais o desespero e o desamparo que essa sensação causava, mas era por aí. Tinha nenhuma esperança de vida além do armário.

E, vinte e três anos atrás, eu morri, essa criança temente, o adolescente trancafiado, eu sei que ele se foi, porque naquele dia minha outra vida começou. Não é hipérbole, sabe? E, por isso, a cada outubro me orgulho de novo, me recordo daquela dor imensa, daquele frio no estômago que virou calor e depois um poço, tudo em um segundo, e sei que tudo morreu. Claro, o sair do armário segue adiante com a gente, é dia a dia, mas fica mais fácil.

Hoje é dia de celebrar 23 anos, a soma dos anos e o resultado de quem me torno... Imagina ano que vem, quando fizer 24?!

Sim, hoje é dia de festa! E festa pede música, dança, pede ser feliz. Vamo de listinha? Vamo!


Playlist na Apple Music


Playlist no Spotify


quinta-feira, 2 de outubro de 2025

[ Boy & Good Boy ] Jai Courtney


Jai Courtney + Good Boy


Ando meio fofo, meio pilha de nervos e caos.
E volto já.

sexta-feira, 8 de agosto de 2025

dez e sete

Quem é que diria que eu chegaria aqui, não é? Que por tantos anos eu manteria viva essa conversa, que é minha, tão íntima, e também tão aberta, que passeia pra dentro e pra fora. E sim, eu sei que sequer vim aqui ainda neste ano, como ouso chegar em pleno agosto dizendo que nunca deixei a peteca cair? É que me lembro dos meus 15 anos, quando tudo que eu queria era pertencer, me encontrar, ser encontrado, e quando o universo dos blogs aflorou pela web; eu começava um blog novo a cada dois tempos e fechava, porque parecia nunca dar certo. Era porque eu tava buscando aprovação dos outros. Eu não sabia, como diz a SZA, que todas as coisas que eu precisava, e todo o amor que eu buscava, vivia dentro de mim, eu só não via. E assim eu tive que abrir e fechar todos aqueles endereços pra chegar neste, que me acompanharia. Quando eu abri o From Joe, no 08 do 08 de 2008, eu tinha apenas 21 anos, e acabei criando um companheiro pra vida, que estava (literalmente) escondido dentro de mim e precisava ser explorado, remexido e trazido à superfície.

E hoje, em 2025, meu blog faz 17 anos, e com ele eu também comemoro um aniversário pessoal à parte, uma graduação da adolescência, talvez. Eu posso sumir por longos mergulhos, levar meses para buscar respiro, mas na orla ou em alto mar, escondido na profundeza ou flutuando na superfície, deste oceano aqui, eu não saio.



terça-feira, 31 de dezembro de 2024

highligths in the dark. my 2024 favorites

 Eita, que dentro desse espaço de tempo conturbado que foi 2024, vivi perrengues, mas posso chegar aqui, na hora derradeira, dizendo que dei o que pude, dei o meu máximo e foi enorme. Sim, tô de bolsos vazios, mãos abanando, mas fiz o que me propus. Peguei o punhado das preocupações debilitantes que sobraram e joguei ao mar, reafirmando que não importam. Isso aqui, o que foi, tudo e tal, nada importa.

Pra não encerrar tão em branco, listo aqui as melhores produções a que assisti neste ano, sem ordem específica de preferência:


filmes


All of us strangers (2023)

Bonus Track (2023)

Femme (2023)

It's what's inside (2024)

Longlegs (2024)

Poor things (2023)

Queer (2024)

Les chambres rouges (2023)

La mesita del comedor (2022)

The Substance (2024)

Unicorns (2023)

Verdens verste menneske (2021)

Young Hearts (2024)

Wicked (2024)


curtametragens


Anders (2017)

Burrow (2023)

Heavy weight (2016)

Of Hearts and Castles (2020)

Some kind of paradise (2023)

The Pass (2022)

Warsha (2022)

Wren Boys (2017)


séries


Baby Reindeer

Big Boys

English Teacher

Fellow Travelers

Heartstopper

Monsters

Ted Lasso


Foram 96 filmes, 65 curtas e 65 séries, num total de 412 episódios. Ano que vem tá aí, não muda muita coisa, mas dá espaço pra mudar a gente. Ano novo pede que a gente mude, é o marco do recomeço que faz esse movimento, senão a gente para no tempo e ele segue sem a gente. Ainda que o caminho seja um muro fechado à sua frente, tem que persistir em avançar. Sei lá, um novo recomeço tranquilo, saudável, rico, cheio, feliz. Bom 2025!

terça-feira, 10 de dezembro de 2024

não sai daí, a gente volta já


 Querido Benin, eu quero escrever, eu quero contar um montecoisa, mas tô preso aqui meio do caos, não tá rolando, é uma cruza de furacão com tsunami, terremoto e tempestade, dá nem tempo de botar ponto final, guentaí que já eu chego, que tô com uma verborreia pra soltar aqui, é dentro de instantes, mas enquanto não volto, voltei a subir algumas produções de temática gay aqui pro blog, com filmes, curtas e séries, então corre pra ver, viado, tem vídeo a dar com o pau, e eu bem sei que tu gosta,



terça-feira, 3 de dezembro de 2024

não conseguimos ser amigos.

 ...e, falando em Ariana, tava ouvindo o episódio do podcast Las Culturistas em que ela participa, e me peguei pensando muito em We can't be friends. É que no videoclipe, assim como no título do álbum, ela faz referência ao filme cult Brilho eterno de uma mente sem lembranças (Eternal Sunshine of the Spotless Mind, 2004), do gênio Michel Gondry. Aliás, vale registrar que esse é o disco que eu mais ouvi este ano que conseguiu, por vezes, me retirar do meio do mar do SOS.


Just wanna let this story die


Eu passei boa parte deste ano remoendo raiva; em contradição ao que declarei lá em abril, porque não foi fácil me desvencilhar do arrependimento. Neste caso em específico, de uma amizade em particular que, após muita insistência, por fim morreu. Mas não daquele jeito que a gente enterra, chorando, e guarda no peito as memórias boas do que se viveu. Não, essa morreu com raiva. Essa foi cremada, as cinzas lançadas à lata do lixo, para não deixar margem a dúvidas.

A trama de Eternal Sunshine... circunda a tentativa do esquecimento de alguém, o uso de uma tecnologia que limpa a mente das lembranças do outro, como se deletam os dados de um disco de memória. No filme, e no clipe, há titubeio diante do efeito do ato, sem volta. Será que prossigo? Como será viver daqui adiante sem que essa pessoa tenha existido na minha história? É um dilema delicioso de ponderar, principalmente porque, no fim das contas, não existe método que o faça na vida real, então nos resta mesmo lidar.

Eu já trouxe esse tema antes, lembra? Quando me revirava a alma, tentando superar um amor mal destruído, e eu achei que, sim, se me fosse oferecida a técnica, ali mesmo, sem hesitar, eu o apagaria da cabeça. Onze anos depois, e vejo que não. Não abriria mão do que aprendi com tudo aquilo. No entanto, hoje me pego aqui pensando o mesmo, que eu aceitaria destruir todo registro do tempo que gastei com esse amigo que nunca aprendeu a ser amigo. Sim, tempo que gastei, perdi, desperdicei com alguém tão oco e incapaz da reciprocidade de uma relação. Quisera esquecer cada momento, quisera o direito a reembolso de cada minuto, e dar-lhe melhor uso. Mas, sabemos, me resta apenas lidar.

Não, eu me recuso. Não aceito. Sim, eu me arrependo, mas não vou me alimentar de conjectura, que isso não dá sustento. Ainda que tenha jogado minhas pérolas ao porco, o que me importa é o que eu fiz, minha jornada e conduta, e não a do outro. Foi nesse exercício que eu me aprimorei como pessoa, como amigo, eu sim cresci, maturei, é nítido, e isso que conta, e disso me orgulho. Ademais, levo comigo um reforço:

 

 Onde não puderes amar, não te demores.

(Frida Kahlo)


Ponto final. Nova página.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2024

L.O.S.T.: Cynthia Erivo

 

 

  Eu amo musicais, da minha lista de filmes favoritos, muitos pertencem ao gênero; no entanto, só fui assistir a "O Mágico de Oz" já adulto, e sequer conhecia a história de Wicked. Fui ao cinema ver a nova adaptação do prestigiado espetáculo da Broadway, e saí encantado. O filme é uma daquelas obras que acontecem na hora certa, com as pessoas certas. Foi um prazer enorme assistir na grande tela a duas das minhas vozes favoritas dos últimos anos, e é muito merecido que o mundo finalmente desperte para os talentos da Cynthia Erivo. Essa mulher é um fenômeno natural, ela é um vulcão, um tornado, um tsunami, ela tem sua própria força gravitacional. Eu me perco admirando essa mulher, que pessoa preciosa, linda, que voz, que dádiva! 


 Fiquei obcecado quando a vi no filme Bad times at the El Royale. Em 2021, ela lançou seu primeiro  álbum, que eu escutei, repetidamente. Dali comecei a acompanhar suas inúmeras performances ao vivo de canções clássicas — na boa, escuta isso:


 

 

  - e mais outras tantas apresentações maravilhosas:

"Misty" (Black Velvet Voices - Taking the Stage)

"I say a little prayer" (Pay Tribute2 Aretha Franklin)

 "Can You Feel the Love Tonight" (2019 Tony Awards)

 "Can't hurry love" (from "Bad times at the El Royale")

"Fantasy" & "Reasons" (Earth, Wind & Fire Tribute, Kennedy Center Honors)

“What About Love?” (from “The Color Purple")

 "Ain't No Way" (Lincoln Center)

 "Nothing Compares 2 U" (Kennedy Center Honors)


E aqui, um show gravado em 2022, com a maravilhosa orquestra sinfônica do Royal Albert Hall, em Londres:


Enquanto 2025 promete o segundo álbum da Cynthia, e eu espero ansioso, compartilho aqui o primeiro. Taca stream na lenda!

Ch. 1 Vs. 1

sábado, 31 de agosto de 2024

[ Filme DL ] Bonus Track (2023)


 Falando em adolescência...

 Um das minhas sessões mais prazerosas em 2024, Bonus Track é uma comédia-drama-romance adolescente com efeitos semelhantes aos da maravilhosa Heartstopper: calorzinho no peito e imaginação florida.

 Estrelado por Joe Anders (filho da gigante Kate Winslet) e Samuel Paul Small, o longa conta com uma diretora mulher e traz aquele charme das rom-coms britânicas. A história é guiada pela perspectiva do George, um adolescente filho único e meio desconjuntado, que sonha em estourar na indústria da música, e, para isso, se une a Max Marvin, que, fortuitamente, ocorre de ser filho de um grande rock star. Nessa premissa clássica de dramas adolescentes LGBTQIAPN+, do aluno novo que chega para impactar a vida do protagonista, acompanhamos os garotos se acercarem, à medida em que George compartilha suas faixas pop preferidas numa mix tape, entremeadas às experiências intensas da juventude - e com direito a faixa bônus.


O filme está disponível no streaming para quem assina a Max. Já quem é da baixaria, pode pegar no final deste post.


FICHA TÉCNICA


Título:
Bonus Track (2023) 
Gênero: Comédia, Drama, Romance, Infanto-juvenil
Direção e Roteiro:
Elenco: Joe Anders, Samuel Paul Small, Jack Davenport, Josh O'Connor
Sinopse: Um adolescente peculiar, aspirante a músico, se junta ao filho de um astro do rock para tentar vencer o show de talentos da escola..
IMDb: ⭐⭐⭐✰ 6.6
 
 

TEASER




TRILHA




LINK



• Filme em .mp4, legenda em português
 [ 1080p | 2,51 GB ]
(Bonus.Track.2024.mp4)





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